terça-feira, 27 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 25 - SACRIFÍCIO ANIMAL

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O sacrifício animal (abate religioso) não é um fundamento da Umbanda, de tal forma que a maioria das casas de Umbanda não o pratica. Entretanto, se o sacrifício não é um fundamento (isto é, um princípio básico), por que algumas casas o fazem?

História

Entre as instruções deixadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas (C7E) e praticadas ainda hoje na TENSP (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade), não consta o sacrifício de animais. É por esta razão (e pelo fato dos registros das primeiras casas de Umbanda não mencionarem o sacrifício), que podemos afirmar com segurança que o sacrifício animal nunca fez parte dos fundamentos da religião.

Conforme já dissemos anteriormente neste estudo, a Umbanda nascente se aproximava muito mais do Espiritismo que dos Candomblés. Essa aproximação começou a se diferenciar no final da década de 1940, quando a Umbanda começou a se popularizar e os dirigentes dos terreiros, sentindo necessidade de buscar mais informações sobre o culto aos Orixás se aproximaram de casas de Candomblé (especialmente, o Ketu).

Assim, muitos dirigentes de terreiros acabaram se iniciando também no Candomblé sem abandonar seu terreiro de Umbanda, dando origem a uma “vertente” de Umbanda chamada frequentemente de: Umbanda traçada ou Umbandomblé (mistura de Umbanda com Candomblé).

Nestas casas é comum o dirigente realizar o sacrifício animal que aprendeu no Candomblé, pois ele trouxe para dentro da sua casa de Umbanda um fundamento que, essencialmente, não pertence a ela.

Consumo de carne

Para boa parte das pessoas na sociedade brasileira, o sacrifício animal beira o repugnante. Não raro, as pessoas se indignam quando ouvem falar no assunto e, com muita frequência, pipocam na internet polêmicas sem fim sobre isso.

Contudo, para boa parte dos brasileiros, essa repugnância é realmente uma hipocrisia sem tamanho, tendo-se em vista que boa parte dos brasileiros que são contra o sacrifício animal consomem carne regularmente.

Dói a consciência saber que uma casa pratica o sacrifício animal, mas não dói o mesmo tanto na hora do churrasco ou na fila do açougue. Então, reflitamos: Se a ideia de um sacrifício animal, num ritual religioso, soa tão asquerosa, por que não parar de comer carne, já que os animais são sacrificados, simplesmente, para atender a nossos apetites?

O sacrifício

A primeira coisa a ser dita sobre o sacrifício animal, em relação às casas que o praticam, é que o animal costuma ser melhor tratado do que os que se encontram no campo para nos servir de bife à mesa (eu trabalho no campo, e sei...)

O animal que será sacrificado é visto como um ser a ser sacralizado, portanto, um ser que merece todo cuidado e respeito.

Há um sentido religioso na concepção do sacrifício que pode ser de difícil compreensão a quem esteja de fora, contudo, recomendo que este assunto seja pesquisado por quem desejar maiores aprofundamentos. Por limitação do meu conhecimento, comentarei brevemente sobre o assunto.

Acredita-se que o sangue do animal possua axé (uma espécie de energia divina), quando o animal é sacrificado e seu sangue é ofertado aos Orixás, esse axé circula e é absorvido pelas pessoas presentes, gerando mais vitalidade, saúde, paz, prosperidade, etc.

É certo que há um sentido mais profundo (veja este vídeo). Contudo, para a análise que estamos fazendo, este conceito é o suficiente.

Quando estas casas realizam sacrifícios, estes ocorrem sempre em determinadas cerimônias, específicas, não todo dia, toda hora. Assim, não ocorre uma carnificina (claro, existem casas sem fundamento...), mas um abate religioso, sendo a carne do animal preparada e servida à comunidade.

Em certas regiões do Brasil onde predomina a pobreza, a única fonte de carne provém dos terreiros que realizam o sacrifício religioso e distribuem a carne para as pessoas do entorno. Você sabia disso?

Assim, trago estas informações não para defender o abate religioso, mas para que o debate não se polarize em discursos rasos, frequentemente repetidos sem maiores reflexões.

Sacrifícios na Umbanda

Nunca realizei um sacrifício animal (eu como carne) e nunca participei de um ritual que o exigisse. Na doutrina que praticamos (cuja concepção a este respeito a maioria dos terreiros compartilha), não há o menor sentido em sacrificarmos um animal.

Jamais conversei com uma entidade que pedisse ou dissesse que era necessário, nossa casa nunca derramou uma gota de sangue, mas nem por isso eu odeio as casas que porventura façam.

Na verdade, nem penso nelas. Sigo aquilo que as entidades sempre me ensinaram:

- Não concorda? Então, não faça!

É certo que o sangue possui axé (que interpreto como sendo o fluido vital), contudo, existem outras formas de consegui-lo, como por exemplo, as folhas, as bebidas, o fumo e tudo o mais que os terreiros utilizam para as firmezas/tronqueira e que substituem completamente a necessidade de sangue.

Por esta razão, tendo em vista a quantidade de pessoas que as reflexões me oportunizam conversar, posso garantir que a imensa maioria dos terreiros de Umbanda nunca fizeram um sacrifício animal. 

Até a próxima aula!

Leonardo Montes



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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 24 - OFERENDAS


Em muitas culturas antigas, os homens agradeciam a fartura de alimento para suas tribos repartindo com as divindades o fruto de seu trabalho. Assim nasceram as celebrações religiosas em que se oferendavam comidas, bebidas e mesmo o sangue de animais criados para alimentar as pessoas da comunidade.

Nestas celebrações, realizavam-se muitas festas, com muita fartura, dividindo o profano e o sagrado o mesmo espaço, pois não havia real separação entre eles.

Em praticamente todas as culturas encontramos celebrações religiosas em que se oferendavam coisas em agradecimento às colheitas, desde as festas dionisíacas entre os gregos aos bacanais romanos.

Aliás, o próprio dízimo das igrejas teve aí a sua origem e podemos até mesmo encontrar este referencial na bíblia:

“Todos os dízimos da terra - seja dos cereais, seja das frutas - pertencem ao Senhor; são consagrados ao Senhor.” Levítico 27:30.

Com o passar do tempo, contudo, as oferendas passaram de “simples agradecimentos” a meios de “barganha” com as forças espirituais.

É esta, aliás, a visão que predomina ainda hoje na Umbanda...

Umbanda

A maioria dos umbandistas possui uma visão muito estreita sobre as oferendas, resumindo-as a um processo mágico. Por exemplo:

Se acendem uma vela para o Anjo de Guarda, imaginam que estarão imunes de resfriado à bala perdida;

Se oferendam para Oxóssi na mata, imaginam que na próxima semana deverão receber uma promoção no serviço;

Se arriam um padê para exu, pensam que estarão livres dos obsessores, das pessoas invejosas, etc.

Além disso, também é muito comum a concepção de que a “oferenda que encanta os olhos atrai a atenção do Orixá”, assim, ao invés de fazer uma oferenda simples, as pessoas frequentemente esbanjam um grandioso banquete, como se o “tamanho” da oferenda despertasse maior interesse do Orixá sobre a causa do sujeito.

Em suma: é um processo de barganha... Oferece-se alguma coisa, querendo algo muito maior em troca! 

Em nossa casa, porém, as entidades sempre ensinaram um ponto de vista bem diferente: a oferenda é a forma material de algo imaterial. Explico:

A oferenda, que deve ser sempre simples, é a representação dos sentimentos daquele que oferenda. Assim, se uma pessoa é filha de Oxóssi, não fará uma oferenda a ele pedindo fartura, dinheiro, abundância, mas fará uma oferenda a ele pedindo forças, inspiração, auxílio! Como filho de Oxóssi, ao realizar uma oferenda com toda sua vontade e fé, ele se coloca na mesma sintonia de Oxóssi e, certamente, será respondido, obterá a força necessária para lutar em busca daquilo que deseja!

Os Orixás não são forças mágicas, gênios da lâmpada a quem basta arriar uma comida aqui e pedir ali um milagre!

Vamos a outro exemplo:

Certa feita, os membros do terreiro queriam fazer uma oferenda à Iemanjá, semelhante a estas que vemos na internet. Já estavam planejando as comidas, o barquinho, as bugigangas, quando uma preta-velha, Vó Cambinda (salve!), com todo carinho e paciência do mundo, começou a conversar, orientando, rodeando, até que disse:

- O fi, as oferendas que suncês tão querendo fazê vai ficá mesmo muito formosa, mas nega véia acha que nossa mãe Iemanjá vai ficá mais satisfeita se ocêis juntá tudo essas comida e dá pras crianças pobres.

Foi um balde de água fria, mas uma poderosa lição:

Iemanjá, aquela que representa nossa grande mãe, não quer barquinho e espelhos para sujar sua praia, quer ver as crianças deste Brasil sem fome.

Nunca mais se falou em barquinho para Iemanjá.

Simplicidade

As entidades sempre me ensinaram que as oferendas mais importantes para os Orixás e mesmo para os guias, são aquelas que habitam nosso coração: nossa fé, nossa vontade sincera, nosso desejo de nos tornarmos pessoas melhores, nossa dedicação ao trabalho espiritual, isto compõe, verdadeiramente, a oferenda que eles mais apreciam.

Contudo, se sentirmos vontade de materializar esses sentimentos em algo, devemos fazê-lo sempre da forma mais simples possível, sem exagero e, principalmente, sem pesar no bolso.

A Vó Cambinda sempre nos falava que via com tristeza casas que impunham aos filhos a necessidade de contribuírem financeiramente para a realização de grandes oferendas, quase sempre, deixando os mais pobres constrangidos por não terem de onde tirar dinheiro... 

Veja abaixo dois exemplos de oferendas em nossa casa. Uma de Oxóssi e outra de Preto-Velho:

Oferenda para Oxóssi da Casa de Umbanda União

Oferenda para os pretos-velhos da Casa de Umbanda União.
Estas oferendas são compostas da seguinte forma: cada membro da casa leva, dentro dos fundamentos de cada comida (isso é assunto para quem está em terreiro), aquilo que esteja ao seu alcance: uma fruta, duas frutas, três frutas, etc. E se porventura alguém não puder contribuir, não há o menor problema. A soma de tudo aquilo que os membros da casa levam é deixado no congá para ser abençoado e, ao final da gira, tudo é repartido com todos: cada um come alguma coisa, levando para si, além do alimento, todo axé que as entidades, em nome dos Orixás, ali depositaram.

Fazemos uma oferenda coletiva, sempre dentro do terreiro, para cada um dos Orixás cultuados na casa. Somente uma oferenda por Orixá ao longo do ano, nada mais!

Conexão

Outro tipo de oferenda que eventualmente podemos necessitar é o de praticar um certo retiro para nos conectarmos às forças superiores. Continuemos no exemplo de Oxóssi.

Suponhamos que eu comece a sentir vontade de me conectar a Oxóssi. Por alguma razão estranha, dentro de mim, sinto que preciso buscar essa força.

Para consegui-lo, dirijo-me a uma mata tranquila, acendo uma vela, acendo um incenso, deixo ao pé de uma árvore algumas frutas e permaneço algum tempo ali sentado observando o vento soprar nos galhos, os pássaros cantando, o cheiro da terra e, em oração, faço os meus agradecimentos e pedidos, aguardando pelo menos meia hora em meditação e oração, sentindo a energia do local ao meu redor e certamente recebendo o amparo espiritual que necessito.

Depois, apago a vela, retiro tudo que não for de decomposição natural, deixando o local tão limpo quanto eu o encontrei. As frutas serão o meu agradecimento a este momento de meditação/oração à própria mata, que através de processos naturais, fará a decomposição das mesmas.

Veja: não é só chegar, arriar um monte de comidas, acender uma vela, cantar um ponto, virar as costas e largar a bagunça... É preciso simplicidade e conexão!

Em casa

Uma pergunta muito comum é: posso oferendar em casa? A resposta é: sim, desde que você possua conhecimento. Caso contrário, melhor deixar para o futuro, pois uma pessoa desestruturada, num lar perturbado, ao sair oferendando de qualquer jeito, poderá atrair qualquer coisa...

Contudo, quando há conhecimento de causa e sentimento verdadeiro, é perfeitamente possível e, por vezes, muito útil que assim façamos. Relatarei mais um caso:

Um senhor, muito humilde, habituou-se a colocar, todas as manhãs, uma xícara de café para um preto-velho que lhe atendeu em um momento de aflição e a quem se tornou eternamente grato.

Toda santa manhã, lá estava a xícara em cima da geladeira, oferecida com amor, carinho e oração.

Quando soube do caso, recorri ao Velho (Pai Cipriano), perguntando como quase todo leigo:

- Mas qual a razão disso, a entidade irá beber o café?

O Velho riu, cachimbou e disse:

- Não, filho. Mas, através do café ali posto, terá acesso ao coração daquele filho.

Tempos depois, este senhor desencarnou e vi, com lágrimas nos olhos, o referido preto-velho a quem ele fazia esta pequena oferenda matinal com lágrimas nos olhos dizendo:

- E agora, quem colocará café pra mim?

A ternura daquelas palavras não pode ser descrita na singeleza de um texto como este. Fica para a imaginação de cada um...

Meio Ambiente

Ao oferendar na natureza, é preciso não esqueçamos de que nenhuma oferenda real pode ser feita se agredirmos a mãe terra. Se no passado foi comum, hoje é inadmissível, até por que não somos donos do local e da mesma forma que vamos até uma mata, uma cachoeira, uma pedreira, outras pessoas também vão e elas não são obrigadas a encontrar nosso lixo.

Portanto, se você oferendar na natureza, lembre-se de recolher tudo que a terra não consuma: recolha velas, copos, garrafas, papéis, plásticos, enfim, tudo aquilo que não for biodegradável.

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Observe a imagem acima e se pergunte: Isso é oferenda? Você gostaria de estar com sua família na praia e encontrar algo assim?

Antes de encerrar, convém falarmos de outra oferenda que sempre causa muita polêmica: os despachos para exus nas encruzilhadas... Isso também é desnecessário, já que podem ser feitos no próprio terreiro, em frente a tronqueira, sem necessidade de sujar a rua ou mesmo amedrontar as pessoas, afinal, muitas encruzilhadas, para nós, são esquinas da casa, para alguém.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes 

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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 23 - PONTOS DE FORÇA NA NATUREZA

Imagem do Pintrest

O homem primitivo sempre percebeu o valor (real e simbólico) da natureza. Mais do que isso: sempre viu a natureza como sua grande casa e seu refúgio, onde obtinha o necessário à sua sobrevivência e para onde deveria voltar, um dia, quando seu corpo já não mais vivesse.

É assim que, de uma forma ou de outra, todas as culturas estabeleceram alguma relação de sacralidade com a natureza ao seu redor. Na Umbanda não é diferente: a natureza é extremamente importante para a religião.

Portais

As tradições místicas de vários povos nos falam a respeito de portais, isto é, lugares na natureza em que encontraríamos passagem para um mundo novo.

Quando estes lugares eram descobertos, quase sempre, por revelações espirituais, os povos criavam alguma espécie de templo ou santuário buscando sacralizar o mesmo.

Como quase sempre ocorre, além das narrativas folclóricas, há um quê de verdade nessas histórias.

O portal, contudo, não é um local místico que nos levaria para um outro lugar do planeta ou mesmo para um outro planeta. São locais em que as distâncias entre as esferas espirituais são menores e por onde os espíritos normalmente atravessam de um plano para outro.

O espírito André Luiz, através de Chico Xavier, chamou estes locais de “campos de saída”. Assim, mais uma vez, vemos que as coisas sagradas sempre foram conhecidas, se bem que com nomes diferentes.

Os portais são verdadeiras “estradas espirituais” ligando um plano a outro. Caminhos que os espíritos tomam para passar de um plano a outro de forma mais rápida.

Aos olhos humanos, nada há no local que indique a existência de um portal. Contudo, é provável que alguém mais sensível perceba a energia do mesmo, pois geralmente são cercados de intensa movimentação espiritual e também protegidos por diversos espíritos, a fim de que entidades menos evoluídas não façam a travessia: é preciso ter evolução compatível.

Stonehenge, na Inglaterra. Local onde os guias me disseram ter havido um portal há muito tempo. 
Tais portais não são raros nem fixos. Se por acaso a ação humana chegar até ele, certamente, os espíritos o mudarão de posição: tudo é fluido e movimento na espiritualidade, embora as ideias humanas, quase sempre, desejam a cristalização...

Estes portais, sempre ligados a áreas de muita natureza, surgem por vezes nas águas de um rio, no coração de uma mata densa, no topo de uma serra, etc. Ao redor dos mesmos, os espíritos quase sempre edificam vilas ou postos de assistência, preferindo muitas vezes trabalhar neste ambiente pela abundância de fluido vital. 

Fluido Vital

A expressão “fluido vital” foi usada por Allan Kardec para definir uma espécie de energia-motriz da matéria. Algo que todo ser vivo possui e que é responsável por manter e sustentar a vida orgânica.

O fluido vital pode ser transmitido de um individuo para outro e é isto, aliás, que ocorre através do passe. Contudo, não apenas as pessoas possuem fluido vital, mas todos os seres vivos.

Conforme as cidades avançam e o homem praticamente aniquila toda a natureza ao seu redor para dar lugar a casas, prédios e ruas, a “concentração” de fluido vital naquele local também se torna menor, mais rarefeita.

É por esta razão que um trabalho espiritual realizado em meio a natureza será sempre mais forte do que um realizado em uma área urbana (e quem já fez poderá confirmar) e daí a importância de termos sempre plantas em nossas casas, pois elas são excelentes produtoras desta energia...

Um ambiente natural, isto é, sem ação predatória humana, conservará sempre (qualquer que seja a sua biodiversidade) uma alta taxa de fluido vital que é manipulada pelos espíritos para diversos fins e é por isso que, frequentemente, eles prefiram erguer acampamentos ou bases operacionais em áreas verdes.

Os povos antigos também sabiam disso e daí nasceram tantos contos e mitos de seres espirituais vivendo entre as árvores, no leito de um rio, no coração de uma montanha, etc.

Para poder agir mais e melhor em favor do ser humano, os espíritos frequentemente recorrem à força da natureza, a energia das plantas, dos animais. Energias estas que manipulam e trazem consigo até nossas cidades, nossas casas, nossos terreiros.

Por esta razão, o umbandista tem razão mais do que de sobra para tudo fazer em benefício da natureza.

Pontos de força

Partindo dos portais, anteriormente citados e dos acampamentos espirituais que se estendem, muitas vezes, no meio de áreas verdes, chegamos ao conceito de “ponto de força”.

Dentro da Umbanda, um “ponto de força” é o local ideal para realizar uma oferenda (estudaremos mais sobre elas no capítulo seguinte), como se, ao realizar a oferenda naquele local, ela se tornasse “mais bem aceita” ou mais “facilmente entregue”, etc.

Perceba que se trata do mesmo princípio que abordamos anteriormente, porém, levado por algumas correntes de pensamento de forma literal. Há mesmo algumas casas de Umbanda que literalmente oferendam apenas nos locais correspondentes a cada Orixá/guia.

Da forma como trabalhamos, não há necessidade de você encontrar uma montanha para oferendar à Xangô, por exemplo, você pode fazer isso dentro de uma mata (que classicamente é atribuída aos domínios de Oxóssi) e não há problema algum, pois além dos mitos, nós enxergamos a essência da natureza que comentamos anteriormente.

Da mesma forma, você não precisa procurar a esquina de alguém para poder fazer um agrado para exu, você pode fazer isso no terreiro ou, se houver permissão, na garagem da sua casa mesmo, pois se o exu pode ir até o terreiro para incorporar, por que não pode ir para receber a oferenda?

Toda a natureza se converte num ponto de força e é por isso que se trata de algo tão importante para nós. Ao realizarmos uma gira no meio da mata, por exemplo, estaremos trabalhando dentro de um "ponto de força", dentro de um ambiente carregado com fluido vital e que certamente beneficiará nossos corpos e nossos espíritos.

Assim, o que importa, ao buscar a natureza, seja ela um rio, uma mata, uma serra, um campo, é que você consiga se desligar do agito da cidade e consiga, através da sua oferenda, estabelecer um elo material para um sentimento imaterial, ligando sua mente a energia do local, pois seja na praia ou na roça, se você estiver de coração, as forças que você evoca responderão, trazendo a você todos os benefícios possíveis através da força da natureza.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes

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domingo, 18 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 22 - ORIXÁS E SANTOS


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Os Orixás cultuados pela Umbanda e pelo Candomblé são os mesmos. A diferença corre apenas pela forma do culto e pela concepção do que sejam. Embora isso possa, a princípio, confundir muitas pessoas, na realidade se trata de um processo muito simples.

Tente imaginar, antes de tudo, que estamos falando de crenças muito antigas, talvez, com milhares de anos, que se espalharam por diversas regiões e que foram reinterpretadas de diversas formas por cada povo que as assimilou.

Quando o culto chegou ao Brasil, por exemplo, os Orixás foram associados aos Santos do Catolicismo (conforme estudamos no Cap. 08) e sofreram, mais uma vez, processo de adaptação e sobrevivência.

Este processo é comum em todas as religiões, sem exceções.

É isto que explica a multiplicidade de sentidos e de interpretações que se pode dar a um mesmo assunto. Assim, não é raro encontramos pessoas que compreendem os Orixás, como: forças da natureza; ancestral divinizado; irradiações de Deus; espíritos, etc.

São muitas leituras e todas elas são compreensíveis se imaginarmos que estamos falando de forças muito evoluídas e que escapam ao nosso senso comum sobre as realidades espirituais além do nosso alcance.

Como definir, por exemplo, um ser tão evoluído que ao se mostrar se apresente tão luminoso quanto um segundo sol? Não seria difícil chama-lo de Deus, certo?

Assim, tenho comigo que os deuses de todas as religiões, bons ou maus, nada mais eram do que as percepções de espíritos que se apresentavam de forma tão elevada (ou negativa) que inspiraram contos que se transformaram em lendas sobre antigas divindades...

No fundo, eram apenas espíritos, como nós: uns mais, outros menos evoluídos...

Mundo Espiritual

No Mundo Espiritual não há saltos.

As coisas se desenvolvem lenta e gradativamente. Os espíritos são chamados a auxiliar os homens conforme suas próprias capacidades.

Conforme aprendem e evoluem, porém, recebem maiores responsabilidades e assim, numa escalada gigantesca, atingem a perfeição espiritual, cuja referência máxima neste sentido é o próprio Jesus que, um dia, também foi como um de nós.

O guia espiritual de um médium, cuja responsabilidade pese apenas em velar seu tutelado, conforme evolua, terá novas atribuições, novas pessoas a quem proteger e conforme ascenda espiritualmente, receberá mais atribuições, aumentando cada vez mais seu leque de atuação até que receba, por exemplo, a tutela de um bairro inteiro, de uma cidade, de um estado, de um país, de um continente, de um planeta (e as entidades me disseram que há mesmo aqueles espíritos que são responsáveis por toda uma galáxia!) – dá uma certa vertigem pensar nisso...

Cada um recebe a tarefa que está apto a executar e por esta razão jamais devemos sofrer por não ocuparmos papéis que não nos pertençam, pois tudo é sábio na providência!

Assim, não há diferenças substanciais de uma alma como a de Jesus (nosso governador planetário) e a minha, pois fomos criados por Deus! O que nos separa é apenas o processo evolutivo: Jesus está lá na frente, enquanto eu ainda estou na largada... Porém, um dia, eu também chegarei lá!

Logo, tudo evolui em matéria de espírito, sendo nossos guias, hoje, o que os Orixás foram, ontem!

Orixás

Orixá é um cargo espiritual, semelhante ao de governador de um povo. Não é sem razão que, na África, cada povo cultuava o seu Orixá protetor, isto é, o Orixá responsável pelas pessoas de uma comunidade.

No Brasil, por exemplo, fala-se muito do “Anjo Ismael”, protetor espiritual do Brasil. A função que Ismael desempenha no Brasil é semelhante a que um Orixá desempenha, na África.

São cargos espirituais que para serem ocupados necessitam de espíritos de altíssima evolução. Logo, Orixá não é um ser, uma individualidade, mas um cargo de imensa responsabilidade na direção dos povos.

Quando o culto veio para o Brasil, o Orixá deixou de ser apenas o “protetor da tribo”, para se tornar o mantenedor de imensas falanges espirituais que atuam no mundo. Tanto é que, não raro, vemos caboclos dizendo que são “soldados” de determinado Orixá, isto é, trabalham, vibram, na linha de tal Orixá.

Assim, quando falamos em Oxóssi, não estamos falando de um indivíduo chamado Oxóssi, mas de um espírito extremamente evoluído que ocupa o “cargo de Oxóssi” e que está ligado, por extensão, às entidades que atuam junto as matas, florestas, etc.

Santos

Sabemos que muitos Santos da igreja católica foram adaptados de crenças de outros povos. Porém, alguns foram pessoas reais e que se destacaram por serem pessoas nobres, de fé e ocupam hoje o cargo de intermediários entre Deus e os homens.

A tradição católica popular elevou estas figuras a algum patamar onde são capazes de intermediar as ações humanas juntamente a Deus e assim, no correr dos séculos, essa tradição religiosa se tornou tão enraizada em nossa cultura que, para muitas famílias, é natural a devoção a um determinado Santo.

Essa devoção influenciou, inclusive, nossos costumes. 

Temos vários feriados motivados por tradições católicas e mesmo nossas cidades recebem como “padroeiro” algum Santo.

Neste ponto, quero chamar a sua atenção para a similaridade, embora todo o contexto diverso, entre o Orixá protetor dos povos Iorubás e os Santos protetores das cidades, tanto no Brasil, quanto em vários países do mundo, pois elas guardam a mesma essência: a de que existem forças superiores às nossas que cuidam de nossas cidades, de nossa “gente”.

O conhecimento sobre o Mundo Espiritual sofre os coloridos e contornos de cada povo e de cada cultura. Porém, a um olhar atencioso, é possível perceber como expressam as mesmas ideias, se bem que com maneiras diferentes.


O que importa, acima de tudo, é a fé.

As entidades de Umbanda sabem muito bem disso e, por esta razão, não discriminam nenhuma crença: se a pessoa tem fé num Orixá (qualquer que seja sua concepção de Orixá), a entidade incentivará que se apegue a essa fé, que ore para este Orixá; Se a pessoa tem fé num determinado Santo, a entidade também instigará essa fé, por que sabe que acima das formalidades e crenças, o ato da oração não se perderá e toda rogativa sincera encontrará resposta!

Portanto, reitero o que já escrevi em outros capítulos: a diversidade é valor da Umbanda, não defeito! Ninguém deve desprezar sua tradição ou seus costumes, simplesmente, por que aceitou fazer parte de um terreiro, pelo contrário, observará que cada vez mais encontrará um ambiente saudável religiosamente onde poderá deixar sua bagagem confortavelmente, ao passo que tantas outras novas concepções lhe serão acrescentadas.

Assim, se você reza para Ogum tendo nele o “senhor dos metais” o “Orixá guerreiro” ou se você simplesmente reza para “uma força guerreira”, tanto faz. Se você reza para São Jorge, vendo-o montando em seu cavalo ou apenas como uma metáfora, não importa: se a sua fé for verdadeira, sua rogativa será ouvida!

Até a próxima aula!

Leonardo Montes


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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 21 - PRINCIPIOS BÁSICOS DA RELIGIÃO


SEGUNDA PARTE

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Embora tenha deixado claro, na introdução deste curso, que a leitura que faço da Umbanda seja apenas uma das leituras possíveis, ressalto novamente que, daqui por diante, tudo que escreverei se refere, estreitamente, a doutrina que aprendi com as entidades e praticamos em nosso terreiro.

Como toda religião, a Umbanda tem seus princípios básicos, fundamentais, norteadores da sua prática e visão de mundo e, embora seja difícil enumerá-los todos, elencarei os principais, os pontos essenciais, que nortearão nossos estudos.

Deus

A Umbanda acredita em Deus. Mas, qual Deus? Existem milhares de religiões, cada uma com uma concepção diferente de Deus. O Deus que se acredita na Umbanda é o criador de tudo e de todos, do mundo espiritual e material, o mesmo que pode ser encontrado no Cristianismo e definido pelos espíritos à Kardec como: “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

Nós não sabemos como Deus existe ou se havia algo antes dele ou como nos criou. Estas questões são mistérios. Os nossos guias espirituais nos ensinam, contudo, que há um criador, soberano a tudo e a todos, a quem devemos sempre amar, louvar e agradecer.

Diabo?

Não existe a figura do diabo na Umbanda, nem demônios. A maldade não é fruto de um ser, mas da pouca evolução espiritual da alma humana. Deus não possui antagonista, pois seu poder é absoluto. Por esta razão, é totalmente incoerente a acusação que, por vezes, os inimigos da Umbanda nos direcionam, quando afirmam que somos adoradores do diabo... Como podemos adorar algo que nem sequer acreditamos que exista?

Jesus

Jesus é o governador espiritual da Terra, o líder supremo de todas as falanges espirituais, nosso mestre bem-amado e modelo de humanidade. Não é “o filho” de Deus, como se houvesse apenas um. É um filho de Deus, como todos somos, porém, mais evoluído, nosso irmão mais velho na caminhada espiritual.

Seus ensinos, os Evangelhos, são reiteradamente apontados pelas entidades como o caminho para a verdadeira libertação espiritual.

Espíritos

Somos espíritos, criados por Deus em algum momento e destinados a imortalidade. Nosso corpo é apenas a veste, a parte grosseira, material e perecível do nosso ser.

Os espíritos são criados “simples e ignorantes”, mas como potencialidades intelecto-morais latentes, cabendo a cada um desenvolvê-las por sua própria vontade.

Aqueles que alcançam certo grau evolutivo recebem a missão de retornar para ajudar a humanidade nesta caminhada, por isso são chamados de “guias”, pois como quem passou pelos caminhos que agora estamos passando, estes irmãos mais experientes estão aptos a nos “guiar” em nossa jornada.

Mundo Espiritual

Após a morte do corpo físico, a alma é libertada para retornar à sua verdadeira pátria: o Mundo Espiritual. Não se trata de um outro planeta, mas de uma série de dimensões vibratórias onde o espírito habita de acordo com a sua evolução.

Existem regiões venturosas como Aruanda (nome dado às colônias espirituais de trabalho e assistência onde comumente “residem” as entidades que se manifestam na Umbanda), mas também existem regiões purgatoriais e de sofrimento, destinadas às almas que, na Terra, espalharam dor e sofrimento.

O mundo material em que vivemos é apenas uma das faixas mais densas. Após a morte, a alma se libertando do veículo mais pesado, consegue peregrinar por regiões superiores, se evoluída ou é arrastada para regiões inferiores, se assim o merecer ou mesmo ficará atrelada à Terra se não for evoluída o suficiente para “subir” ou inferior o suficiente para “descer”. 

Não existem, porém, condenações absolutas e todas as almas, um dia, evoluirão.

Reencarnação

Na marcha evolutiva do espírito é necessário que, de tempos em tempos, ele tome um corpo material, renasça no mundo, volte a viver entre os homens, a fim de passar por provações ou expiações que, se bem aproveitadas, conduzirão a um degrau acima na escala evolutiva.

Não há número mínimo ou máximo de reencarnações, pois cada espírito empreende sua própria jornada que, diga-se, não se cumpre apenas em nosso mundo, mas na vastidão do cosmos, até que se atinja a perfeição espiritual, o que pode levar milhares, talvez, milhões de anos para acontecer.

Leis Espirituais

Existem leis: leis que governam a vida material (objeto de estudo da ciência) e leis que governam o mundo espiritual (objeto de estudo das religiões), seja na matéria ou fora dela, porém, existem leis inexoráveis, imutáveis, criadas por Deus, para a manutenção do universo.

Dentre as leis mais importantes na doutrina religiosa da Umbanda, podemos destacar: a lei de amor (todos somos criados para nos amarmos e nos auxiliarmos), lei de bondade (devemos ser bons no trato com os semelhantes), lei de liberdade (reconhecemos o direito das pessoas trilharem os caminhos que julgarem melhores para si), lei de retorno (cada um recebe a medida do bem ou do mal que causou aos outros), etc. 

O Bem

A prática do bem é distintivo da Umbanda. Como seres conscientes de nossas imperfeições e desejosos de ascensão espiritual, é nosso desejo sempre evoluir, progredir, melhorar, tornarmo-nos mais fraternos, melhores filhos, maridos, esposas, amigos, etc.

Toda a doutrina da Umbanda, calcada nos Evangelhos, impele o homem ao conhecimento de si mesmo, ao respeito à diversidade, facultando os meios de encontrar, especialmente pelos ensinos dos espíritos, o incentivo para a constante melhoria de nós mesmos.

Não há espaço na Umbanda para trabalhos que se afastem das leis Divinas ou que visem prejudicar o próximo.

Obs.: Por esta razão, fique certo do seguinte: se algum dia, em algum lugar, você visitar um terreiro de Umbanda e as pessoas ali presentes, bem como as entidades, derem alguma orientação que fira a moral, a ética, os ensinos de Jesus, esteja certo de que se trata, na melhor das hipóteses, de uma casa sem fundamentos e, neste caso, o meu conselho é que procure outra. A Umbanda não pode ser responsabilizada pela deturpação que pessoas sem conhecimento fazem em seu nome, como não podemos responsabilizar todos os evangélicos pelo abuso de alguns pastores...

Gratuidade

Para cumprir o seu papel de sempre fazer o bem, a religião arrasta consigo outro princípio coirmão do primeiro: a gratuidade. Os trabalhos de Umbanda são sempre gratuitos, nunca exigindo qualquer pagamento para realização de uma atividade espiritual, seja ela qual for.

As casas possuem liberdade para pedir contribuição material (vela, fumo, bebida, etc) ou financeira, mas nunca poderão impô-la: ajuda quem quer, como quer e se puder.

As despesas oriundas da casa podem ser divididas entre os membros da corrente ou supridas através de atividades como rifas, bingos, bazares, jantares, etc.

Obs.: Aqui farei um adendo semelhante ao anterior: se você visitar uma casa de Umbanda e alguém lhe obrigar a pagar, seja para um trabalho, um atendimento particular, enfim, o que quer que seja, a minha recomendação é que não aceite e procure outra casa.

Caridade

A caridade (isto é, o auxílio ao próximo pautado apenas no interesse em ajudar), é a tônica da religião e toda a doutrina e prática da Umbanda induz a considerar a caridade não apenas dentro, mas fora do terreiro, especialmente no lar, em família, no trabalho e na sociedade como metas de vida.

O umbandista aprende que não pode ser feliz sozinho e que deve fazer, por sua vez, todo o possível para auxiliar as pessoas que cruzarem seu caminho. Na impossibilidade de ajudar, deve tudo fazer para nunca atrapalhar a quem quer que seja.

Humildade

A humildade consiste no reconhecimento de nossas próprias limitações. Quem quer que se esforce em ter uma ideia mais completa de si mesmo, fatalmente esbarrará nos próprios limites.

Este pensamento foi resumido pelo próprio C7E, quando disse: aprenderemos com quem souber mais e ensinaremos aos que souberem menos. Na Umbanda, sempre há espaço para aprender, pois não importa quantos anos de caminhada tenha determinada pessoa, ela nunca saberá tudo.

Tradicionalmente, quem tem mais experiência ensina os novatos, mas nem por isso deixa de aprender com estes, já que todos que sinceramente se entregam ao saber espiritual acabam deixando algo de si pelos caminhos dos outros.

Todos são bem-vindos

Num terreiro de Umbanda, todos são bem-vindos: ricos, pobres, gays, artistas, anônimos, pessoas com ou sem religião, vestidas de terno e gravata ou de bermuda e chinelos, etc. Não importa!

Quando alguém procura um terreiro é que sente necessidade de algo que pode ser encontrado nele. Por esta razão, não há acepção de pessoas. Todos são bem-vindos, desde que se portem com dignidade e educação.

Ninguém é barrado por ser branco ou negro, rico ou pobre, estar de sapato ou de chinelos (embora frequentemente haja recomendação de se trajar roupas condizentes a um espaço religioso), todos são recebidos da mesma forma e sentam-se lado a lado, sendo atendidos da mesma forma, com o mesmo carinho e consideração, independente de quaisquer fatores que, socialmente, poderiam distingui-los.

Orações

A oração tem um papel fundamental na Umbanda, sendo comum que os trabalhos comecem e terminem com uma oração. A oração é a força mental que nos liga diretamente aos planos superiores, por isso recomenda-se atitude de recolhimento ao consulente, para que venha a colaborar com suas forças durante as orações.

As orações, frequentemente, são direcionadas a Deus, a Jesus, aos Orixás e também aos guias espirituais. Cada um orando da maneira que mais lhe agrade, sendo sempre mais importante a fé na hora da oração do que a forma da oração em si.

Passes

Os passes são transmissões de energia tanto das entidades, quanto dos médiuns, com o objetivo de revigorar nossas forças orgânicas e espirituais. O passe ajuda a manter o equilíbrio espiritual e nos dá mais disposição.

Se, porventura, estivermos “carregados” (isto é, com muitas energias densas), as entidades aproveitam o passe para fazer um “descarrego”, isto é, um trabalho de limpeza energética, para que possamos, justamente, ter equilíbrio físico, mental e espiritual.

A Umbanda é um verdadeiro hospital de almas, sempre pronta a amparar e a socorrer aqueles que a procuram.

Orientações

Após o passe, é comum as entidades dialogarem com as pessoas. É o momento íntimo, especial, onde o consulente (aquele que se consulta), terá a oportunidade de conversar com a entidade que está lhe atendendo, podendo pedir-lhe orientações sobre quaisquer setores da sua vida particular.

As entidades que comumente se manifestam na Umbanda são excelentes ouvintes, dispondo-se sempre a escutar e a orientar sejam quais forem os dramas de cada um.

Um terreiro de Umbanda é um verdadeiro consultório psicológico.

Considerações

Considero os princípios apontados como fundamentos básicos norteadores de toda casa séria de Umbanda. Não importa que seja vertente A ou B, se for uma casa séria, estes princípios serão percebidos a um olhar atencioso.

No correr dos próximos capítulos, porém, abordaremos outros tópicos importantes, que versam tanto sobre a doutrina, quanto pela prática e que deixarão mais claramente definidos os contornos da religião.

Até a próxima aula!

Leonardo Montes
           

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