quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 30 - USO DE BEBIDAS


Imagem do google
Em várias culturas, as bebidas alcoólicas tomam lugar nas cerimônias religiosas. Um exemplo clássico se dá com o próprio catolicismo, através do vinho, tomado como símbolo do sangue de Jesus.

Na Umbanda, porém, as bebidas não assumem apenas uma função simbólica, mas energética, desempenhando funções muito importantes dentro dos trabalhos espirituais.

Contudo, tal qual acontece ao fumo, há enorme espanto para o leigo quando vê as entidades bebendo. Imediatamente associam a bebida dentro do terreiro com o boteco da esquina e imaginam que são consumidas com o mesmo propósito.

Energia

O álcool possui uma energia muito forte. Quando consumido, ajuda a fortalecer o transe, amortecendo a consciência do médium, ao mesmo tempo que oferece uma energia tão forte quanto a do fogo para trabalhos de limpeza e descarrego.

Não é sem razão que muitas entidades utilizam pinga (marafo) para fazer limpeza das guias antes de cruzá-las, por exemplo. A energia do álcool é tão poderosa que as entidades a manipulam para desagregar qualquer energia grosseira dos objetos e também das pessoas.

Lembro-me certa vez de uma entidade jogar pinga (direto da garrafa), na ferida da perna de uma senhora, enquanto baforava fumaça do charuto, e tive a impressão, por um segundo, de que larvas astrais caiam daquela ferida (e era justamente o que impedia a cicatrização).

Bebidas

Várias são as bebidas alcoólicas utilizadas em terreiro: vinho, pinga, champanhe, conhaque, uísque, etc. Cada bebida possui uma energia própria e é manipulada com maestria pelas entidades a fim de realizarem seus trabalhos.

O preto-velho que trabalha comigo bebe vinho e praticamente direciona essa energia para fortalecer o transe mediúnico e amortecer a minha consciência, para que possa agir mais livremente.

Já o exu consome conhaque (preferencialmente, de alcatrão), e usa bastante desta força para descarregar as pessoas da casa, portanto, uma energia muito eficiente para limpezas profundas.

A pombagira costuma beber uma sidra semelhante ao champanhe, com baixo teor alcoólico, produzindo uma energia muito sutil se comparada a avassaladora força do conhaque, por exemplo.

Existem fundamentos específicos de cada bebida para cada entidade, mas as particularidades deste assunto são próprias para quem esteja em terreiro. Ao leigo, interessa saber apenas que as bebidas possuem energias e as entidades as manipulam de diversas formas, atendendo a diversos fins, todos sempre muito úteis dentro de um trabalho espiritual.

Ingestão

Diferentemente do que ocorre com o fumo, quando as entidades apenas seguram a fumaça na boca do médium, sem de fato tragá-la (isto é, elas não engolem a fumaça), a bebida é ingerida, vai para o estômago do médium, sofre o processo de digestão e o álcool cai na corrente sanguínea.

Por esta razão, é muito importante dizer que a bebida é o elemento mais perigoso em sua manipulação, pois se o médium não estiver firme em seu propósito, se passar à frente, bebendo pela entidade, sem dúvida alguma sofrerá as consequências do exagero em seu próprio corpo.

Em um uso saudável, dentro de um trabalho espiritual, as entidades manipulam o álcool em intensidades variáveis conforme as demandas do momento. Se o trabalho estiver muito pesado, podem aumentar o consumo; se não estiver tanto, podem abaixá-lo, justamente, por que o objetivo não é beber para satisfazer uma vontade, um vício, mas para realizar um trabalho.

Quando o álcool é decomposto no estômago do médium, a energia do mesmo é liberada e absorvida pela entidade, que dará o direcionamento adequado. É este processo que faz com que o médium seja capaz de ingerir quantidades por vezes superiores a que uma pessoa comum conseguiria suportar sem que fique bêbado.

Assim, as entidades absorvem a energia, mas a matéria, isto é, o liquido, continuará no corpo do médium, razão pela qual, quase sempre, basta terminar a gira para que vá logo ao banheiro urinar...

Contudo, vale lembrar o que foi dito no capítulo passado: não existe transformação de energia sem perda, isto quer dizer que as entidades não conseguem absorver todo o álcool ingerido, sendo que uma parte, ainda que bem pequena, sempre ficará na corrente sanguínea do médium. Entretanto, quando o trabalho se encerra, o médium deverá estar normal.

Dica: depois de um trabalho com uso de álcool, beba muita água.

Uso e abuso

É preciso nunca esquecer que dentro de um trabalho espiritual a bebida assume aspecto sagrado. Portanto, sua manipulação deve ser feita de maneira consciente, dentro de critérios justos.

Assim, se no passado era comum ouvirmos histórias de médiuns que viravam uma garrafa “no bico”, hoje isso seria algo sem propósito, um verdadeiro exagero, senão, exibicionismo mediúnico e provavelmente afetaria a saúde do médium a longo prazo...

Por todos esses cuidados é que a bebida alcoólica é o último elemento a ser utilizado no desenvolvimento, só mesmo quando o médium está muito firme com suas entidades, a fim de que não haja exageros.

Em nossos trabalhos com exus, por exemplo, o chefe determinou que fossem consumidos, no máximo, dois dedos de bebida e essa margem tem sido suficiente para nossas atividades.

Saúde

Uma das grandes preocupações dos médiuns novatos é a própria viciação. Será que vou aprender a beber, se minhas entidades beberem? A resposta é: absolutamente, não!

Se você fizer um desenvolvimento adequado, aprendendo a separar o que seja seu daquilo que é da entidade, você não terá com o que se preocupar. Eu não faço uso de bebidas alcoólicas e quase todas as entidades que trabalham comigo bebem e jamais tive interesse em beber por conta disso.

Outra preocupação: já tive problemas com o álcool e tenho medo de recaída, como faço?

O fato de ter medo da recaída mostra que o médium ainda não está forte o suficiente para encará-la. Neste caso, a entidade naturalmente não fará uso ou pedirá que apenas seja colocada num copo que deixará ao lado, absorvendo a energia à distância.

É preciso lembrar que nossos guias são os seres que mais se preocupam com a nossa evolução. De forma alguma farão algo que possa nos prejudicar, sendo muito mais temerário o médium passar à frente da entidade, bebendo por seu próprio desejo, do que pensar que as entidades irão fazer algo que possa prejudicar a saúde do médium.

É importante lembrar que, como dito anteriormente, sempre fica um resíduo no médium, por isso, recomenda-se que em trabalhos em que haja uso de álcool, o médium não dirija.

Obrigatoriedade?

O uso da bebida alcoólica, embora comum, não é obrigatório dentro da religião. Existem entidades que fazem uso e outras que não fazem. Existem entidades que manipulam água, por exemplo, e não há nada de errado nisso.

Entidades que lidam com questões mais densas, como limpezas, descarregos e desobsessões, costumam fazer uso do álcool, já entidades que trabalham mais a nível mental ou com curas, usam pouco ou mesmo não utilizam.

O erro reside sempre em atribuir uma pecha negativa, algo de inferior à entidade que faz uso do álcool, à medida que se atribui algo de superior à entidade que não faz uso.

Cada entidade age de uma determinada maneira, tem como foco do seu trabalho um determinado campo que pode necessitar ou não do uso deste ou daquele elemento. Simples assim: nem mais, nem menos.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes


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