terça-feira, 1 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 36 - DIREITA E ESQUERDA

Imagem do google

Este é, seguramente, um capítulo doutrinário que difere bastante do que atualmente se vê divulgado em termos de Umbanda.

E embora tenha deixado claro na introdução deste estudo que as informações que compõe este curso sejam registros de uma experiência pessoal e vivencial, apenas uma dentre as muitas visões de Umbanda existentes, gostaria de reiterar este ponto antes de prosseguir nesta análise.

Espíritos de luz?

É comum que os umbandistas se refiram aos guias espirituais que comumente se manifestam nos terreiros como “espíritos de luz”. Mas, será mesmo?

A expressão “espíritos de luz” se tornou popular devido a experiência de vários médiuns videntes, ao longo da história, quando divisavam figuras espirituais que, embora mantivessem o aspecto humano, tinham seu corpo espiritual irradiando intensa luminosidade.

Tal “luz” é um aspecto inequívoco de elevação espiritual.

Para que um espírito atinja este nível, ele certamente precisa batalhar muito, vivenciar muitas experiências na Terra, errar e aprender fortemente, se tornando verdadeiramente uma alma iluminada pelo amor universal.

Não há a menor dúvida de que todos temos esta potencialidade. Contudo, chegar neste estágio é algo que está longe da condição humana comum, sendo mesmo raros, numericamente falando, aqueles que atingem tal patamar.

Creio que esta expressão se tornou popular na Umbanda como uma oposição ao preconceito que muitos espíritas, desconhecedores da própria doutrina, em sua maioria, mantêm em relação às práticas espirituais da Umbanda.

Como a maioria não conhece (ou mesmo crê em magia), julgam as entidades atrasadas, quando não obsessoras, pelo fato de trabalharem com elementos materiais.

É justamente para se opor a esta visão que boa parte dos Umbandistas frequentemente diz que os espíritos que trabalham nos terreiros são “de luz”. Contudo, embora justificável, este é um erro conceitual, pois a maioria dos espíritos trabalhadores dos terreiros ainda não atingiu esta condição.

Entretanto, não há razão para espanto: os espíritos que normalmente trabalham nos centros espíritas também não são de luz. Nem os que atuam junto as igrejas e quaisquer outras instituições humanas.

É lei da vida que aquele que subiu um degrau auxilie quem está um degrau abaixo. Quem está um passo à frente, auxilie quem está um passo atrás, não poderia ser diferente!

Não teríamos condições intelectuais e morais para interpretar o pensamento de um espírito cuja evolução fosse tão grande a ponto de irradiar amor universal (a luz é isso, é amor sublimado). Nossa mente é pequena demais para isso...

A obra do espírito André Luiz, largamente aceita nos meios espíritas, é um testamento vivo do que acabei de afirmar, quando demonstra, por ele mesmo, que a maioria dos trabalhadores espirituais das organizações religiosas são espíritos comuns, sem grande expressão evolutiva, sem qualquer luz espiritual, mas com sincero propósito de ajudar, de fazer o bem e progredir.

Guias

Todo espírito, ao encarnar, terá a assistência de um bom espírito que sempre procurará incentivá-lo ao bem, a suportar as provas, etc. Este espírito é o que se convencionou chamar de anjo de guarda. Assim, não há uma única alma na Terra a quem falte assistência superior.

Não se segue, porém, que todo mundo tenha a proteção de um caboclo, de um preto-velho, de um exu, etc. Essa proteção é dada, naturalmente, àqueles que são trabalhadores da religião, não se constituindo um privilégio, mas uma assistência necessária a tarefa que desempenham.

Sempre abordo isso com o seguinte exemplo:

Quem precisa mais de proteção espiritual: a pessoa comum que apenas leva sua vida material sem maiores preocupações ou aqueles que além de tocar sua vida material também dedicam parte de seu tempo a socorrer os aflitos? Quanto mais trabalhamos no bem, maior será a proteção espiritual que receberemos, pois maiores também serão as investidas das trevas...

Aliás, a expressão “meu guia” serve apenas por falta de outra melhor, uma vez que ninguém possui os espíritos, que não são coisas a serem possuídas, muito menos, por um médium. Por esta razão, qualquer vaidade neste sentido é mera tolice, até por que os guias podem receber outras missões ou se o assistido não se mostrar digno, eles simplesmente o deixam entregue a si mesmo.

Mas, quem são os guias?

Imagine, por exemplo, um guia turístico. Se você faz uma viagem para uma cidade de importância histórica, é provável que encontre algum guia por lá.

Este guia é alguém competente, conhecedor da cidade, dos seus pontos turísticos, históricos, etc. É alguém habilitado para guiar os estranhos por um agradável passeio histórico, certo?

Com a espiritualidade ocorre o mesmo!

Os guias são espíritos que um dia viveram como nós na Terra. Contudo, após a desencarnação, por terem ainda muitos débitos a quitar no planeta, recebem da espiritualidade maior amparo e esclarecimento, aprendendo mais profundamente sobre a vida, a morte e o mundo espiritual.

Mais experientes e com maiores conhecimentos sobre as leis Divinas, recebem permissão do Alto para atuar através de um médium, iniciando um trabalho de caridade em algum dos muitos terreiros existentes no mundo.

Contudo, este processo não é simples nem rápido. Já conversei com entidades que me disseram terem permanecido algumas décadas em aprendizado no mundo espiritual para só depois virem de fato a trabalhar com algum médium.

Esta é a função de um guia espiritual: como alguém que um dia já viveu na Terra, passando por provações e dificuldades semelhantes às nossas, ele assume a tarefa de um irmão mais velho, mais experimentado e mais sábio, sempre dispostos a orientar seus tutelados pelos caminhos da caridade e do amor.

Todos iguais?

Outro mito bastante difundido dentro da religião é que os guias são todos iguais. Será mesmo?

Não!

Os médiuns de uma corrente são todos iguais? Possuem as mesmas tendências? O mesmo grau de conhecimento?

Se os encarnados num trabalho de Umbanda não são todos iguais, por que os guias seriam? Eles continuam com suas individualidades após a morte e cada um possui um grau diferente de evolução, logo, eles não são todos iguais.

O que ocorre é que dentro de um trabalho espiritual, todas as entidades possuem as mesmas possibilidades de auxílio a quem as procura, afinal, elas foram preparadas para isso durante muitos anos, portanto, não há razão para se preferir um ou outro guia, que é o que faz com que muitos dirigentes digam que todos os guias são iguais, já que muitos tem a ilusão de que o guia do dirigente da casa seja melhor do que os guias dos outros médiuns e não é assim que funciona.

As entidades não têm a mesma evolução espiritual e pode ser que o guia de outro médium seja mais evoluído que o guia do dirigente... Porém, dentro de um trabalho espiritual, todos têm a mesma possibilidade de contribuir, pois foram preparados para isso.

De modo geral, quanto mais evoluído é o médium, mais evoluídos serão os seus guias. Tudo é compatível no universo. Para quê Deus enviaria anjos para tomar conta de crianças espirituais como nós?

Direita e Esquerda

Chegamos, finalmente, ao item que dá título a este estudo.

É comum ouvirmos falar em direita e esquerda dentro de um terreiro. Mas, o que isso significa?

Quando falamos em direita, estamos falando dos guias que estão acima da evolução humana comum e que geralmente trabalham nas linhas dos pretos-velhos, caboclos e crianças.

Já a esquerda é composta por espíritos que estão mais próximos da matéria, mais próximos do nível evolutivo humano comum, e normalmente atuam nela os espíritos das linhas de exus e pombagiras.

Ainda existem as chamadas “linhas intermediárias”, onde atuam entidades que podem variar para a direita ou para a esquerda, onde atuam os espíritos de baianos, ciganos, marinheiros, etc.

Portanto, direita e esquerda são apenas divisões conceituais para nos referirmos as entidades que estão mais próximas ou mais distantes da matéria, apenas isso.

As entidades da direita se ocupam mais com a orientação e direcionamento do médium, enquanto as entidades da esquerda cuidam da sua proteção contra as investidas das trevas.

Não é melhor a direita ou pior a esquerda: elas fazem parte de um todo, um conjunto, uma equipe necessária para o trabalho espiritual.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes



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2 comentários:

  1. Sagrado irmão, suas reflexões trazem muito alívio a minha mente curiosa. O exu que trabalha comigo sempre me pede para estudar, estou sempre buscando. Axé.

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