quinta-feira, 1 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 17 - PERÍODO DE EXPANSÃO


Acervo - Casa de Cultura Umbanda do Brasil
Entre as décadas de 1940 e 1970, a Umbanda cresceu rapidamente. Acompanhando este levantamento, pode-se ver como o número de terreiros saltou neste período (lembrando que este levantamento está longe de ser completo).

Preocupado com essa questão, o próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas incentivou a fundação de uma federação, chamada de: Federação Espírita de Umbanda, em 1939.

Após o congresso nacional de 1941, os umbandistas perceberam a necessidade de organização da religião que começava a se espalhar para além do que se podia imaginar (e controlar).

Alexandre Cumino1 contextualiza assim o início da década de 1950:

“Em torno de 1950, seis novas federações de Umbanda foram criadas no Rio e Niterói, além da UEUB. Três delas seguiam a mesma orientação e a linha de raciocínio delimitada no Primeiro Congresso de Umbanda, as outras três traziam uma novidade: a vertente africanista na Umbanda.” Pág. 02.

Perceba, novamente, o que já estudamos em capítulos passados: a força africana começa a se destacar na Umbanda ao final da década de 1940/1950, principalmente, por que:

“Nesse período, as Macumbas Cariocas sofrem mais perseguição que as Tendas de Umbanda ou do “Espiritismo de Umbanda”. Assim como a Umbanda se aproximou do Espiritismo para diminuir a discriminação, os cultos afro-brasileiros cariocas, identificados como Macumbas Cariocas, passaram a se denominar Umbanda. Com esse movimento passam a surgir as várias formas de Umbanda Africanistas, como, por exemplo: Umbanda Mista, Umbanda Trançada e Umbanda Omolocô.” Pág. 02.

Em 1952, Tata Tancredo funda a Federação Espírita Umbandista difundindo a Umbanda como uma religião de matriz afro, em oposição à “Umbanda Branca”, difundida pela Federação Espírita de Umbanda (veja a similaridade dos nomes).

É do embate entre as visões destas duas federativas que nasce a celeuma que perdura até os nossos dias, em que se busca uma matriz afro que só tardiamente chegou à religião...

Entenda-se bem – e novamente – que isto não é nenhum demérito: a influência africana na Umbanda é tão legítima quanto todas as outras, ela só não é a sua matriz e isto está historicamente evidente...

Diversas outras entidades federativas surgiram, cada uma defendendo um ponto-de-vista, o que contribuiu, acentuadamente, para a diversidade religiosa no seio umbandista, no Rio e em outros estados.

É na década de 1950 que intelectuais brasileiros começam a olhar a religião com maior cuidado e interesse. Sobre isso, Cumino escreve:

“Arthur Ramos e Edison Carneiro já haviam abordado superficialmente a Umbanda em suas obras, na década de 1960; os sociólogos Roger Bastide e Cândido Procópio Ferreira de Camargo se interessam pela Umbanda, apresentando o resultado de suas pesquisas ao público em geral. Seus passos seriam seguidos por Diana Brown, Renato Ortiz, Patrícia Birman, Lísias Nogueira Negrão, Maria Helena Vilas Boas Concone e Zélia Seiblitz, dando continuidade a seus estudos, nos quais se fundamenta uma legitimação intelectual e acadêmica da Umbanda como religião nacional, que reflete o resultado do encontro das culturas formadoras deste país.” Pág. 11.

As festividades em homenagem à Iemanjá em 31 de dezembro se tornam verdadeira romaria nacional, a ponto de bispos católicos mandarem rezar missas e fazer procissões a mesma hora.

Acredita-se que, em 1979, mais de um milhão de pessoas tenham participado dos festejos para Iemanjá em Praia Grande, São Paulo (agora talvez fique mais claro o porquê de algumas igrejas neopentecostais terem elegido a Umbanda como inimiga, certo?).

Entre 1950/1970, começaram a circular revistas sobre a Umbanda, como as: Mundo de Umbanda e Umbanda em Revista: as pessoas falam e leem sobre a religião!

A música também não ficou indiferente a todo este sucesso, já que diversos artistas cantavam sobre a Umbanda, como por exemplo: Clara Nunes, Ruy Maurity, Martinho da Vila, entre outros. Confira:

   

Gosto de pensar neste período como um momento de “efervescência” da religião. Os terreiros se espalharam por todos os estados. Intelectuais se interessaram pela religião e escreviam sobre ela (se bem que com vários erros).

Revistas circulavam. Artistas gravavam pontos ou faziam adaptações a partir deles e eram ouvidos por todo o Brasil. Os festejos à Iemanjá chamavam a atenção de todo mundo. Enfim, sem dúvida, foi o período áureo da Umbanda no Brasil.

Pensei em muitas formas de contextualizar este período, elencar fatos, apontar direções, mas terminei por concluir que os vídeos que aqui publiquei, seguido das imagens abaixo, dialogarão com vocês melhor do que minhas palavras:


Seu 7 da Lira na TV em 1971 - Imagem do google
Banda de MPB que produzia músicas afro - acervo Casa de Cultura Umbanda do Brasil
Famoso músico Umbandista - acervo Casa de Cultura Umbanda do Brasil
Jornal Umbandista que circulou entre 1952-1960 - Hemeroteca Digital Brasileira


Acervo Casa de Cultura Umbanda do Brasil
Mas, o que aconteceu? Como uma religião que estava na televisão, no rádio, em jornais e revistas, num curto intervalo de tempo se viu acuada e sem prestígio? É o que estudaremos no próximo capítulo.

Referências

1 - CUMINO, Alexandre. Terceiro e Quarto Período, Esvaziamento e Amadurecimento. Texto 4.01. Material de Apoio. História da Umbanda - EAD - Curso Virtual Gratuito. 2016. 


Até lá!

Leonardo Montes


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