quarta-feira, 9 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 39 - CRIANÇAS

Imagem do google

A chamada “linha das crianças” é composta por espíritos que desencarnaram e se mantiveram em aspecto infantil no mundo espiritual. São entidades como quaisquer outras com o mesmo poder de auxílio, porém, como possuem uma mentalidade infantil, seu foco de atuação é junto as crianças encarnadas.

Espírito

O espírito, nossa essência, não tem cor, idade ou sexo. É apenas uma energia, por falta de um termo melhor e que possui um envoltório, um outro corpo, chamado de perispírito ou corpo espiritual, que é semelhante ao corpo físico, mas feito de matéria sutil.

A maioria dos espíritos, após a desencarnação, conserva a aparência que tinham no momento da morte. Contudo, conforme se habituam a nova vida, sofrem radicais transformações na aparência, pois o pensamento incide poderosamente sobre o corpo espiritual, sendo capaz de influenciá-lo e moldá-lo.

É assim que uma pessoa que desencarnou aos 90 anos de idade pode vir a tomar a aparência que tinha aos 30, se assim quiser. Geralmente, os espíritos mantêm a aparência que possuíam na fase mais feliz da sua última encarnação.

Assim, é possível encontrar espíritos que se apresentam com mais idade e outros que se apresentam como crianças.

De fato, crianças

São inúmeros os relatos, principalmente através da mediunidade de Chico Xavier, de espíritos que desencarnaram na fase infantil e que continuaram como crianças no além, frequentando escolas e (pasmem), desenvolvendo-se naturalmente, crescendo como o fariam aqui na Terra.

Estas informações causam muito espanto, mas são tão comuns quanto verdadeiras.

Em geral, os espíritos que mantêm a aparência infantil o fazem por fixação mental. Desencarnando ainda crianças e tendo seu psiquismo voltado à fase infantil, não conseguem imediatamente retornar à aparência que possuíam antes da sua encarnação (e nem sempre isso é necessário), permanecendo assim até que reencarnem novamente ou se desenvolvendo naturalmente e se adaptando ao mundo espiritual.

Contudo, uma vez do lado de lá, essas crianças se espiritualizam, se instruem, não deixando de ser crianças, mas com maiores conhecimentos e amplitude de ação, recebendo da espiritualidade a oportunidade de auxiliar outras crianças como elas, seja na preparação para uma nova encarnação, seja nos primeiros anos de vida (eis a resposta para os “amigos imaginários”).

Enquanto as linhas dos caboclos e dos pretos-velhos estão intimamente ligadas a um componente “racial” a linha das crianças está intimamente ligada a fase infantil da vida.

Junto às crianças

Embora seja comum que os terreiros façam giras com as crianças (chamadas por vezes de “erês” ou “ibejadas” ou “meninos de angola”), para atendimento de adultos, o fato é que o foco do trabalho delas é junto às crianças encarnadas.

Infelizmente, já presenciei, não raras vezes, adultos se aproveitando da “ingenuidade” ou da espontaneidade das crianças, para fazer-lhes perguntas que escapam, totalmente, ao seu universo.

Certa vez ouvi uma mulher dizer:

- Conta pra titia se o titio tem outra namorada...

Era cambone e intervi na hora, pois esse tipo de assunto é algo que se conversa com uma criança na Terra? Por que seria para uma criança do lado de lá?

Por esta razão, em nossa casa, os adultos são meros figurantes nas giras com as crianças, pois são seus filhos, sobrinhos e netos, isto é, as crianças encarnadas que verdadeiramente importam nestes trabalhos.

Trabalhando, brincando

É incrível como as crianças encarnadas reconhecem e se abrem com as crianças incorporadas. Tente o médium fazer o mesmo em qualquer lugar para ver se as crianças não o olharão como um idiota... No terreiro, porém, não importa o tamanho do médium, quando ele recebe uma criança, ele se torna uma criança.

Nas brincadeiras, nas conversas simples, nos desenhos que fazem no chão, as crianças incorporadas ajudam as crianças reencarnadas, trazendo conselhos, orientações e, principalmente, suas energias, ajudando na saúde, na vida mental e espiritual de todos.

Por trás de uma simples brincadeira no terreiro e no meio de tanto doce, vai muito axé!

A Umbanda é uma das poucas religiões que possui um trabalho feito por crianças e para crianças.

Comportamento

Existem crianças de todo tipo: algumas são mais quietinhas, outras falam de mais, outras são agitadas, etc. A mesma variabilidade comportamental que se encontra entre as crianças encarnadas, se vê também nas crianças desencarnadas.

Por esta razão, é comum que se manifeste também um preto-velho junto às crianças para orientar o trabalho e impor respeito.

É preciso recordar, contudo, que são crianças espiritualizadas, não delinquentes juvenis como, infelizmente, as vezes vemos em vídeos por aí, em manifestações que beiram a uma apresentação circense...

Doce

O doce é um elemento de trabalho, como é o fumo para um preto-velho ou um marafo para um exu. É preciso usá-lo com cuidado, sem exageros, que são muito comuns em toda festa de “Cosme e Damião”, pois como qualquer elemento, é preciso dosar para saber usar.

É preciso nunca esquecer que quem come é o médium, não a entidade. A boca é do médium, o estomago é do médium... Então, mesmo estando incorporado, é o corpo do médium que fará a ingestão e mesmo a entidade tirando a energia que precisa, o resíduo material ficará no corpo do médium que pode vir a sentir os efeitos nocivos se exagerar na dose...

A energia do doce é manipulada pela criança espiritual que, frequentemente, transforma essa energia em uma poderosa corrente para revitalização do corpo físico, sendo muito comum que as crianças cruzem balas, pirulitos, chocolates para que estes tenham o efeito de um verdadeiro passe, pela energia ali dentro condensada.

Adereços

Algumas crianças pedem adereços como: bolas, carrinhos e brinquedos diversos.

Conclusão

A linha das crianças é tão importante quanto qualquer outra e seus trabalhos são tão efetivos quanto. No entanto, ao passo que os adultos podem contar com o auxílio espiritual de diversas correntes, a das crianças é a única exclusivamente voltada ao universo infantil, frequentemente menosprezado e desprezado, até mesmo dentro das religiões.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes 


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2 comentários:

  1. Parabéns pela iniciativa do Curso também em áudio, Leo!
    Continuaremos tendo os textos também?!😊
    Ansiosamente aguardando as próximas aulas!

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