domingo, 18 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 22 - ORIXÁS E SANTOS


Imagem do google
Os Orixás cultuados pela Umbanda e pelo Candomblé são os mesmos. A diferença corre apenas pela forma do culto e pela concepção do que sejam. Embora isso possa, a princípio, confundir muitas pessoas, na realidade se trata de um processo muito simples.

Tente imaginar, antes de tudo, que estamos falando de crenças muito antigas, talvez, com milhares de anos, que se espalharam por diversas regiões e que foram reinterpretadas de diversas formas por cada povo que as assimilou.

Quando o culto chegou ao Brasil, por exemplo, os Orixás foram associados aos Santos do Catolicismo (conforme estudamos no Cap. 08) e sofreram, mais uma vez, processo de adaptação e sobrevivência.

Este processo é comum em todas as religiões, sem exceções.

É isto que explica a multiplicidade de sentidos e de interpretações que se pode dar a um mesmo assunto. Assim, não é raro encontramos pessoas que compreendem os Orixás, como: forças da natureza; ancestral divinizado; irradiações de Deus; espíritos, etc.

São muitas leituras e todas elas são compreensíveis se imaginarmos que estamos falando de forças muito evoluídas e que escapam ao nosso senso comum sobre as realidades espirituais além do nosso alcance.

Como definir, por exemplo, um ser tão evoluído que ao se mostrar se apresente tão luminoso quanto um segundo sol? Não seria difícil chama-lo de Deus, certo?

Assim, tenho comigo que os deuses de todas as religiões, bons ou maus, nada mais eram do que as percepções de espíritos que se apresentavam de forma tão elevada (ou negativa) que inspiraram contos que se transformaram em lendas sobre antigas divindades...

No fundo, eram apenas espíritos, como nós: uns mais, outros menos evoluídos...

Mundo Espiritual

No Mundo Espiritual não há saltos.

As coisas se desenvolvem lenta e gradativamente. Os espíritos são chamados a auxiliar os homens conforme suas próprias capacidades.

Conforme aprendem e evoluem, porém, recebem maiores responsabilidades e assim, numa escalada gigantesca, atingem a perfeição espiritual, cuja referência máxima neste sentido é o próprio Jesus que, um dia, também foi como um de nós.

O guia espiritual de um médium, cuja responsabilidade pese apenas em velar seu tutelado, conforme evolua, terá novas atribuições, novas pessoas a quem proteger e conforme ascenda espiritualmente, receberá mais atribuições, aumentando cada vez mais seu leque de atuação até que receba, por exemplo, a tutela de um bairro inteiro, de uma cidade, de um estado, de um país, de um continente, de um planeta (e as entidades me disseram que há mesmo aqueles espíritos que são responsáveis por toda uma galáxia!) – dá uma certa vertigem pensar nisso...

Cada um recebe a tarefa que está apto a executar e por esta razão jamais devemos sofrer por não ocuparmos papéis que não nos pertençam, pois tudo é sábio na providência!

Assim, não há diferenças substanciais de uma alma como a de Jesus (nosso governador planetário) e a minha, pois fomos criados por Deus! O que nos separa é apenas o processo evolutivo: Jesus está lá na frente, enquanto eu ainda estou na largada... Porém, um dia, eu também chegarei lá!

Logo, tudo evolui em matéria de espírito, sendo nossos guias, hoje, o que os Orixás foram, ontem!

Orixás

Orixá é um cargo espiritual, semelhante ao de governador de um povo. Não é sem razão que, na África, cada povo cultuava o seu Orixá protetor, isto é, o Orixá responsável pelas pessoas de uma comunidade.

No Brasil, por exemplo, fala-se muito do “Anjo Ismael”, protetor espiritual do Brasil. A função que Ismael desempenha no Brasil é semelhante a que um Orixá desempenha, na África.

São cargos espirituais que para serem ocupados necessitam de espíritos de altíssima evolução. Logo, Orixá não é um ser, uma individualidade, mas um cargo de imensa responsabilidade na direção dos povos.

Quando o culto veio para o Brasil, o Orixá deixou de ser apenas o “protetor da tribo”, para se tornar o mantenedor de imensas falanges espirituais que atuam no mundo. Tanto é que, não raro, vemos caboclos dizendo que são “soldados” de determinado Orixá, isto é, trabalham, vibram, na linha de tal Orixá.

Assim, quando falamos em Oxóssi, não estamos falando de um indivíduo chamado Oxóssi, mas de um espírito extremamente evoluído que ocupa o “cargo de Oxóssi” e que está ligado, por extensão, às entidades que atuam junto as matas, florestas, etc.

Santos

Sabemos que muitos Santos da igreja católica foram adaptados de crenças de outros povos. Porém, alguns foram pessoas reais e que se destacaram por serem pessoas nobres, de fé e ocupam hoje o cargo de intermediários entre Deus e os homens.

A tradição católica popular elevou estas figuras a algum patamar onde são capazes de intermediar as ações humanas juntamente a Deus e assim, no correr dos séculos, essa tradição religiosa se tornou tão enraizada em nossa cultura que, para muitas famílias, é natural a devoção a um determinado Santo.

Essa devoção influenciou, inclusive, nossos costumes. 

Temos vários feriados motivados por tradições católicas e mesmo nossas cidades recebem como “padroeiro” algum Santo.

Neste ponto, quero chamar a sua atenção para a similaridade, embora todo o contexto diverso, entre o Orixá protetor dos povos Iorubás e os Santos protetores das cidades, tanto no Brasil, quanto em vários países do mundo, pois elas guardam a mesma essência: a de que existem forças superiores às nossas que cuidam de nossas cidades, de nossa “gente”.

O conhecimento sobre o Mundo Espiritual sofre os coloridos e contornos de cada povo e de cada cultura. Porém, a um olhar atencioso, é possível perceber como expressam as mesmas ideias, se bem que com maneiras diferentes.


O que importa, acima de tudo, é a fé.

As entidades de Umbanda sabem muito bem disso e, por esta razão, não discriminam nenhuma crença: se a pessoa tem fé num Orixá (qualquer que seja sua concepção de Orixá), a entidade incentivará que se apegue a essa fé, que ore para este Orixá; Se a pessoa tem fé num determinado Santo, a entidade também instigará essa fé, por que sabe que acima das formalidades e crenças, o ato da oração não se perderá e toda rogativa sincera encontrará resposta!

Portanto, reitero o que já escrevi em outros capítulos: a diversidade é valor da Umbanda, não defeito! Ninguém deve desprezar sua tradição ou seus costumes, simplesmente, por que aceitou fazer parte de um terreiro, pelo contrário, observará que cada vez mais encontrará um ambiente saudável religiosamente onde poderá deixar sua bagagem confortavelmente, ao passo que tantas outras novas concepções lhe serão acrescentadas.

Assim, se você reza para Ogum tendo nele o “senhor dos metais” o “Orixá guerreiro” ou se você simplesmente reza para “uma força guerreira”, tanto faz. Se você reza para São Jorge, vendo-o montando em seu cavalo ou apenas como uma metáfora, não importa: se a sua fé for verdadeira, sua rogativa será ouvida!

Até a próxima aula!

Leonardo Montes


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