domingo, 22 de setembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 31 - USO DAS ERVAS

Imagem do google
Hoje falaremos sobre o uso de ervas dentro da religião, assunto que desperta sempre muita curiosidade e interesse das pessoas, principalmente, por se tratar de uma prática cujos efeitos podem ser perceptíveis facilmente.

Se existem terreiros que não fazem uso do fumo ou da bebida (e existem), eu nunca ouvi falar de um que não fizesse uso de ervas, de tal forma que quase sempre se associa um trabalho de terreiro com a presença de plantas com poderes medicinais e energéticos.

Aplicações medicinais

A maioria das entidades que atendem nos terreiros (como caboclos e pretos-velhos), viveram na Terra muitos anos antes do nosso nascimento, boa parte delas, antes da industrialização, razão pela qual eram obrigadas, por imposição da própria vida, a conhecer os mistérios das raízes e das folhas.

Desencarnadas, aprenderam ainda mais profundamente sobre isso no mundo espiritual, onde todo conhecimento é mais profundo, e retornaram nos terreiros para auxiliar, não apenas com seus conselhos e orientações, mas também com seus conhecimentos sobre as ervas, tanto a nível medicinal quanto energético.

É assim que frequentemente elas indicam fazer um chá com esta ou aquela erva, uma compressa com tal combinação de ervas e – mais espantoso ainda – é observar que geralmente os resultados são obtidos muito rapidamente, se o consulente seguir a prescrição adequadamente, claro.

Não foram poucas as vezes em que as entidades me recomendaram fazer sucos, chás, unguentos, comer essa fruta, aquela verdura, etc. Com olhar clínico, elas conseguem rapidamente saber o que necessitamos a nível orgânico e quais os tratamentos adequados para solucionarmos tal problema.

Aplicações energéticas

As aplicações energéticas das ervas na Umbanda são basicamente três: defumações, banhos e passes.

Nas defumações, procura-se extrair a energia da erva através da queima da mesma. Assim, conforme a fumaça é liberada, junto dela, vai toda a energia daquela erva que é direcionada pelas entidades que normalmente auxiliam na defumação, para que o objetivo seja atingindo.

Nos banhos, procura-se extrair a energia da erva através do “sangue verde”, isto é, o sumo da erva, que quando preparado corretamente, é capaz de realizar uma verdadeira limpeza/energização no corpo da pessoa.

Nos passes, é comum que as entidades segurem as ervas nas mãos, entre os dedos ou mesmo passando-as pelo corpo do consulente, extraindo a energia da erva e misturando-a a sua própria força espiritual, formando um extrato energético que agirá diretamente no campo energético do consulente, limpando ou energizando.

Existem ainda outros usos e aplicações como sabões, perfumes, etc.

Efeitos

No que se refere à parte medicinal, o componente mais importante é o aspecto fitoterápico da erva, agindo diretamente no organismo da pessoa, restabelecendo o equilíbrio necessário.

No aspecto energético, a energia das plantas é o componente mais importante, pois agirá diretamente no campo espiritual da pessoa, sendo capaz de influenciar diretamente os fluxos energéticos do seu corpo, trazendo-lhe mais harmonia e paz espiritual.

As entidades sempre me ensinaram sobre as ervas, basicamente, em dois grandes eixos: saúde física e saúde espiritual. Assim, embora seja comum ler textos na internet que falam da aplicação das ervas para efeitos como o de “atrair sorte”, “prosperidade”, “o amor da sua vida”, considero que tais conceitos não possuem o menor fundamento prático.

Combinações

As ervas podem ser utilizadas isoladamente ou em combinações para fins específicos, contudo, isso requer estudo e prática. É fato que as entidades sabem o potencial de cada erva, porém, é imprescindível que o médium estude, até mesmo para fornecer material mental para que a entidade possa atuar através de si.

Exemplo real:

Certa vez, uma entidade queria recomendar a um consulente o uso de Pinhão Roxo. Entretanto, eu não conhecia a planta. Assim, vinham na minha cabeça: Pinha, Pinhal, Pinheiro, Roxo, etc.

Como eu não tinha conhecimento prévio desta planta, a entidade não conseguia reproduzir com fidelidade aquilo que gostaria de dizer (estudaremos mais sobre este processo no futuro).

Portanto, é fundamental que o médium estude sobre as ervas, a fim de aumentar seu cabedal de conhecimentos e, portanto, o leque de informações que disponibilizará a entidade que atuará através de si.

Antes de encerrar este tópico, convém esclarecer que cada pessoa possui uma determinada energia que reage melhor com determinada erva. Assim, não existem receitas universais: um tratamento que pode ser excelente para mim, pode não ser para você. Um banho que me pareça fantástico, pode não causar efeito algum em outra pessoa.

Além do mais, as plantas podem ser prejudiciais dependendo da condição de cada indivíduo. Por exemplo: existem plantas tóxicas, capazes de produzir efeitos muito indesejáveis...

Por esta razão, quanto maior o conhecimento sobre as ervas, maior será o leque de opções com as quais as entidades poderão trabalhar para atender os consulentes.

Uso e abuso

As ervas são um poderoso recurso para o equilíbrio da nossa saúde e todos podemos nos beneficiar de seus efeitos. Contudo, é preciso usá-las com sabedoria, evitando abusos.

Exemplo:

Banho com arruda, geralmente, é indicado para casos de limpeza profunda. Se a pessoa estiver muito carregada e fizer este banho, é provável que acordará no outro dia completamente renovada, descansada, pois deve dormir como uma pedra.

Mas, se a pessoa fizer este banho rotineiramente o que acontecerá?

Ela ficará fraca!

A energia das plantas é uma “força cega”, digamos assim. No caso da arruda, serve para limpar e toda vez que usada corretamente, provocará uma limpeza. Mas, se a pessoa já estiver energeticamente limpa, ela afetará também as boas energias do corpo, causando desgaste que, a longo prazo, pode mesmo provocar efeitos desastrosos para a saúde física e espiritual de alguém.

Os guias sempre me ensinaram que (exceto o banho no dia da gira), todos os demais banhos devem ser feitos apenas e tão somente em caso de necessidade, pois as energias das ervas são como quaisquer outros medicamentos: devemos toma-los quando necessitarmos, não todo dia, toda hora.

Não é raro conversar com pessoas que me pedem indicação de um banho para as segundas-feiras, outro para terças e assim sucessivamente. Isso é totalmente desnecessário, sendo bem provável que faça mais mal do que bem.

É preciso lembrar que nosso corpo é uma máquina maravilhosa e que tende sempre ao equilíbrio se cuidarmos dele por dentro e por fora. Assim, as ervas são um recurso, mas não devem ser a fonte de nossa saúde, o que, aliás, é tarefa essencialmente nossa, através de hábitos saudáveis.

Banho na cabeça?

Este é um assunto que gera muitas dúvidas: pode jogar um banho na cabeça? A resposta é: depende!

No topo da nossa cabeça existe o chakra coronário, responsável por emitir e receber as energias de ordem espiritual. É o que os guias chamam de “coroa mediúnica”. Um centro poderoso de irradiações espirituais.

Por esta razão, muitas pessoas temem jogar qualquer tipo de banho de ervas na cabeça (embora não se preocupam em jogar shampoo, condicionador, creme para pentear, etc.), temendo alguma reação negativa. Para resolver esta questão, basta conhecermos bem os efeitos energéticos de cada erva para sabermos se convém que seja jogada na cabeça ou não.

De modo geral, as chamadas “ervas quentes”, isto é, plantas que possuem uma energia muito forte para limpeza ou que podem causar reações alérgicas, só são usadas na cabeça de quando em quando, pois podem causar desgaste energético que seria mais prejudicial do que a “sujeira” que se quer limpar.

Outras ervas, usadas mais para equilíbrio e energização, geralmente podem ser usadas na cabeça sem maiores problemas. Percebe? Tudo depende!

Além do mais, é bom repetir mais uma vez: não existem receitas universais. Uma erva boa para um, pode não ser para outro. O mais adequado é que todos os interessados estudem, façam suas combinações e vejam o que se adéqua melhor para si, evitando passar receitas para outras pessoas, justamente, por não saber se será bom para elas.

Na dúvida, peça que se consultem com uma entidade que, tendo maior poder de observação, poderá com facilidade indicar a erva adequada a cada caso.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes 

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2 comentários:

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