sexta-feira, 13 de setembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 27 - CONGÁ


Congá, Gonga ou simplesmente altar, é o nome dado àquela região do terreiro onde estão fixadas as imagens de Santos, Orixás, Guias, etc., e onde também encontramos outros elementos como velas, pedras, flores, etc.

Veja o Congá da nossa casa:

Congá da Casa de Umbanda União decorado para homenagem à Ogum.
Congá da Casa de Umbanda União
Vista ampliada do Congá

Não há uma maneira certa ou errada na disposição das imagens, pois em essência, elas atendem apenas ao gosto e interesse das pessoas presentes. Também não há número mínimo ou máximo de imagens ou esta ou aquela colocação adequada das mesmas: tudo dependerá do gosto dos responsáveis.

Assim, seja grande ou pequeno, com muitas ou poucas imagens, todo terreiro de Umbanda tem um Congá.

Imagens

Muitas pessoas estranham quando visitam um terreiro pela primeira vez e encontram imagens católicas no mesmo. Já tivemos ocasião de estudar as razões disso no capítulo sobre o sincretismo.

Contudo, outro espanto frequente leva os “marinheiros de primeira viagem” a imaginar que  adoramos imagens. Sempre digo isso no terreiro: não adoramos imagens, sabemos que são apenas figuras de gesso ou resina. O que importa é o símbolo, o que a imagem representa, o que ela evoca em quem a contempla.

Uma pessoa devota de São Jorge, por exemplo, ao olhar para a imagem (cuja representação está no imaginário popular há muito tempo), imediatamente sente-se tocada pela força do símbolo do guerreiro seja qual for o nome pelo qual o chame (Jorge ou Ogum), conseguindo orar com mais fervor.

Santos x Orixás

Certa feita, uma pessoa me disse:

- Se eu fosse um Orixá, com certeza ficaria triste em ver uma imagem católica me representando num altar.

Mas, será?

Na verdade, os Orixás não ligam para isso.

Esse tipo de pensamento é próprio do ser humano, especialmente, dos apegados à forma, dos que dão mais importância ao rótulo do que ao conteúdo da garrafa.

Questões assim, frequentemente, geram intermináveis e inúteis discussões, razão pela qual costumo resumir a solução da seguinte forma: se você acha melhor um altar com imagens católicas, use-as; se acha melhor um com “imagens africanas”, use-as; se acha melhor com ambas, use-as; enfim, faça do jeito que mais te agrada e aprenda a respeitar as escolhas alheias.

As entidades sempre me ensinaram que a única imagem essencial é a de Jesus (Oxalá), as demais são todas opcionais.

Lembre-se: o que mais importa é a fé!


Um altar sempre estimula a fé. Mesmo que a pessoa não tenha vivência religiosa, ao se deparar com um, o primeiro impulso, quase sempre, é de respeito.

Assim, os altares nos terreiros tem por efeito induzir as pessoas presentes a se desligarem do mundo lá fora e a se voltarem para o mundo religioso, para que pensem no que desejam da espiritualidade, estimulando-as a orar, a se sintonizarem com os objetivos espirituais da atividade que será realizada no terreiro.

Conforme recebe as vibrações dos consulentes, o altar se converte, espiritualmente, num foco irradiador de luz e paz, sendo frequentemente um ponto de intensa vibração espiritual.

Elementos

Nos altares, além das imagens, também é comum encontrarmos diversos outros elementos, como pedras, cristais, flores, folhas, água, etc.

Cada um dos elementos é colocado ao lado das imagens como parte da construção do símbolo que se deseja representar, por exemplo:

Na imagem de Xangô, costuma-se colocar também uma pedra (símbolo de Xangô); na de Iemanjá, costuma-se colocar conchas do mar; Na imagem de Cosme e Damião, costuma-se colocar balas; Na imagem de um preto-velho, uma xícara de café, etc.

Estes elementos fazem parte da representação de cada Orixá/Guia e estão presentes em vários altares, mas não são essencialmente obrigatórios.

É comum também os altares serem enfeitados com flores, como um ato simbólico à fala do C7E em sua primeira manifestação, quando disse: aqui falta uma flor!. Ao colocar algumas flores no altar, é como se o terreiro dissesse: aqui não faltam flores...

Velas

Item comum a todos os altares de terreiro, as velas representam, ao mesmo tempo, a luz divina (pela chama do fogo) e o próprio elemento fogo, frequentemente usado pelas entidades para limpeza e descarrego.

Existem casas que utilizam apenas uma vela no altar enquanto outras utilizam uma para cada imagem. Aqui também não há nenhuma regra.

Saudação

Os membros da corrente (médiuns ou cambones), tão logo entram no terreiro, devem se posicionar em frente ao Congá para fazer suas orações e agradecimentos, é um procedimento de preparação mental e adequação ao trabalho espiritual.

Altar pessoal

Todas as pessoas podem ter um altar pessoal, independentemente de trabalharem ou não em um terreiro. Este altar deve tender sempre à simplicidade e deve ser feito em um local neutro na casa (não é recomendável montar um altar em um quarto, por exemplo, que é um local íntimo).

Este é o altar da minha casa:

Altar da minha casa
Porém, nem sempre foi assim.

Ele começou simples, com apenas uma imagem e gradativamente foi crescendo. Demorou três anos para chegar neste ponto, razão pela qual sugiro que você não tenha pressa. Crie seu altar do jeito que você quiser, da forma que mais fale ao seu coração (e se não quiser, não tem problema).

No altar pessoal (altar de casa), podem ir as mesmas imagens e elementos de um altar semelhante ao de qualquer terreiro, exceto imagens da esquerda (este será assunto para um outro capítulo). 

Um altar em casa é um estimulo constante a fé e a oração. É onde as pessoas se posicionam para fazer suas preces e seus agradecimentos, portanto, será um ponto de luz em sua casa.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes 

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