quinta-feira, 15 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 21 - PRINCIPIOS BÁSICOS DA RELIGIÃO


SEGUNDA PARTE

Imagem do google

Embora tenha deixado claro, na introdução deste curso, que a leitura que faço da Umbanda seja apenas uma das leituras possíveis, ressalto novamente que, daqui por diante, tudo que escreverei se refere, estreitamente, a doutrina que aprendi com as entidades e praticamos em nosso terreiro.

Como toda religião, a Umbanda tem seus princípios básicos, fundamentais, norteadores da sua prática e visão de mundo e, embora seja difícil enumerá-los todos, elencarei os principais, os pontos essenciais, que nortearão nossos estudos.

Deus

A Umbanda acredita em Deus. Mas, qual Deus? Existem milhares de religiões, cada uma com uma concepção diferente de Deus. O Deus que se acredita na Umbanda é o criador de tudo e de todos, do mundo espiritual e material, o mesmo que pode ser encontrado no Cristianismo e definido pelos espíritos à Kardec como: “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

Nós não sabemos como Deus existe ou se havia algo antes dele ou como nos criou. Estas questões são mistérios. Os nossos guias espirituais nos ensinam, contudo, que há um criador, soberano a tudo e a todos, a quem devemos sempre amar, louvar e agradecer.

Diabo?

Não existe a figura do diabo na Umbanda, nem demônios. A maldade não é fruto de um ser, mas da pouca evolução espiritual da alma humana. Deus não possui antagonista, pois seu poder é absoluto. Por esta razão, é totalmente incoerente a acusação que, por vezes, os inimigos da Umbanda nos direcionam, quando afirmam que somos adoradores do diabo... Como podemos adorar algo que nem sequer acreditamos que exista?

Jesus

Jesus é o governador espiritual da Terra, o líder supremo de todas as falanges espirituais, nosso mestre bem-amado e modelo de humanidade. Não é “o filho” de Deus, como se houvesse apenas um. É um filho de Deus, como todos somos, porém, mais evoluído, nosso irmão mais velho na caminhada espiritual.

Seus ensinos, os Evangelhos, são reiteradamente apontados pelas entidades como o caminho para a verdadeira libertação espiritual.

Espíritos

Somos espíritos, criados por Deus em algum momento e destinados a imortalidade. Nosso corpo é apenas a veste, a parte grosseira, material e perecível do nosso ser.

Os espíritos são criados “simples e ignorantes”, mas como potencialidades intelecto-morais latentes, cabendo a cada um desenvolvê-las por sua própria vontade.

Aqueles que alcançam certo grau evolutivo recebem a missão de retornar para ajudar a humanidade nesta caminhada, por isso são chamados de “guias”, pois como quem passou pelos caminhos que agora estamos passando, estes irmãos mais experientes estão aptos a nos “guiar” em nossa jornada.

Mundo Espiritual

Após a morte do corpo físico, a alma é libertada para retornar à sua verdadeira pátria: o Mundo Espiritual. Não se trata de um outro planeta, mas de uma série de dimensões vibratórias onde o espírito habita de acordo com a sua evolução.

Existem regiões venturosas como Aruanda (nome dado às colônias espirituais de trabalho e assistência onde comumente “residem” as entidades que se manifestam na Umbanda), mas também existem regiões purgatoriais e de sofrimento, destinadas às almas que, na Terra, espalharam dor e sofrimento.

O mundo material em que vivemos é apenas uma das faixas mais densas. Após a morte, a alma se libertando do veículo mais pesado, consegue peregrinar por regiões superiores, se evoluída ou é arrastada para regiões inferiores, se assim o merecer ou mesmo ficará atrelada à Terra se não for evoluída o suficiente para “subir” ou inferior o suficiente para “descer”. 

Não existem, porém, condenações absolutas e todas as almas, um dia, evoluirão.

Reencarnação

Na marcha evolutiva do espírito é necessário que, de tempos em tempos, ele tome um corpo material, renasça no mundo, volte a viver entre os homens, a fim de passar por provações ou expiações que, se bem aproveitadas, conduzirão a um degrau acima na escala evolutiva.

Não há número mínimo ou máximo de reencarnações, pois cada espírito empreende sua própria jornada que, diga-se, não se cumpre apenas em nosso mundo, mas na vastidão do cosmos, até que se atinja a perfeição espiritual, o que pode levar milhares, talvez, milhões de anos para acontecer.

Leis Espirituais

Existem leis: leis que governam a vida material (objeto de estudo da ciência) e leis que governam o mundo espiritual (objeto de estudo das religiões), seja na matéria ou fora dela, porém, existem leis inexoráveis, imutáveis, criadas por Deus, para a manutenção do universo.

Dentre as leis mais importantes na doutrina religiosa da Umbanda, podemos destacar: a lei de amor (todos somos criados para nos amarmos e nos auxiliarmos), lei de bondade (devemos ser bons no trato com os semelhantes), lei de liberdade (reconhecemos o direito das pessoas trilharem os caminhos que julgarem melhores para si), lei de retorno (cada um recebe a medida do bem ou do mal que causou aos outros), etc. 

O Bem

A prática do bem é distintivo da Umbanda. Como seres conscientes de nossas imperfeições e desejosos de ascensão espiritual, é nosso desejo sempre evoluir, progredir, melhorar, tornarmo-nos mais fraternos, melhores filhos, maridos, esposas, amigos, etc.

Toda a doutrina da Umbanda, calcada nos Evangelhos, impele o homem ao conhecimento de si mesmo, ao respeito à diversidade, facultando os meios de encontrar, especialmente pelos ensinos dos espíritos, o incentivo para a constante melhoria de nós mesmos.

Não há espaço na Umbanda para trabalhos que se afastem das leis Divinas ou que visem prejudicar o próximo.

Obs.: Por esta razão, fique certo do seguinte: se algum dia, em algum lugar, você visitar um terreiro de Umbanda e as pessoas ali presentes, bem como as entidades, derem alguma orientação que fira a moral, a ética, os ensinos de Jesus, esteja certo de que se trata, na melhor das hipóteses, de uma casa sem fundamentos e, neste caso, o meu conselho é que procure outra. A Umbanda não pode ser responsabilizada pela deturpação que pessoas sem conhecimento fazem em seu nome, como não podemos responsabilizar todos os evangélicos pelo abuso de alguns pastores...

Gratuidade

Para cumprir o seu papel de sempre fazer o bem, a religião arrasta consigo outro princípio coirmão do primeiro: a gratuidade. Os trabalhos de Umbanda são sempre gratuitos, nunca exigindo qualquer pagamento para realização de uma atividade espiritual, seja ela qual for.

As casas possuem liberdade para pedir contribuição material (vela, fumo, bebida, etc) ou financeira, mas nunca poderão impô-la: ajuda quem quer, como quer e se puder.

As despesas oriundas da casa podem ser divididas entre os membros da corrente ou supridas através de atividades como rifas, bingos, bazares, jantares, etc.

Obs.: Aqui farei um adendo semelhante ao anterior: se você visitar uma casa de Umbanda e alguém lhe obrigar a pagar, seja para um trabalho, um atendimento particular, enfim, o que quer que seja, a minha recomendação é que não aceite e procure outra casa.

Caridade

A caridade (isto é, o auxílio ao próximo pautado apenas no interesse em ajudar), é a tônica da religião e toda a doutrina e prática da Umbanda induz a considerar a caridade não apenas dentro, mas fora do terreiro, especialmente no lar, em família, no trabalho e na sociedade como metas de vida.

O umbandista aprende que não pode ser feliz sozinho e que deve fazer, por sua vez, todo o possível para auxiliar as pessoas que cruzarem seu caminho. Na impossibilidade de ajudar, deve tudo fazer para nunca atrapalhar a quem quer que seja.

Humildade

A humildade consiste no reconhecimento de nossas próprias limitações. Quem quer que se esforce em ter uma ideia mais completa de si mesmo, fatalmente esbarrará nos próprios limites.

Este pensamento foi resumido pelo próprio C7E, quando disse: aprenderemos com quem souber mais e ensinaremos aos que souberem menos. Na Umbanda, sempre há espaço para aprender, pois não importa quantos anos de caminhada tenha determinada pessoa, ela nunca saberá tudo.

Tradicionalmente, quem tem mais experiência ensina os novatos, mas nem por isso deixa de aprender com estes, já que todos que sinceramente se entregam ao saber espiritual acabam deixando algo de si pelos caminhos dos outros.

Todos são bem-vindos

Num terreiro de Umbanda, todos são bem-vindos: ricos, pobres, gays, artistas, anônimos, pessoas com ou sem religião, vestidas de terno e gravata ou de bermuda e chinelos, etc. Não importa!

Quando alguém procura um terreiro é que sente necessidade de algo que pode ser encontrado nele. Por esta razão, não há acepção de pessoas. Todos são bem-vindos, desde que se portem com dignidade e educação.

Ninguém é barrado por ser branco ou negro, rico ou pobre, estar de sapato ou de chinelos (embora frequentemente haja recomendação de se trajar roupas condizentes a um espaço religioso), todos são recebidos da mesma forma e sentam-se lado a lado, sendo atendidos da mesma forma, com o mesmo carinho e consideração, independente de quaisquer fatores que, socialmente, poderiam distingui-los.

Orações

A oração tem um papel fundamental na Umbanda, sendo comum que os trabalhos comecem e terminem com uma oração. A oração é a força mental que nos liga diretamente aos planos superiores, por isso recomenda-se atitude de recolhimento ao consulente, para que venha a colaborar com suas forças durante as orações.

As orações, frequentemente, são direcionadas a Deus, a Jesus, aos Orixás e também aos guias espirituais. Cada um orando da maneira que mais lhe agrade, sendo sempre mais importante a fé na hora da oração do que a forma da oração em si.

Passes

Os passes são transmissões de energia tanto das entidades, quanto dos médiuns, com o objetivo de revigorar nossas forças orgânicas e espirituais. O passe ajuda a manter o equilíbrio espiritual e nos dá mais disposição.

Se, porventura, estivermos “carregados” (isto é, com muitas energias densas), as entidades aproveitam o passe para fazer um “descarrego”, isto é, um trabalho de limpeza energética, para que possamos, justamente, ter equilíbrio físico, mental e espiritual.

A Umbanda é um verdadeiro hospital de almas, sempre pronta a amparar e a socorrer aqueles que a procuram.

Orientações

Após o passe, é comum as entidades dialogarem com as pessoas. É o momento íntimo, especial, onde o consulente (aquele que se consulta), terá a oportunidade de conversar com a entidade que está lhe atendendo, podendo pedir-lhe orientações sobre quaisquer setores da sua vida particular.

As entidades que comumente se manifestam na Umbanda são excelentes ouvintes, dispondo-se sempre a escutar e a orientar sejam quais forem os dramas de cada um.

Um terreiro de Umbanda é um verdadeiro consultório psicológico.

Considerações

Considero os princípios apontados como fundamentos básicos norteadores de toda casa séria de Umbanda. Não importa que seja vertente A ou B, se for uma casa séria, estes princípios serão percebidos a um olhar atencioso.

No correr dos próximos capítulos, porém, abordaremos outros tópicos importantes, que versam tanto sobre a doutrina, quanto pela prática e que deixarão mais claramente definidos os contornos da religião.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes
           

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3 comentários:

  1. Olá Leo!
    Textos excelentes, como sempre!
    O capítulo 22 não está na lista aí no blog para compartilhamento... algum problema com o link? Só o vi no Reflexões 2. Abraços!

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  2. Só não havia linkado mesmo à coluna, mas agora já está lá. Grato!

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  3. Bom dia o capítulo 20 não está disponivel

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