segunda-feira, 2 de setembro de 2019

OS PERIGOS DA MALEDICÊNCIA PARA UM TERREIRO

Imagem do google

Há pouco tempo gravei uma reflexão sobre os danos causados pela fofoca em um terreiro. Não foram poucos os relatos que já chegaram até mim exemplificando como este hábito nocivo pode desestruturar e mesmo ocasionar o fechamento de uma casa.

Hoje, porém, falarei de outra situação, a maledicência, isto é: o hábito que algumas pessoas têm de falar mal de outras pessoas e, especialmente, do próprio terreiro em que atua.

Sempre aprendi com os guias que não sou obrigado a nada e por isso sempre ensino que ninguém é obrigado a permanecer numa casa, assim como nenhuma casa é obrigada a mudar seu “modus operandi” simplesmente para agradar a quem quer que seja.

Uma das características mais belas da liberdade é a capacidade de escolher onde queremos estar. Logo, se um terreiro, por alguma razão, não nos parecer o melhor local para estarmos, basta seguirmos adiante com nossa vida espiritual, procurando um novo local para trabalhar.

Assim, não nos desgastaríamos e não desgastaríamos as demais pessoas, certo?

Porém, o maledicente não pensa assim.

O maledicente possui um incontrolável desejo de criticar o chão em que bate cabeça. Sente um irrefreável desejo de palpitar em tudo e, não raro, obra mais com a língua do que com os braços. Deseja ardentemente ser reconhecido pelos demais, porém, não se mostra capaz de produzir obras que o coloquem à altura que imagina estar em seus devaneios.

Não raro, esforça-se muito para passar a imagem de alguém dedicado, interessado, profundamente aplicado às suas tarefas espirituais, mas quando a cortina se fecha, quando passa pelo portão do terreiro, sua máscara cai e toda sua chaga é exposta.

Nestas situações, o maledicente não se aguenta e quase se contorce de vontade de comentar negativamente até mesmo as coisas mais puras e santas que viu durante a gira. Tão logo possível, chama no whatsapp alguém do terreiro e começa a disseminar suas picuinhas com apontamentos desagradáveis sobre tudo e sobre todos (claro, menos sobre si mesmo).

Se houver oportunidade, não se incomoda em permanecer longos minutos em ligações chorosas a quem lhe dê ouvidos, reclamando de todas as coisas erradas que existem no terreiro e o quanto os demais companheiros são cegos e surdos a seus apelos “benevolentes” capazes de apontar a saída para todas as “coisas erradas” que existem na casa.

Felizmente, boa parte das pessoas, tão logo percebem essa atitude mesquinha, procuram logo se esquivar, desconversando ou procurando outros assuntos.

Em algum momento, porém, o maledicente encontra quem lhe dê ouvidos e vai, lentamente, envenenando a mente alheia que não se opõe com a devida firmeza. Assim, não raro, o maledicente consegue arregimentar duas ou três pessoas, trabalhadores da casa que devido às próprias frustrações acabam entrando em sua “onda” mental destrutiva.

Aqui reside o perigo real.

Se o maledicente envenenasse apenas a si mesmo com pensamentos tóxicos e uma imagem auto iludida sobre si mesmo, seria menos mal... Porém, a partir do momento em que consegue envolver outras pessoas em suas ideias, começa a surgir uma rachadura na casa.

Tal rachadura, se não for combatida, aumentará mais e mais até chegar ao ponto mencionado no início do texto: o fechamento da casa. Curioso que, se vier a acontecer, o maledicente, mesmo tendo sido a causa inicial da rachadura, acaba se mostrando para os demais como um verdadeiro profeta, dizendo: bem que eu avisei...

Por esta razão, fiquemos em guarda e não emprestemos nossos ouvidos ao mal alheio, pois ao fazermos isso, estaremos contribuindo para que uma luz se apague no planeta, pois é o que acontece quando uma casa boa fecha suas portas...

Mas, e a espiritualidade?

A espiritualidade não fica impassível e, frequentemente, emite severos alertas sobre os comportamentos nocivos que alguns membros do terreiro podem adotar. Contudo, é preciso não esquecer que é tarefa dos encarnados velar pela parte material e humana do terreiro e que embora possamos contar com os guias como almas bondosas que nos apontam o roteiro certo, é imprescindível reconhecer que a tarefa é essencialmente nossa.

Contudo, qual seria a melhor forma de agir? Expulsar estas pessoas? Apontar-lhes o dedo, esfregar na cara a verdade nua e crua?

Na verdade, não!

Precisamos lembrar que a espiritualidade reúne, sob o teto de um terreiro, espíritos dos mais diversos tipos, frequentemente, perturbadoramente endividados com a lei Divina que, benévola, concede a todos a oportunidade de reajuste.

Se Deus uniu um grupo de espíritos para um trabalho de redenção é que há possibilidade de vitória e certamente todos têm o que aprender uns com os outros. Por isso, embora o caminho mais fácil seja desejar que estas pessoas sumissem do terreiro para sempre, o caminho que o evangelho nos sugere é o justo oposto: devemos fazer o possível para tolerá-las e auxiliá-las com nossas orações.

Contudo, esta tolerância não pressupõe desleixo a ponto de permitir que a erva daninha se instale no terreiro. Devemos ser firmes em nossa resolução, como ensinou Jesus:

“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna”. Mateus 5:37

Nada assusta mais o maledicente que o desinteresse em suas lamúrias, pois quando perde a esperança de espalhar a sua perturbação verbal, termina por se afastar, quase sempre, cheio de queixumes sobre a antiga casa...

Assim, a solução que aprendi com os espíritos é: não dê ouvidos ao mal!

Se em algum momento alguém se aproximar de você reclamando do terreiro ou mesmo de outra casa, não dê prosseguimento ao assunto, não contribua para que a perturbação se espalhe, encerre a conversa dizendo coisas como:

- Bem, se o terreiro é tudo isso que você fala, o melhor seria buscar outra casa.

Ou mesmo:

- Se você acha que sua visão sobre como conduzir um terreiro é melhor que a da casa em que está atuando, por que não abre o seu e se poupa de tanta reclamação?

Pode parecer pouco, mas como o maledicente age com “luva de pelica”, sua estratégia de contágio se dá por gotas homeopáticas e se os ouvidos do terreiro se fecharem às suas queixas, elas morrerão antes de saírem de sua própria boca...

Por fim – e o mais difícil – é observarmos este comportamento sem desprezo e raiva, pois embora tenha usado termos fortes para compor este texto, desejei apenas escrever de forma clara sobre um problema que tem sido um verdadeiro flagelo para muitos terreiros e não para que sirva de fomento ao ódio ou mesmo a intolerância.

Os maledicentes são enfermos da alma, pessoas carentes, com frustrações profundas em vários níveis e que projetam a sua felicidade em posições ilusórias e quase sempre inalcançáveis e, embora sejamos todas almas doentes em algum nível, eles reclamam compreensão, tolerância e oração.

Assim, não empreste seus ouvidos ao mal e na medida do possível, ore fervorosamente para que estas pessoas compreendam o abismo a que se precipitam e aprendam que, antes de reclamar, deviam dar graças a Deus pela oportunidade de atuarem em algum terreiro.

Leonardo Montes



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