quinta-feira, 31 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 48 - GRAUS DE CONSCIÊNCIA


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O que acontece com o médium quando ele incorpora? Ele apaga, dorme, continua vendo tudo? É sobre isso que vamos falar hoje.

Funções mentais

Para que possamos agir livremente neste mundo, precisamos contar com um bom cérebro. Este, pode ser entendido como um valioso computador que nos permite sentir e analisar o mundo a nossa volta, nos dando a capacidade de interagir com tudo que nos cerca.

Entre as principais funções mentais, podemos destacar: atenção, sensação, percepção, pensamento, memória, consciência, etc.

Como se pode notar, por estes breves exemplos, nosso cérebro é capaz de analisar tanto estímulos internos quanto externos para que possamos nos orientar no mundo em que nos encontramos.

Perceba que consciência e memória são funções mentais distintas. A consciência nos permite a lucidez da experiência que vivenciamos, enquanto a memória garantirá que deixemos algum registro dessa experiência arquivada.

Contudo, mesmo sendo funções distintas, elas se entrelaçam e se cruzam, por que o cérebro trabalha como um todo. No futuro, os estudiosos em matéria de mediunidade terão condições de analisar este fenômeno e suas implicações nas diversas funções mentais.

Transe mediúnico

Durante a incorporação, o médium entra no que se convencionou chamar de “estado alterado de consciência”, quando há profundas alterações no funcionamento psíquico do sujeito, durante um determinado período, geralmente, do contexto mediúnico em que ele se encontra.

Todo médium entra em transe. Porém, a “profundidade” deste transe varia de acordo com cada médium e mesmo de acordo com as circunstâncias do momento.

Em geral, os médiuns de incorporação se definem como: conscientes, semiconscientes ou inconscientes. Existem alguns estudos científicos que buscam entender essas variações dos níveis de consciência durante as atividades mediúnicas.

Conscientes

Atualmente, cerca de 90% dos médiuns são conscientes. Nesta modalidade de transe mediúnico, o médium sente um leve torpor percorrer o seu corpo, notando profundas alterações em sua postura corporal, embora ainda tenha controle sobre seus movimentos, pensamentos e fala, sentindo como se uma voz lhe guiasse os movimentos e impulsionasse seus pensamentos.

É, portanto, o gênero mais comum de incorporação na atualidade em todas as correntes espiritualistas, não sendo, portanto, uma exclusividade da Umbanda.

De modo geral, o médium consciente age como alguém que é guiado por uma força oculta, como se, no momento do transe, a entidade sussurra-lhe ao pé do ouvindo o que deveria fazer ou falar.

Assim, embora comum, este gênero de mediunidade implica alguns desafios pois, com frequência, boa parte dos médiuns se sentem inseguros, demorando bastante tempo para discernir o que sejam pensamentos/impulsos seus e pensamentos/impulsos dos guias espirituais.

Durante o transe, têm a impressão de que são eles mesmos que falam, gesticulam e agem, o que faz com que muitos se frustrem em relação à própria mediunidade, pois imaginavam que seriam tomados pelo espírito...

Ao fim do transe, costumam reter integralmente o que viram e ouviram durante as consultas, guardando viva memória de tudo que foi dito na gira, o que exige destes médiuns sempre um posicionamento ético bastante claro (não se deve levar nada para fora do terreiro).

Semiconscientes

Cerca de 9% dos médiuns são semiconscientes. Neste tipo de transe, o médium ainda têm a percepção da realidade ao seu redor, observando tudo que acontece durante o trabalho mediúnico, porém, com controle motor severamente reduzido, embora ainda possa intervir nos movimentos e nas falas das entidades, encontra-se como alguém “desapropriado” do próprio corpo que passa a agir independentemente da sua vontade.

Enquanto o médium consciente é guiado por uma voz interna ou uma vontade súbita que lhe diz o que fazer: levanta, agacha, pega isto, pega aquilo, no transe semiconsciente o médium simplesmente faz essas coisas sem que necessariamente ter a impressão que alguém lhe dirige. Pode mesmo estar pensando em outras coisas e observar seu corpo agindo “sozinho”.

Neste tipo de transe, o guia possui um maior controle corporal do médium e maior capacidade de expressão, embora ele ainda esteja ciente de tudo que ocorre ao seu redor, praticamente assiste o trabalho como alguém que estivesse sentado no banco do passageiro, enquanto outra pessoa dirige o carro.

Ao fim do transe, geralmente retêm na memória apenas partes dos atendimentos, sendo comum que ocorra embaralhamento das suas lembranças ou episódios de completo esquecimento do que foi dito em determinado período.

Inconscientes

Apenas 1% dos médiuns são inconscientes na atualidade. Neste tipo de transe, o médium tem pouquíssimo contato com a realidade. Encontra-se na situação de alguém que dorme ou que desmaia (pois a sensação da perda de consciência é semelhante a de um desmaio).

Neste tipo de transe, o guia tem controle quase absoluto do corpo do médium, agindo e falando livremente, praticamente sem interferência do próprio médium.

Este tipo de transe, ao permitir que a entidade se manifeste mais livremente, é o que mais contribui para obtenção de provas convincentes e mesmo irrefutáveis para quem se consulta, pois as entidades conseguem falar de forma direta com o consulente sem sofrer castração de suas ideias pela insegurança do médium, que pode influir decisivamente no que é dito ao consulente nos demais tipos de transe.

Quando retornam do transe, os médiuns geralmente não se recordam de nada do que foi dito na consulta. Contudo, eventualmente, podem se lembrar, principalmente quando os guias querem que aprendam algo, o que faz com que muitos médiuns inconscientes fiquem confusos, pois julgam que necessariamente eles nada deveriam recordar.

Entretanto, lembra-se que, no começo do texto, eu disse que consciência e memória são funções mentais distintas? Acredito que os estudiosos da mediunidade no futuro perceberão que em algumas situações, os médiuns inconscientes sejam capazes de se recordar de algo ocorrido durante o transe sem, necessariamente, estarem conscientes, justamente, por que memória e consciência são funções mentais distintas.

Variabilidade

Embora eu tenha dito que 90% dos médiuns sejam conscientes, 9% semiconscientes e apenas 1% inconscientes, é preciso dizer que existem muitos graus entre um estado e outro e que embora os médiuns possam, de fato, ser agrupados nestas três categorias no que se refere à experiência do transe, é preciso não esquecer que ela pode variar em intensidade e mesmo em graus, dependendo da necessidade.

Para abordar este assunto de forma mais clara, trarei meu próprio exemplo pessoal.

Eu já tive experiências, como médium consciente, em que sentia o transe fraco, quase por um fio e já tive experiências que, mesmo consciente, sentia o transe forte o suficiente para fazer "a carne pular", como se costuma dizer.

Na imensa maioria das vezes em que atuei incorporado, eu certamente seria encaixado na categoria dos médiuns conscientes. Contudo, no último ano, tenho tido experiências que variam entre conscientes/semiconscientes, sendo comum que eu comece o transe de maneira consciente e gradativamente me torne semiconsciente.

Apenas uma vez tive, repentinamente, a experiência da inconsciência e não foi nada agradável, justamente, pela sensação de desmaio que, chegando repentinamente, me deu a impressão de que estava passando mal...

Assim, embora realmente a maioria dos médiuns se encaixe numa dessas categorias, pode ser que, às vezes, ela varie e pode mesmo acontecer que mude, tanto um médium consciente pode se tornar inconsciente quanto um inconsciente pode se tornar consciente.
Depende muito da tarefa espiritual de cada um, mas acontece.

Insegurança

Os médiuns conscientes, pelo gênero de sua mediunidade, sofrem terrivelmente com a insegurança, justamente, por que imaginavam que simplesmente “apagariam” e que o guia viria para tudo fazer.

Assim, não é incomum desejarem perder a sua consciência ou mesmo se frustrarem com a profundidade do próprio transe.

Se, a princípio, a insegurança surge como fator preponderante nesta modalidade, ela logo deixa de importar se o médium for uma pessoa segura, disciplinada e com fé robusta, porém, tende a persistir se o médium for, ao contrário, uma pessoa insegura, indisciplinada ou de fé vacilante.

O fato, contudo, é que todo médium, em maior ou menor grau, experimentará inseguranças e incertezas, isso faz parte do processo de aprendizado mediúnico.

A este respeito, é preciso dizer o seguinte: quanto mais o médium trabalha, mais seguro ele se torna, mesmo que continue sempre consciente. É o que o “Velho” sempre me ensinou: não é a consciência que você precisa perder, mas a fé que precisa ganhar.

Não importa o grau de consciência

Você deve estar pensando que seria muito melhor se todos os médiuns fossem inconscientes e que o médium consciente mais atrapalhado que ajuda, certo? Porém, não é bem assim.

Realmente, o médium inconsciente, por não interferir diretamente no que a entidade faz ou fala, é capaz, por isso mesmo, de produzir fenômenos muito impressionantes, quando as entidades dizem coisas extremamente pontuais e certeiras sobre o consulente, vou dar um exemplo:

Certa feita eu estava angustiado com uma situação cujo desfecho afetaria profundamente a minha vida. Antes de sair de casa, para o terreiro, lembro-me de ter contemplado a lua cheia e com toda a força da minha fé, enderecei uma oração/pedido de ajuda, a uma cabocla por quem tenho muito respeito, dizendo-lhe mentalmente a razão da minha angustia. A médium nada sabia.

Chegando no terreiro, tão logo o trabalho se inicia (era uma gira de pretos-velhos), a referida médium recebe a cabocla que, pedindo licença ao trabalho da noite, fez um sinal para que eu me aproximasse, dizendo:

- Filho, eu escutei a sua oração e o conselho da cabocla sobre o que você me pede é este.

Eu fiquei impressionado. Não era dia dela se manifestar, mas atendendo ao pedido que lhe fiz, ela veio e me orientou exatamente sobre o que eu queria saber de forma certeira e precisa.

A médium era inconsciente. Contudo, se fosse consciente, isso seria possível?

A resposta é: sim, seria possível, embora improvável.

Isso porque o médium inconsciente, justamente por não intervir diretamente na manifestação, deixa a entidade agir livremente. Já o médium consciente, principalmente o inseguro, censura o tempo todo o que a entidade vai dizer, passando apenas aquilo que julga adequado.

No caso em questão, mesmo que o médium consciente sentisse a vibração da cabocla, em um trabalho de preto-velho, ele provavelmente julgaria que estava sentindo errado, forçando a entidade a se afastar e inviabilizando a consulta nestes termos.

Logo, o problema não é, exatamente, o tipo de transe mediúnico, mas a segurança do médium em transmitir corretamente o que o guia deseja transmitir.

Em outro exemplo:

A entidade manifestando-se em um médium inconsciente chama o cambone, entrega-lhe uma rosa e diz:

- Dê para sua tia Fátima, dizendo-lhe que as dores logo passarão.

Num médium consciente, a entidade diria a mesma coisa. Mas, racionalizando, em milésimos de segundo, o médium se pergunta: ele tem uma tia chamada Fátima? E se não tiver?

Então, cerceia o que a entidade gostaria de dizer e apenas fala:

- Dê para sua tia (sem citar o nome, barrado pela insegurança) e diz que suas dores logo passarão.

Percebem? Não é questão de ser consciente ou inconsciente, mas de ter fé em Deus e nos próprios guias!

Revelações espirituais

Intrigado com esses dramas mediúnicos, conversei exaustivamente com os guias sobre isso e o que me revelaram foi o seguinte:

A inconsciência na incorporação era característica comum dos médiuns no início do século passado, tanto no Espiritismo quanto na Umbanda, pois estes médiuns eram pessoas de “rija têmpera”, chamados a desempenhar um papel muito difícil, num mundo ainda cercado de preconceitos.

Cabia aos guias destes médiuns abrirem caminhos espirituais na Terra, o que exigia maior domínio sobre os corpos dos mesmos para que os fundamentos e as diretrizes de cada movimento fossem muito bem delineados.

Com o correr dos anos, conforme houve expansão das religiões em diversos agrupamentos por todo o Brasil, tendo solidificado cada um destes movimentos, houve uma modificação no processo mediúnico: diminuíam-se cada vez mais os inconscientes e aumentavam-se cada vez mais os conscientes.

Entendia a espiritualidade que, por um lado, a inconsciência favorecia a manifestação espiritual, contudo, privava o médium da vivência, do aprendizado e da experiência e já que as grandes linhas espirituais estavam solidificadas, não havia mais razão para manter os trabalhadores espirituais em estado de inconsciência.

Era comum o médium inconsciente nada saber (e é daqui que vem a aversão ao estudo de algumas casas), pois o médium entrava em transe, a entidade vinha, fazia tudo e ao final, cabia ao médium simplesmente seguir as orientações que o guia deixava com o cambone e pronto.

O médium não tinha experiência alguma no terreiro, não aprendia com a dor do consulente, não conseguia ouvir de seus próprios guias os conselhos dados e que poderiam lhe ser úteis, igualmente.

Em suma: o papel do médium era incorporar, apenas.

Atualmente, o quadro é diverso. O médium é chamado a ser parceiro da entidade, partícipe do trabalho, desempenhado em dupla: entidade/médium. À medida que aprende, o médium encontra valiosos recursos para modificar a si mesmo, tornando-se uma pessoa melhor, mais conscientizado de seu papel no mundo, um verdadeiro porta-voz da religião por si mesmo. Os caminhos espirituais já estão solidificados na maioria das religiões, cabendo apenas aos médiuns seguirem as diretrizes estabelecidas em cada culto.

Perguntei-lhes o motivo de ainda existirem médiuns inconscientes, então. E o que me responderam foi o seguinte:

Desses 1% de médiuns que ainda são inconscientes, a maioria o são por falta de opção. São pessoas de temperamento difícil que se não fossem “apagadas” durante o transe mediúnico, não conseguiriam trabalhar uma única gira sequer.

Devo dizer que concordo. 

Dos três médiuns inconscientes que já conheci nesta vida, todos são pessoas de temperamento muito complicado, convivência difícil e eles mesmos diziam que se não fossem inconscientes, não trabalhariam de forma alguma na mediunidade.

Os poucos médiuns inconscientes que não se encaixariam nesta descrição são aqueles a quem cabe desempenhar uma tarefa muito específica, uma espécie de missão em determinado contexto que exija maior domínio das entidades para sua realização.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes

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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 47 - RESGUARDO

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Muitas pessoas quando visitam um terreiro pela primeira vez não imaginam a preparação necessária para que um trabalho espiritual aconteça. Elas se encantam com os atabaques, com o cheiro da defumação, com as entidades em terra e não se preocupam muito em pensar em tudo que os trabalhadores precisam fazer para que um bom trabalho espiritual possa ocorrer.

Resguardo

Resguardo ou preceito são restrições e hábitos que os trabalhadores espirituais precisam adotar, no mínimo, um dia antes da gira. Basicamente, consiste em: não comer carne, não ingerir bebidas alcoólicas, não fazer uso do fumo, não manter relações sexuais, tomar banho de ervas, se esforçar em manter pensamentos elevados, sentimentos sadios e redobrar os cuidados com a oração.

Existe uma razão profundamente simples em cada um destes itens e é sobre isso que vamos falar.

Carne

A carne é um alimento de difícil digestão e que consome muita energia para ser digerida. Os médiuns de incorporação já devem ter percebido que, quando exageram na alimentação, antes da gira começar, o estômago parece acelerar o processo digestivo, sendo muito comum a produção de gases: é um recurso que os espíritos aplicam para que a digestão ocorra de forma mais rápida e não atrapalhe a incorporação, afinal, quando estamos com estômago cheio, ficamos sonolentos.

Contudo, existe ainda um outro problema: a carne, principalmente a vermelha, contém muitas vibrações pesadas, afinal, o animal que foi abatido sabia que ia morrer e é por isso que existem muitos vídeos na internet mostrando animais chorando antes do abate.

As vibrações de dor e sofrimento tanto antes como depois da morte do animal ficam impregnadas na carne, gerando uma carga vibratória muito densa e que influi decisivamente em toda a energia do corpo físico, causando alterações energéticas muito sérias.

É por esta razão que se recomenda não ingerir carne, principalmente a vermelha, antes dos trabalhos espirituais (as entidades me dizem que o médium fica fedendo coisa podre).

Ingestão de bebidas alcoólicas

Pelo fato das entidades, com frequência, manipularem a energia do álcool, muitos médiuns acabam pensando que não há nenhum problema no fato deles também beberem, afinal, o “guia também bebe”.

A diferença substancial corre por conta da finalidade do uso do álcool e a sua dispersão energética.

Quando uma entidade faz uso do mesmo, ela absorve a energia e, quase imediatamente, a queima, seja para manter o transe mediúnico, seja para dar um passe de limpeza em alguém.

Quando o encarnado faz uso do álcool, ele não tem para quem passar esta energia que, aliás, não sabe manipular, assim, conforme aumenta seu consumo, aumenta também a circulação de uma energia poderosa sobre seu corpo e como não há descarga desta energia, logo surge a embriaguez e todos os demais sintomas.

Se o médium faz uso do álcool antes dos trabalhos, ele deixa sua energia completamente turva, o que dificultará o transe mediúnico. Daí a recomendação de não fazer uso antes da gira.

Uso do fumo

Raciocínio semelhante ao da bebida se aplica neste caso: o fumo possui uma energia muito poderosa, quando o médium faz uso do fumo, está colocando para dentro de si uma força que não saberá dissipar e que será descarregada em seu próprio corpo (por isso transpira odor de tabaco, por exemplo).

Assim, quando chega o momento da incorporação, a sua energia estará fraca, pois boa parte dela se perdeu devido a poderosa energia do fumo. Daí a recomendação de não fazer uso do fumo antes da gira.

Relações sexuais

Uma relação sexual, além do esforço físico, implica também em grande gasto energético, afinal, não são apenas fluidos que os corpos trocam, mas também energia, intensa energia.

Assim, a relação sexual, por si só, já seria motivo suficiente para enfraquecer energeticamente o médium. Contudo, há outro fator também.

É preciso reconhecer que, muitas vezes, durante o ato sexual, as pessoas envolvidas se entregam a fantasias que, não raro, beiram ao animalesco, gerando toda uma carga vibratória de pensamentos completamente sexualizados e materializados, o que se opõe fortemente a qualquer impulso espiritual superior.

Assim, tanto pelo desgaste energético, quanto pelas formas-pensamento que circularão o médium, o ato sexual é extremamente desaconselhável antes de um trabalho espiritual.

Banho de ervas

O banho de ervas é muito importante nos preparativos de um trabalho. Cada casa recomenda o uso destas ou daquelas ervas. Mas, em essência, esse banho objetiva limpar energeticamente quaisquer resíduos que a abstinência de tudo que mencionei anteriormente tenha produzido.

Além do mais, em várias casas, como a nossa, o banho é recomendado para aguçar a mediunidade, deixando o médium mais sensível às influências espirituais, portanto, algo muito importante.

Pensamento elevados

Nada revela mais nitidamente o nosso caráter do que nossos pensamentos. Aliás, é assim que os obsessores conhecem nossas fraquezas, observando as emissões que, mentalmente, todo dia jogamos no espaço.

Antes de uma gira, o médium deve fazer o possível para evitar quaisquer pensamentos negativos, pois eles influenciarão, decisivamente, o fluxo energético dele próprio.

É certo que os itens anteriores são mais facilmente adotados por que implicam em restrições de ordem material, ao passo que o domínio sobre os próprios pensamentos exige educação mental, o que falta para a maioria de nós que nunca se dedicou seriamente a ter controle sobre isso.

Contudo, é fundamental que o médium procure manter seus pensamentos limpos e voltados para o alto através da oração.

Sentimentos sadios

Os sentimentos também influem poderosamente na qualidade do trabalho espiritual executado pelo médium. Se este se deixa levar por pensamentos negativos, é quase certo que seus sentimentos também se turvarão.

Neste sentido, é preciso ter muito cuidado, pois o dia da gira é especialmente marcado por uma série de dessabores que, não raro, visam deixar o médium irritado, nervoso, chateado, enfim, com sentimentos que turvam sua psicosfera, dificultando muito o processo de incorporação.

Oração

O médium nunca deveria se descuidar da oração, pois ela é o maior e o melhor escudo contra as forças do mal. A oração é a foça que liga a terra e o céu e, para que seja efetiva, exige pensamentos e sentimentos direcionados pela fé em Deus.

Contudo, antes da gira ou mesmo no dia gira, o médium deve redobrar seus esforços na oração, procurando a cada momento em que perceber seu padrão vibratório alterado, seja por pensamentos impróprios ou por sentimentos confusos, elevar-se através da oração.

Quem assim proceder, certamente, será recompensado com apoio espiritual.

Desafios

O resguardo pode parecer simples a princípio, mas gera uma série de incômodos e dificuldades, principalmente, por sermos, geralmente, espíritos rebeldes sempre dispostos a satisfazer a nossa vontade.

Abster-se de carne uma semana ou outra, é fácil. Mas, e quando vamos numa festa no dia que antecede a gira? E quando nosso vizinho faz aquele churrasco que deixa com água na boca?

Da mesma forma, pessoas com hábito do uso de álcool e do tabaco sentirão enormes dificuldades pesarem sobre seus ombros, o que é muito natural. Contudo, devem empreender um esforço real e sincero para se libertarem dessas viciações, embora sem pressa, para que a mudança seja efetiva.

A abstenção sexual em um dia não parece uma exigência grande, mas por vezes se mostra um verdadeiro desafio, principalmente se o companheiro (a) não compreender sua finalidade.

O domínio sobre os pensamentos e sentimentos também apresentam um belo desafio, principalmente, àqueles aos que se acostumaram a enxergar os próprios defeitos como virtudes...

Em suma: manter o resguardo não é tão fácil quanto possa parecer.

Contudo, é perfeitamente possível. Habitue-se a isso. Não queira, porém, mudar do dia para a noite... É preciso construir o hábito do resguardo. Se você não conseguir seguir à risca, faça o máximo possível, mas faça de coração, não como quem procura uma desculpa para fugir à responsabilidade.

Afinal, não há espaço na mediunidade para os que querem se enganar.

Implicações

O resguardo deveria ser uma preocupação constante dos médiuns, pois a sua falta pode acarretar sérios prejuízos ao trabalho espiritual.

Veja que, basicamente, o resguardo é uma preparação para que o médium esteja o mais “limpo” possível, tanto a nível energético quanto mental. Essa “limpeza” é importante, pois eleva o padrão vibratório e, por consequência, diminui o esforço que a entidade precisa fazer para se aproximar energeticamente dele.

O médium que segue corretamente o resguardo tem uma incorporação mais forte, mais firme, mais limpa. Os guias conseguirão ser mais precisos e assertivos em suas falas através dele, enfim, será um médium melhor. Ao fim dos trabalhos, estará sempre bem, tranquilo, energizado e feliz.

O médium que não segue corretamente o resguardo estará sempre em crise, suas incorporações oscilarão muito, ficará sempre em dúvida sobre o que a entidade fez ou falou, terminará a gira passando mal, extremamente cansado, etc.

Contudo, aos meus olhos, o mais grave é que poderá não passar corretamente uma orientação ao consulente. É preciso não esquecer que lidamos com vida nos trabalhos espirituais, de modo que o médium que não segue corretamente o resguardo está brincando com a vida alheia e poderá, no futuro, se arrepender muito da sua falta de disciplina.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes 

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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 46 - INCORPORAÇÃO

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A mediunidade de incorporação é o carro-chefe da Umbanda. É a mediunidade base, fundamental, sobre a qual a religião foi fundamentada, contudo, não é a única mediunidade com aplicabilidade na religião.

Definição

A incorporação é um tipo de mediunidade muito comum hoje em dia e consiste em ceder voluntariamente o corpo do médium para que um espírito possa agir através dele. Contudo, apesar do que possa sugerir o nome, essa ação não se dá com o espírito se apossando do corpo do médium, mas se ligando a ele através dos chakras.

São sete os principais chakras: básico (região genital), esplênico (região do baço), gástrico (região do umbigo), cardíaco (região do coração), laríngeo (região da garganta), frontal (região da testa) e coronário (topo da cabeça).

Estes chakras fazem a ligação entre o corpo espiritual e o corpo físico, além de controlarem os fluxos energéticos por todo o corpo. O estudo destes centros de força é muito importante para compreendermos a dinâmica energética do corpo humano.

Mecanismo da incorporação

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a incorporação é um processo desgastante não apenas para o médium, como também para a entidade que, normalmente, precisa baixar seu padrão vibratório (já que a maioria está alguns passos a nossa frente em termos de evolução), para se aproximar ao máximo possível da energia médium.

Eis outra razão pela qual é importante fazer o resguardo: se o médium de fato se resguarda, a sua energia estará mais alta, portanto, a entidade precisará fazer menos esforço para descer até o padrão vibratório dele.

Assim, quando o médium se concentra no momento de chamada dos guias, limpando sua mente de qualquer pensamento intruso, ele abre seu campo mental e energético para a aproximação da entidade.

Esta geralmente se coloca ao lado dele e inicia, por esforço da própria vontade, a ligação entre cada um dos chakras anteriormente mencionados.

Os pensamentos da entidade criam laços fluídos dos chakras dela própria e que se estenderão até os do médium. Essa ligação leva alguns segundos para acontecer e, enquanto acontece, causa algum impacto no médium, como arrepios constantes, falta de equilíbrio, tontura e mesmo alguns solavancos.

A última ligação a ser estabelecida é a do chakra coronário, onde ocorre a ligação da mente do médium com a mente do espírito. Portanto, a entidade não entra no corpo do médium.

A partir do momento em que os chakras estão conectados, a entidade conseguirá exercer algum controle sobre o corpo do médium. Assim, se for um caboclo, por exemplo, a entidade poderá bater a mão no peito e, na sequência, como um espelho, o médium refletirá a ação da entidade.

Se a entidade agacha para riscar seu ponto, o médium agachará também. Se a entidade fala algo, o médium repetirá o que ela disse. É isto, basicamente, o que se chama de incorporação, uma espécie de espelhamento das atitudes da entidade para que sua manifestação seja percebida, através do médium, no mundo material.

Incorporar cansa

A incorporação é uma atividade que consome muita energia. Por esta razão, o médium deve estar sempre atento à sua forma física, fazendo o possível para ter um estilo de vida saudável, alimentando-se bem e cuidando, igualmente, de seus pensamentos e sentimentos, para que estejam sempre sadios.

Após a desincorporação, o médium sentirá por alguns minutos o efeito do transe, razão pela qual recomenda-se que fique quieto em seu lugar, cantando pontos ou em oração, até mesmo para que as entidades façam alguma reposição energética a fim de diminuir o desgaste que, em todo caso, sempre haverá.

Este desgaste é natural, inerente ao processo e para ser vencido basta que o médium tome um bom banho após a gira, alimente-se de forma leve e depois durma tranquilamente (por isso não se recomenda fazer qualquer outra atividade após a gira, a cama deveria ser o destino certo de todo médium após a incorporação).

Incorporar toda hora

Um receio comum entre os candidatos ao desenvolvimento mediúnico é o de que perderão o controle sobre si mesmos, vindo a incorporar toda hora, em qualquer lugar, passando vergonha.

É preciso entender que o desenvolvimento mediúnico é o momento em que o médium é preparado para atuar de forma correta e sadia, para si e para os outros e que em nenhuma hipótese isso implicará em descontrole de si mesmo.

As pessoas que incorporam em todo lugar, na maioria das vezes, não estão incorporando nada, estão apenas em processos anímicos, seja pela ansiedade de concluir o desenvolvimento ou porque desejam ardentemente chamar a atenção...

Lembre-se do que estudamos anteriormente: a incorporação é desgastante para a entidade. Assim, elas não ficam afoitas para incorporar, quem geralmente fica é o médium.

Incorporar fora do terreiro

Como você deve imaginar, a incorporação é um processo delicado e que exige muita energia, preparo e, principalmente, ambiente. Incorporar fora do terreiro, que é um local energeticamente preparado para isso, é sempre um risco e só deve ser feito quando houver real necessidade e o médium possuir bastante experiência para isso.

Os riscos da incorporação fora do terreiro, incluem: ruídos e interferências energéticas que poderão fazer com que a incorporação não se dê de forma satisfatória; se o ambiente estiver carregado o médium pode terminar o trabalho passando mal, com dor de cabeça ou ânsia de vômito; o médium pode se sentir completamente drenado, muitas vezes, custando a permanecer de pé e, na pior das hipóteses, acabar recebendo um Kiumba (entidade perversa) fingindo ser um guia.

Por esta razão, deve-se incorporar fora do terreiro apenas em casos de extrema necessidade.

Finalidade da incorporação

A finalidade da incorporação é dar ao consulente a possibilidade de dialogar com um guia através de um médium. Por esta razão, trata-se de uma função sagrada e o médium que não honra este compromisso terá que prestar severas contas à justiça Divina.

É preciso nunca esquecer que lidamos com vidas no terreiro. Por vezes, os consulentes trazem questões complicadíssimas, esperando ouvir uma palavra amiga, acolhedora ou direcionadora da entidade, o que só será possível, justamente, através da incorporação.

Em suma, sua finalidade é: caridade!

Até a próxima aula!

Leonardo Montes

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ORIXÁ REGENTE DO ANO

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Todo fim de ano é a mesma história: surgem centenas de vídeos no YouTube onde “astrólogos” dizem qual será o Orixá do próximo ano e tudo de bom ou de ruim que isso implicará na vida de toda a população.

Mas, o que os Orixás têm a ver com os anos?

Em algum momento, dentro ou fora da Umbanda, houve uma associação entre os Orixás e os "planetas da astrologia" de forma que: o Sol representou Oxalá; Marte representou Ogum; Vênus representou Oxum e assim sucessivamente. Associou-se, portanto, os arquétipos de personalidade dos filhos dos Orixás com os planetas usados na astrologia...

Entre os processos astrológicos, existem tabelas feitas a partir de cálculos astronômicos, onde se pode ver os planetas que mais ângulos farão em relação à Terra (a regência) e, por isso, acredita-se na maior influência destes planetas sobre o comportamento das pessoas.

Em 2019, é Marte. Logo, se acredita que Ogum (por estar associado à Marte), rege o ano e, portanto, as características de Ogum se refletirão durante o ano todo no comportamento das pessoas, etc.

Apesar de muitos umbandistas entrarem com tudo nessa onda, ela simplesmente não faz o menor sentido dentro da religião nem perante as tradições africanas, onde, normalmente, se jogam búzios para se saber o Orixá regente (isso em algumas casas apenas) e de onde surge, também, a maior parte das divergências, já que os búzios podem apontar um Orixá e a astrologia outro e daí vem toda a confusão...

Aprendi com os guias que, embora todas as crenças sejam respeitáveis e devamos, naturalmente, respeita-las todas, não faz o menor sentido pensar que por um planeta fazer mais ângulos em relação à Terra que os demais, isso necessariamente fará com que tal Orixá tenha a regência do ano...

Jamais conversei com alguma entidade que tenha atribuído qualquer importância a este sistema...

Os Orixás aí estão muito antes de aprendermos a contar o tempo ou de fazermos associações astronômicas.

Leonardo Montes

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sábado, 26 de outubro de 2019

VAIDADE

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Eu conheci uma senhora num grupo de Whatsapp que, para todos os efeitos, era só amor. Certa feita, porém, uma pessoa mais jovem lhe fez um questionamento num outro grupo (ela não sabia que eu estava neste outro grupo), e, por áudio, esta senhora soltou a seguinte pérola:

- Minha filha, quem é você para me questionar? Antes de você nascer eu já trabalhava!

Não era um questionamento desrespeitoso, era simplesmente uma dúvida qualquer que, de alguma forma, foi tomado como alfinetada.

Estranho que alguém que trabalhe há tanto tempo tenha uma postura tão agressiva, não é? Mas, o fato é bastante simples: ela estava na religião há bastante tempo, mas a religião ainda não estava nela.

Infelizmente, não são raros os casos em que dirigentes ou médiuns se sentem superiores por possuírem algum conhecimento. Mas, será assim em todo lugar?

Não!

A Umbanda que tenho aprendido com os guias diz que os que sabem mais devem ensinar os que sabem menos, sem arrogância, prepotência, nem "estrelinha" na testa, pois isto é pura vaidade.

E, como disse Jesus:

"Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva". Mateus 20:26

Portanto, aquele que muito sabe deve ser o servidor de todos.

Leonardo Montes

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