quinta-feira, 22 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 23 - PONTOS DE FORÇA NA NATUREZA

Imagem do Pintrest

O homem primitivo sempre percebeu o valor (real e simbólico) da natureza. Mais do que isso: sempre viu a natureza como sua grande casa e seu refúgio, onde obtinha o necessário à sua sobrevivência e para onde deveria voltar, um dia, quando seu corpo já não mais vivesse.

É assim que, de uma forma ou de outra, todas as culturas estabeleceram alguma relação de sacralidade com a natureza ao seu redor. Na Umbanda não é diferente: a natureza é extremamente importante para a religião.

Portais

As tradições místicas de vários povos nos falam a respeito de portais, isto é, lugares na natureza em que encontraríamos passagem para um mundo novo.

Quando estes lugares eram descobertos, quase sempre, por revelações espirituais, os povos criavam alguma espécie de templo ou santuário buscando sacralizar o mesmo.

Como quase sempre ocorre, além das narrativas folclóricas, há um quê de verdade nessas histórias.

O portal, contudo, não é um local místico que nos levaria para um outro lugar do planeta ou mesmo para um outro planeta. São locais em que as distâncias entre as esferas espirituais são menores e por onde os espíritos normalmente atravessam de um plano para outro.

O espírito André Luiz, através de Chico Xavier, chamou estes locais de “campos de saída”. Assim, mais uma vez, vemos que as coisas sagradas sempre foram conhecidas, se bem que com nomes diferentes.

Os portais são verdadeiras “estradas espirituais” ligando um plano a outro. Caminhos que os espíritos tomam para passar de um plano a outro de forma mais rápida.

Aos olhos humanos, nada há no local que indique a existência de um portal. Contudo, é provável que alguém mais sensível perceba a energia do mesmo, pois geralmente são cercados de intensa movimentação espiritual e também protegidos por diversos espíritos, a fim de que entidades menos evoluídas não façam a travessia: é preciso ter evolução compatível.

Stonehenge, na Inglaterra. Local onde os guias me disseram ter havido um portal há muito tempo. 
Tais portais não são raros nem fixos. Se por acaso a ação humana chegar até ele, certamente, os espíritos o mudarão de posição: tudo é fluido e movimento na espiritualidade, embora as ideias humanas, quase sempre, desejam a cristalização...

Estes portais, sempre ligados a áreas de muita natureza, surgem por vezes nas águas de um rio, no coração de uma mata densa, no topo de uma serra, etc. Ao redor dos mesmos, os espíritos quase sempre edificam vilas ou postos de assistência, preferindo muitas vezes trabalhar neste ambiente pela abundância de fluido vital. 

Fluido Vital

A expressão “fluido vital” foi usada por Allan Kardec para definir uma espécie de energia-motriz da matéria. Algo que todo ser vivo possui e que é responsável por manter e sustentar a vida orgânica.

O fluido vital pode ser transmitido de um individuo para outro e é isto, aliás, que ocorre através do passe. Contudo, não apenas as pessoas possuem fluido vital, mas todos os seres vivos.

Conforme as cidades avançam e o homem praticamente aniquila toda a natureza ao seu redor para dar lugar a casas, prédios e ruas, a “concentração” de fluido vital naquele local também se torna menor, mais rarefeita.

É por esta razão que um trabalho espiritual realizado em meio a natureza será sempre mais forte do que um realizado em uma área urbana (e quem já fez poderá confirmar) e daí a importância de termos sempre plantas em nossas casas, pois elas são excelentes produtoras desta energia...

Um ambiente natural, isto é, sem ação predatória humana, conservará sempre (qualquer que seja a sua biodiversidade) uma alta taxa de fluido vital que é manipulada pelos espíritos para diversos fins e é por isso que, frequentemente, eles prefiram erguer acampamentos ou bases operacionais em áreas verdes.

Os povos antigos também sabiam disso e daí nasceram tantos contos e mitos de seres espirituais vivendo entre as árvores, no leito de um rio, no coração de uma montanha, etc.

Para poder agir mais e melhor em favor do ser humano, os espíritos frequentemente recorrem à força da natureza, a energia das plantas, dos animais. Energias estas que manipulam e trazem consigo até nossas cidades, nossas casas, nossos terreiros.

Por esta razão, o umbandista tem razão mais do que de sobra para tudo fazer em benefício da natureza.

Pontos de força

Partindo dos portais, anteriormente citados e dos acampamentos espirituais que se estendem, muitas vezes, no meio de áreas verdes, chegamos ao conceito de “ponto de força”.

Dentro da Umbanda, um “ponto de força” é o local ideal para realizar uma oferenda (estudaremos mais sobre elas no capítulo seguinte), como se, ao realizar a oferenda naquele local, ela se tornasse “mais bem aceita” ou mais “facilmente entregue”, etc.

Perceba que se trata do mesmo princípio que abordamos anteriormente, porém, levado por algumas correntes de pensamento de forma literal. Há mesmo algumas casas de Umbanda que literalmente oferendam apenas nos locais correspondentes a cada Orixá/guia.

Da forma como trabalhamos, não há necessidade de você encontrar uma montanha para oferendar à Xangô, por exemplo, você pode fazer isso dentro de uma mata (que classicamente é atribuída aos domínios de Oxóssi) e não há problema algum, pois além dos mitos, nós enxergamos a essência da natureza que comentamos anteriormente.

Da mesma forma, você não precisa procurar a esquina de alguém para poder fazer um agrado para exu, você pode fazer isso no terreiro ou, se houver permissão, na garagem da sua casa mesmo, pois se o exu pode ir até o terreiro para incorporar, por que não pode ir para receber a oferenda?

Toda a natureza se converte num ponto de força e é por isso que se trata de algo tão importante para nós. Ao realizarmos uma gira no meio da mata, por exemplo, estaremos trabalhando dentro de um "ponto de força", dentro de um ambiente carregado com fluido vital e que certamente beneficiará nossos corpos e nossos espíritos.

Assim, o que importa, ao buscar a natureza, seja ela um rio, uma mata, uma serra, um campo, é que você consiga se desligar do agito da cidade e consiga, através da sua oferenda, estabelecer um elo material para um sentimento imaterial, ligando sua mente a energia do local, pois seja na praia ou na roça, se você estiver de coração, as forças que você evoca responderão, trazendo a você todos os benefícios possíveis através da força da natureza.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes

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