sexta-feira, 18 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 42 - EXUS

Imagem do google

A “linha dos exus” é composta por espíritos que, na Terra, pertenceram as mais diversas etnias e estratos sociais. A característica comum desta linha é que, enquanto homens (pois é uma linha exclusivamente masculina, ao contrário das outras), todos são espíritos de natureza inferior (se comparados a um preto-velho ou a um caboclo, por exemplo), alguns com severas dívidas adquiridas no passado e que receberam da espiritualidade a oportunidade de auxiliar para o bem.


Espíritos inferiores

Os termos “inferiores” e “superiores” causam arrepios em muitas pessoas, mas não incomodam essas entidades. Elas mesmas, com frequência, dizem que são, ainda, espíritos de natureza inferior, presas ao passado, não raro, com uma série de elos negativos que procuram, agora, desfazer.

Contudo, é preciso entender que essa “inferioridade” é relativa, comparativa: eles são inferiores se comparados às entidades da direita, por exemplo. Portanto, não há demérito ou qualquer ligação com a prática do mal, pelo contrário: são espíritos que já cansaram de permanecer no mal, no erro, no engano, por isso desejam crescer e por isso atuam como exus.

A maioria se encontra em um nível evolutivo muito semelhante ao do homem comum. Por isso, são as entidades mais próximas da matéria e por isso atuam na esquerda, conforme já estudamos anteriormente.

Campo de atuação

No mundo espiritual, o sistema de verificação de nossas capacidades para o trabalho é muito mais eficiente que na Terra. Assim, cada espírito recebe como trabalho a medida exata do que precisa para evoluir.

Como são espíritos inferiores, o trabalho reservado a eles é de natureza mais grosseira, penosa, exaustiva. São responsáveis pela segurança espiritual do médium e do terreiro.

Portanto, atuam protegendo o médium do ataque das trevas (isto é, dos espíritos que ainda militam no mal), das formas-pensamento destrutivas, das vibrações malignas e tudo o mais quanto vise prejudicar o trabalho espiritual.

É por esta razão que se chamam estas entidades de “guardiões”, pois seu papel é, em essência, como o de um policial, em ronda pela cidade, procurando proteger seus cidadãos. 

Adereços

Alguns exus pedem adereços como: capa, cartola, bengala, uma guia personalizada, etc.

Elementos

Trabalham frequentemente com bebidas alcoólicas fortes, como uísque, pinga (marafo), conhaque, etc. E também com fumo em forma de charuto.

Estereótipo

Esta é uma linha muito difícil de ser estereotipada, pois como são espíritos que viveram entre todos os povos e em todos os estratos sociais, existem exus com os mais variados comportamentos: alguns são calmos, outros são bravos, alguns são disciplinadores, outros são brincalhões, enfim, a mesma variedade comportamental humana comum.

Alguns se apresentam muito bem vestidos, enquanto outros se mostram com roupas tão comuns quanto as nossas próprias, não há padrão neste sentido, embora a tendência, fantasiosa, de pintá-los sempre como galãs de capa e cartola... 

Falam, quase sempre, de maneira muito sincera e sem rodeios. A maioria dos exus aborda os assuntos mais delicados com uma frieza capaz de fazer corar os mais sensíveis. Por esta razão, muitos disputam a possibilidade de conversar com um, enquanto outros fogem o quanto podem.

A linguagem empregada por eles é muito semelhante a linguagem humana comum, variando muitas vezes entre o chulo e o rude, podendo mesmo impressionar, tanto pela sinceridade, quanto pela aspereza, quem não esteja familiarizado com estas entidades (esta é uma das razões pelas quais não fazemos giras abertas com eles).

É preciso recordar, entretanto, que como entidades que atuam para o bem, um exu nunca fala com o propósito de ofender ou humilhar, mas como quem toca na ferida, para mostrar o machucado e posteriormente nos auxiliar na recuperação...

Conclusão

Temidos, mal compreendidos ou fantasiados, os exus chegaram na Umbanda a partir da década de 1940 e, desde então, ganharam cada vez mais espaço, consolidando seu trabalho, defendendo seus médiuns e ajudando os terreiros a continuar de portas abertas.

A Umbanda é uma das poucas correntes espirituais que abre espaço para essas entidades atuarem. A maioria quer apenas atuar com os espíritos evoluídos, com os “seres de luz”.

Contudo, desde que queira sinceramente servir, ajudar, crescer, evoluir e fazer o bem, como ensinou o Caboclo das Sete Encruzilhada, a ninguém viraremos as costas e é por isto que existe a linha dos exus na Umbanda. 

Até a próxima aula!

Leonardo Montes




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