segunda-feira, 23 de setembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 32 - VESTUÁRIO


Imagem do google
O vestuário tradicional da religião é:

·         Camisa branca e calça comprida branca, para os homens;
·         Camisa branca e saia comprida branca, para as mulheres.

Existem casas que adicionam ou retiram elementos do vestuário, mas este é o tradicional.

A roupa branca simboliza a paz que buscamos, a paz que a religião nos ajuda a construir, como se disséssemos, simbolicamente, que a Umbanda é uma religião que veio para a paz.

Chama atenção, também, o fato de os trabalhadores do terreiro ficarem descalços, o que simboliza a igualdade: no terreiro, não importa quem seja rico ou pobre, famoso ou anônimo, todos ficam descalços, simbolizando a humildade, a simplicidade e a igualdade entre todos no terreiro.

Adereços

Além da roupa branca característica, por vezes as entidades podem solicitar um adereço, isto é, um acessório do qual fará uso em sua manifestação. É comum o preto-velho, por exemplo, pedir um chapéu de palha ou uma bengala; um caboclo pedir um laço para amarrar na cintura ou na testa; uma pombagira um leque, etc.

Estes acessórios são utilizados apenas e tão somente quando a entidade se manifesta e fazem parte da caracterização de seu trabalho através de determinado médium.

Tais adereços não são indispensáveis, tanto é que as entidades trabalham sem eles, mas são “complementos” do vestuário espiritual da entidade (quando um preto-velho pede um chapéu, por exemplo, é que espiritualmente se apresenta com um).

É preciso ter cuidado, porém, para que não haja exagero, pois frequentemente o médium acaba passando à frente, colocando na “conta do guia”, uma série de adereços que ele acha interessante usar e que nem sempre são da vontade da entidade.

Do uso simples de alguns adereços a se tornar um penduricalho ambulante, o passo por vezes é curto.
 
Guias

Também fazem parte do vestuário dos trabalhadores do terreiro o uso de guias (colar de contas), que são sempre cruzadas (isto é, energizadas) pelas entidades, servindo como meio de proteção e fortalecimento de quem as possui.

Cada um pode comprar ou confeccionar a própria guia (o mais adequado é que cada um faça a sua), que pode seguir qualquer padrão de cores ou tamanho, desde que, claro, haja coerência com a sistemática de cores da religião.

Geralmente, usa-se uma guia confeccionada para uso pessoal do trabalhador do terreiro, isto é, uma guia que ele poderá levar consigo para fora do terreiro e uma guia exclusiva para uso dentro do terreiro (pode ser que alguma entidade peça para que seja feita uma guia para uso exclusivo dela).

Contudo, aqui também é preciso ter o mesmo cuidado do item anterior: o médium não precisa andar com dez guias no pescoço para estar espiritualmente protegido. Em nossa casa, apenas duas são recomendadas: a pessoal e a guia de trabalho. Não é preciso mais do que isso!

Simplicidade

A simplicidade é característica da religião. Porém, simplicidade não significa carência. Há pessoas que acham que um terreiro de chão batido seja necessariamente melhor do que um em que haja piso, mas isso não é verdade.

Um terreiro é bom quando as pessoas que fazem parte dele são boas, independentemente do tipo de piso onde estão seus pés. Assim, não é a falta de reboco numa parede que faz com que uma casa seja boa ou ruim, mas as pessoas que estão lá dentro, a diretriz doutrinária da casa e, principalmente, o amor com que conduzem os trabalhos.

Cada terreiro é livre o suficiente para construir sua casa com a estrutura que julgar necessária ao desempenho de suas funções.

Entretanto, é preciso estar em guarda.

Parece-me cada vez mais comum “giras temáticas”, com direito a globo de luz e fumaça, com entidades com trajes de gala ou vestidas de seda, homens de corpete por que estão incorporados com “pombagiras”, maquiagem pesada no rosto, colares de brilhantes, enfim.

Não concordo com nada disso e as entidades que me orientam sempre deixaram claro que um trabalho espiritual não deveria se tornar um carnaval...

Consulência

Existem casas que se preocupam com a vestimenta da consulência, recomendando que não venham aos trabalhados vestidos de preto, com roupas curtas, decotadas, etc.

É uma preocupação justa até certo ponto, tendo-se em conta que se trata de um espaço religioso, não de uma festa.

Recordo-me que, certa feita, uma moça compareceu numa gira de pretos-velhos com um vestido tão curto que para receber o passe precisou sentar-se de lado no banquinho do preto-velho.

Foi uma cena constrangedora para todos e que despertou burburinho na assistência... É claro, é lógico, é bom-senso que aquele tipo de roupa não é adequada seja para um terreiro, seja para uma igreja ou qualquer outro espaço religioso.

Assim, acho justa e compreensível a recomendação quanto a roupas decotadas, escandalosas, que deixam o corpo à mostra ou com frases agressivas que sempre despertam pensamentos negativos em que as leia, não, porém, em relação a cor.

Se o consulente está com uma camisa branca, vermelha, preta, verde, é indiferente. Não há menor afetação nas energias ou nos trabalhos em razão da cor da roupa que a pessoa está usando, mas, sim, a vibração do seu coração, a natureza dos seus pensamentos: isto sim, importa!

Daí que, muito mais importante do que observar se a pessoa está usando ou não roupas escuras, é pedir que dentro do terreiro haja luz em seus pensamentos e em seus corações, que mantenham o silêncio, a concentração, a oração...

Contudo, mesmo que a pessoa compareça ao terreiro com uma roupa curta ou indecorosa, ela precisa ser recebida e tratada da mesma forma. Existem casas que adotam procedimentos como cobrir o corpo da pessoa com uma coberta ou coisas do tipo, mas considero esse tipo de ação um puritanismo desnecessário e que acaba por humilhar a pessoa que veio pedir uma caridade.

Aos consulentes de primeira viagem que desejam visitar qualquer terreiro, recomendo: calça jeans, camisa de manga curta, roupas claras. Com esse tipo de vestimenta, certamente você não terá problema algum.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes 



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