segunda-feira, 21 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 43 - POMBAGIRAS

Imagem do google

A “linha das pombagiras” é composta por espíritos que, na Terra, pertenceram as mais diversas etnias e estratos sociais. A característica comum desta linha é que, enquanto mulheres (pois é uma linha exclusivamente feminina, ao contrário das outras), todas são espíritos de natureza inferior (se comparadas a uma preta-velha ou a uma cabocla, por exemplo), algumas com severas dívidas adquiridas no passado e que receberam da espiritualidade a oportunidade de auxiliar para o bem.

Espíritos inferiores

Os termos “inferiores” e “superiores” causam arrepios em muitas pessoas, mas não incomodam essas entidades. Elas mesmas, com frequência, dizem que são, ainda, espíritos de natureza inferior, presas ao passado, não raro, por uma série de elos negativos que procuram, agora, desfazer.

Contudo, é preciso entender que essa “inferioridade” é relativa, comparativa: elas são inferiores se comparados às entidades da direita, por exemplo. Portanto, não há demérito ou qualquer ligação com a prática do mal, pelo contrário: são espíritos que já se cansaram de permanecer no mal, no erro, no engano, por isso desejam crescer e por isso atuam como pombagiras.

A maioria se encontra em um nível evolutivo muito semelhante a da mulher comum. Por isso, são as entidades próximas da matéria e por isso atuam na esquerda, conforme já estudamos anteriormente.

Nome

Quando a linha dos exus começou a se manifestar mais diretamente nos terreiros de Umbanda (pelos idos de 1940), percebia-se, quase sempre, que vinham acompanhados de entidades femininas que, a princípio, se definiam também como exus.

Contudo, como o termo exu vem de Orixá Exu, que é uma figura proeminente masculina, as pessoas começaram a chama-las de pombagiras, que era uma corruptela de Pambu Njila, um Inquice Bantu, semelhante a Exu, mas que em algumas casas de influência Bantu era cultuado como uma divindade feminina.

O termo Pambu Njila, quando falado rapidamente, produz uma sonoridade muito semelhante ao termo pombagira (e suas variações, como bombogiras, por exemplo). Esta é a provável origem do nome, que caiu no gosto popular e que não incomodou as entidades.

Campo de atuação

Atuam, principalmente, nas áreas afetivas: amor, amizade, família, enfim, em nossa vida sentimental.

Como mulheres que um dia estiveram na Terra e muito erraram, hoje retornam para orientar e aconselhar aqueles que ainda estão envoltos pelas sombras do exclusivismo no mundo, sofrendo e fazendo sofrer por sentimentos que ainda não aprenderam a controlar.

Assim como exus não são entidades malignas que procuram atormentar as pessoas, as pombagiras igualmente não são entidades fúteis e mesquinhas prontas a satisfazer a vontade de pessoas mimadas que desejam sempre impor a sua vontade sobre o outro.

Ao contrário, são verdadeiras conselheiras sentimentais sempre dispostas a sugerir meios e formas para a reconciliação e a paz nos lares e nos corações.

Adereços

Algumas pombagiras pedem adereços como: chapéu, leque, anel, pulseiras, etc.

Elementos

Trabalham com bebidas alcoólicas de baixo teor, como champanhe, espumante ou sidra. Fazem uso do tabaco na forma de cigarrilhas ou cigarros comuns.

Estereótipo

Esta é uma linha muito difícil de ser estereotipada, pois como são espíritos que viveram entre todos os povos e em todos os estratos sociais, existem pombagiras com os mais variados comportamentos: algumas são calmas, outras são bravas, algumas são disciplinadoras, outras são brincalhonas, enfim, a mesma variedade comportamental humana comum.

Algumas se apresentam muito bem vestidas, enquanto outras se mostram com roupas tão comuns quanto as nossas próprias, não há padrão neste sentido, embora a tendência, fantasiosa, de pintá-las sempre como mulheres sensuais em vestidos vermelhos como se estivessem prontas a dançar um flamenco...

Falam, quase sempre, de maneira muito sincera e sem rodeios. A maioria das pombagiras abordam os assuntos mais íntimos com uma sinceridade capaz de fazer corar os mais sensíveis. Por esta razão, muitos disputam a possibilidade de conversar com uma, enquanto outros fogem o quanto podem.

A linguagem empregada por elas é muito semelhante a linguagem humana comum, podendo mesmo impressionar, tanto pela sinceridade, quanto pela aspereza, quem não esteja familiarizado com estas entidades.

É preciso recordar, entretanto, que como entidades que atuam para o bem, uma pombagira nunca fala com o propósito de ofender ou humilhar, mas como quem muito sofreu nos caminhos do coração e aprendeu as dolorosas lições afetivas.

Homem incorpora pombagira?

É curioso que uma mulher receba um caboclo ou um preto-velho e ninguém se impressione. Aliás, ela também recebe exu, que é uma figura masculina proeminente e também ninguém se espanta.

Contudo, quando um homem recebe uma pombagira, logo surgem olhares estranhos, pessoas temendo por sua sexualidade, crendo que se tornará “afeminado” e coisas do tipo.

Esses temores revelam o quanto nossos preconceitos ainda nos assolam, mesmo dentro da religião...

Assim como a mulher não se “masculiniza” quando recebe um exu, um homem não se “efeminiza” quando recebe uma pombagira.

Aliás, receber uma pombagira, uma energia feminina, levará o homem a dar cada vez mais valor às mulheres...

Conclusão

As pombagiras chegaram na Umbanda juntamente com os exus, em meados da década de 1940 e, desde então, e cada vez mais, consolidaram seu espaço como entidades que muito auxiliam os filhos de fé em seus problemas sentimentais, através de sábios conselhos.

Infelizmente, a ignorância ainda predomina em relação a elas. Creio que levará bastante tempo para desfazer todos os enganos criados na sociedade sobre estas entidades.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes


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