terça-feira, 27 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 25 - SACRIFÍCIO ANIMAL

Imagem do google

O sacrifício animal (abate religioso) não é um fundamento da Umbanda, de tal forma que a maioria das casas de Umbanda não o pratica. Entretanto, se o sacrifício não é um fundamento (isto é, um princípio básico), por que algumas casas o fazem?

História

Entre as instruções deixadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas (C7E) e praticadas ainda hoje na TENSP (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade), não consta o sacrifício de animais. É por esta razão (e pelo fato dos registros das primeiras casas de Umbanda não mencionarem o sacrifício), que podemos afirmar com segurança que o sacrifício animal nunca fez parte dos fundamentos da religião.

Conforme já dissemos anteriormente neste estudo, a Umbanda nascente se aproximava muito mais do Espiritismo que dos Candomblés. Essa aproximação começou a se diferenciar no final da década de 1940, quando a Umbanda começou a se popularizar e os dirigentes dos terreiros, sentindo necessidade de buscar mais informações sobre o culto aos Orixás se aproximaram de casas de Candomblé (especialmente, o Ketu).

Assim, muitos dirigentes de terreiros acabaram se iniciando também no Candomblé sem abandonar seu terreiro de Umbanda, dando origem a uma “vertente” de Umbanda chamada frequentemente de: Umbanda traçada ou Umbandomblé (mistura de Umbanda com Candomblé).

Nestas casas é comum o dirigente realizar o sacrifício animal que aprendeu no Candomblé, pois ele trouxe para dentro da sua casa de Umbanda um fundamento que, essencialmente, não pertence a ela.

Consumo de carne

Para boa parte das pessoas na sociedade brasileira, o sacrifício animal beira o repugnante. Não raro, as pessoas se indignam quando ouvem falar no assunto e, com muita frequência, pipocam na internet polêmicas sem fim sobre isso.

Contudo, para boa parte dos brasileiros, essa repugnância é realmente uma hipocrisia sem tamanho, tendo-se em vista que boa parte dos brasileiros que são contra o sacrifício animal consomem carne regularmente.

Dói a consciência saber que uma casa pratica o sacrifício animal, mas não dói o mesmo tanto na hora do churrasco ou na fila do açougue. Então, reflitamos: Se a ideia de um sacrifício animal, num ritual religioso, soa tão asquerosa, por que não parar de comer carne, já que os animais são sacrificados, simplesmente, para atender a nossos apetites?

O sacrifício

A primeira coisa a ser dita sobre o sacrifício animal, em relação às casas que o praticam, é que o animal costuma ser melhor tratado do que os que se encontram no campo para nos servir de bife à mesa (eu trabalho no campo, e sei...)

O animal que será sacrificado é visto como um ser a ser sacralizado, portanto, um ser que merece todo cuidado e respeito.

Há um sentido religioso na concepção do sacrifício que pode ser de difícil compreensão a quem esteja de fora, contudo, recomendo que este assunto seja pesquisado por quem desejar maiores aprofundamentos. Por limitação do meu conhecimento, comentarei brevemente sobre o assunto.

Acredita-se que o sangue do animal possua axé (uma espécie de energia divina), quando o animal é sacrificado e seu sangue é ofertado aos Orixás, esse axé circula e é absorvido pelas pessoas presentes, gerando mais vitalidade, saúde, paz, prosperidade, etc.

É certo que há um sentido mais profundo (veja este vídeo). Contudo, para a análise que estamos fazendo, este conceito é o suficiente.

Quando estas casas realizam sacrifícios, estes ocorrem sempre em determinadas cerimônias, específicas, não todo dia, toda hora. Assim, não ocorre uma carnificina (claro, existem casas sem fundamento...), mas um abate religioso, sendo a carne do animal preparada e servida à comunidade.

Em certas regiões do Brasil onde predomina a pobreza, a única fonte de carne provém dos terreiros que realizam o sacrifício religioso e distribuem a carne para as pessoas do entorno. Você sabia disso?

Assim, trago estas informações não para defender o abate religioso, mas para que o debate não se polarize em discursos rasos, frequentemente repetidos sem maiores reflexões.

Sacrifícios na Umbanda

Nunca realizei um sacrifício animal (eu como carne) e nunca participei de um ritual que o exigisse. Na doutrina que praticamos (cuja concepção a este respeito a maioria dos terreiros compartilha), não há o menor sentido em sacrificarmos um animal.

Jamais conversei com uma entidade que pedisse ou dissesse que era necessário, nossa casa nunca derramou uma gota de sangue, mas nem por isso eu odeio as casas que porventura façam.

Na verdade, nem penso nelas. Sigo aquilo que as entidades sempre me ensinaram:

- Não concorda? Então, não faça!

É certo que o sangue possui axé (que interpreto como sendo o fluido vital), contudo, existem outras formas de consegui-lo, como por exemplo, as folhas, as bebidas, o fumo e tudo o mais que os terreiros utilizam para as firmezas/tronqueira e que substituem completamente a necessidade de sangue.

Por esta razão, tendo em vista a quantidade de pessoas que as reflexões me oportunizam conversar, posso garantir que a imensa maioria dos terreiros de Umbanda nunca fizeram um sacrifício animal. 

Até a próxima aula!

Leonardo Montes



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2 comentários:

  1. De fato, muitas opiniões a respeito da Umbanda e do Candomblé são cercadas de preconceitos e hipocrisias! Mais ou menos assim, a religião do outro pode fazer a mesma coisa, só que com outro nome e maneiras diferentes, a Umbanda e o Candomblé, por nascer da mistura cultural negra e indígena,não!

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