sábado, 7 de setembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 26 - FALANGES

Imagem do google

O termo falange, aplicado à Umbanda, foi tomado das expressões militares da Grécia Antiga, para designar um corpo de soldados que se posicionavam muito próximos uns dos outros, protegidos por escudos e armados com lanças.

O termo evoca a ideia de uma formação forte, compacta, unida, apta ao combate e por isso foi empregada pelos espíritos para representar as organizações espirituais que comumente atuam nos terreiros.

Lembremos, como já estudado, que a Umbanda surgiu num contexto de extrema aridez espiritual, em que trabalhos negativos imperavam.

Para fazer frente a essas forças negativas é que a religião se formou.

Falanges

Os espíritos que atuam na Umbanda se organizam em grupos frequentemente chamados de falanges. Cada falange, portanto, faz referência a um grupo de espíritos que pode ter milhares de membros.

As falanges geralmente se organizam usando o nome do seu fundador. Mas, podem também se organizar por um local comum de origem, fazendo referência a uma tribo, a um povo, a um seguimento de atuação espiritual, etc.

Exemplo: Caboclo 7 Flechas.

Em algum momento, houve uma entidade que usou o nome simbólico (nome de falangeiro) de Caboclo 7 Flechas. Esta entidade (a primeira que usou este nome), sendo um espírito muito evoluído, obteve permissão da Espiritualidade Superior para criar todo um “exército” de trabalhadores espirituais que passaram a fazer parte da sua falange, isto é, integraram a sua “equipe espiritual”.

Como é tradicional nestes processos, o nome que o espírito possuiu em sua última encarnação perde importância, pois ao fazer parte da falange do Caboclo 7 Flechas, ele passa a ser, também, “um 7 flechas”, isto é, deixa seu nome de lado para usar o nome da sua falange.

Portanto, não existe apenas um único Caboclo 7 Flechas, mas milhares deles, espíritos diferentes, que foram unidos nesta falange por critério de sintonia e afinidade, a fim de realizarem um trabalho em comum, mas nem por isso perdem a sua individualidade.

A primeira vez que conversei com os espíritos sobre este assunto foi com a Vó Cambinda, que me explicou o seguinte:

Ela havia sido escrava no Brasil, desencarnando em 1831, numa fazenda de café do interior de São Paulo. Do lado de lá, foi recebida por uma escrava chamada “Cambinda” que a acolheu e orientou os seus primeiros passos no plano espiritual.

Conforme se ambientou a este novo mundo, tendo feito um longo aprendizado, terminou por se integrar às falanges de “Cambinda”, passando ela mesma a ser mais uma “Vó Cambinda”, trabalhando em prol do bem e da caridade.

É muito comum os novatos se assustarem com essas informações, pois a maioria acha que existe apenas um “Pai Joaquim” ou um “Tranca Ruas”, quando na verdade existem milhares deles, com personalidades tão diferentes entre si como os médiuns de um terreiro são uns dos outros.

Assim, é totalmente inútil a pesquisa na internet sobre a história ou mesmo o jeito de trabalhar de uma entidade. Cada entidade é única e o fato de usar um nome de falangeiro comum a outro guia não quer dizer que necessariamente tenha a mesma história ou aja do mesmo modo.

Pressupor isso, seria o mesmo que admitir que todo “Leonardo”, por compartilhar um mesmo nome, devesse agir igual. Seria absurdo, não é? O mesmo se dá com as entidades: cada uma é única, tem um jeito próprio, atua de uma maneira, risca seu próprio ponto e embora use um nome em comum, nem por isso deixa de ser quem é, apenas atua dentro de um determinado grupo, sob uma determinada bandeira, isso é ser um falangeiro.

Aliás, o uso de um “nome de falangeiro” se dá, também, como mecanismo contra a vaidade e ao excessivo apego ao próprio nome. Quantas famílias não existem por aí que ostentam um nome conhecido como se isso lhes conferisse algum prestígio extra? Tola vaidade que o tempo há de apagar...

Existem incontáveis falanges de caboclos, pretos-velhos, crianças, exus, etc.

Exemplos

Seguem alguns exemplos de nomes de falangeiros:

Pretos-Velhos: Pai João, Pai Joaquim, Mãe Maria, Vó Joaquina, Tia Joana, etc.

Caboclos: Mata Virgem, Mata Verde, Arranca-Toco, Sol e Lua, etc.

Crianças: Juquinha, Pedrinho, Mariazinha, Joãozinho, Joaninha, etc.

Baianos: Zé do Coco, do Morro, da Praia, da Bahia, etc.

Ciganos: Wlado, Wladimir, Iago, Sulamita, etc

Exus: Tranca-Rua, Marabô, Tiriri, do Lodo, etc.

Pombagiras: Rosa Vermelha, Rosa Negra, da Estrada, do Embaré, etc.

E assim, sucessivamente.

Razão do nome

A melhor forma de entender a razão pela qual uma entidade se apresenta com um determinado nome é perguntando diretamente a ela. Embora existam alguns autores que tentam codificar, especificar e mesmo dizer o que uma entidade pertencente a esta ou aquela falange pode fazer, o fato é que estas tabulações são todas imprecisas e quase sempre pecam pelo exclusivismo.

É preciso reconhecer que nosso conhecimento sobre as organizações espirituais está ainda engatinhando, por esta razão, não oferecerei a vocês nenhum resumo sobre isso, mas deixarei uma sugestão: converse com as entidades, pergunte por que ela usa este nome, o que ele significa, como é a sua falange, por que faz parte desta e não de outra, etc.

Atualidade

Creio fortemente que este sistema foi pensado pelas entidades, primeiro, para favorecer o desapego ao próprio nome e quaisquer títulos que pudessem vir com ele e, em segundo lugar, como meio de simplificar as relações das entidades para conosco.

É comum nas fileiras espíritas um espírito se apresentar como Dr. Frederico, por exemplo. Logo em seguida, as pessoas ardendo em curiosidade vão atrás de informações sobre este personagem no intento de localizá-lo na história, o que é quase sempre inútil, já que boa parte da humanidade não deixam registros que possam ser acessados por outros...

Assim, para evitar essa curiosidade malsã, as entidades evitam, frequentemente, apontamentos sobre o passado que possam sugerir onde tenham vivido, o que tenham feito, etc., para que ninguém vá atrás daquilo que hoje é apenas poeira e lembranças.

Porém, também creio que os devaneios de vários autores, inventando sistemas do nada (e diferentes entre si), acabou criando uma confusão tão grande neste assunto que as próprias entidades estão adotando um nome de falangeiro “mais simples”.

Percebo que cada vez mais, as entidades se apresentam apenas com “um só nome de falangeiro”. Por exemplo, o primeiro caboclo que eu incorporei se dizia: Caboclo Uirapuru. Apenas isso. Nada de: Uirapuru da Mata ou coisa equivalente. Não que não houvesse alguma outra designação, mas ele simplesmente nunca disse nada mais e parecia não dar importância alguma a isso.

Já soube de casas onde as entidades não se identificam, sendo reconhecidas apenas por seus gestos característicos de bondade e caridade, mas sem usarem um nome em específico.

Se assim será no futuro para todos, veremos.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes


Share:

0 Comments:

Postar um comentário

Os anos de internet me ensinaram a não perder tempo com opositores sistemáticos, fanáticos, oportunistas, trolls, etc. Por isso, seja educado e faça um comentário construtivo ou o mesmo será apagado.