terça-feira, 2 de julho de 2019

NATURALIZAÇÃO DA COBRANÇA POR CURSOS DE UMBANDA

Imagem do google

Quando iniciei meus estudos sobre a Umbanda com as entidades, uma das primeiras regras que elas me impuseram, foi: Você deverá passar aos outros o que aprender, pois o conhecimento não pode ficar apenas com você e nunca deverá cobrar nada por isso.

De lá, para cá, criei vários grupos de Whatsapp (muitos ainda funcionando com outras pessoas no comando), escrevi dois livretos, criei um canal no YouTube que já consta com mais de 38 mil inscritos e mais de dois milhões de visualizações (sem monetização) e agora este blog totalmente focado na Umbanda, fora as atividades semanais em nosso terreiro.

Eu - ainda pequenino no universo da espiritualidade -, um médium de corrente como qualquer outro, cumprindo o que me foi pedido pela espiritualidade e munido de boa-vontade, ao fazer tudo isso, fiquei a pensar: o que não poderiam fazer estes grandes estudiosos da religião que possuem décadas de experiência e conhecimentos muito maiores que os meus?

Se procurassem fazer uso dos meios tecnológicos (e gratuitos) existentes hoje em dia para colocar seus conhecimentos, seus cursos, seus saberes, ao alcance de qualquer um que se dispusesse a aprender, que contribuição dariam à religião!

Porém, boa parte resolveu por preço em seus conhecimentos...

Quando comecei a estudar sobre a religião também fiz esses cursos. Achei maravilhosa a ideia de poder aprender, à distância, aquilo que ninguém podia me ensinar (já que não fazia parte de nenhuma corrente) e me encantei com esse universo até que, um dia, fiz um curso muito fraco, com tutor totalmente despreparado, ríspido às dúvidas dos alunos e me desanimei. Nem cheguei a “pegar” meu certificado...

Pouco tempo depois recebi um email do tutor agradecendo aos 1.500 alunos que fizeram parte do referido curso, cada um pagando algo em torno de R$ 68,00 reais: 1.500 x 68 = R$ 102.00,00 (Cento e dois mil reais).

No prazo de um mês, com alguns vídeos bem “mixurucas”, aquele curso arrecadou mais de cem mil reais!

E isso virou uma indústria que cresce a cada dia (já com vários concorrentes) que lançam cursos toda hora, buscando convencer o umbandista e/ou simpatizante da necessidade de estudo (o que é ótimo), sobre a possibilidade de aprender pela internet (o que é maravilhoso), desde que se pague por isso (o que é péssimo).

Este novo conceito, entretanto, não se restringe apenas ao ambiente virtual, pois também se tornou comum em vários terreiros a cobrança pelo ensino...

Para a cobrança dos cursos dentro dos terreiros, a justificativa é que não se deve cobrar o atendimento espiritual que é feito pela entidade (que não precisa de dinheiro), mas o ensino não tem problema cobrar (pois é o tempo do estudioso) e não um trabalho espiritual. 

Contudo, pergunto, e a caridade?

As entidades não cobram por que trabalham para a caridade e não porque não precisam de dinheiro (apesar de não precisarem). Da mesma forma, o médium, o dirigente, enfim, quem quer que seja, deveria fazer o mesmo, passando adiante as informações que possui sem nunca esperar retribuição financeira por isso!

Há algum tempo vi uma chamada no facebook sobre um workshop sobre as ervas, realizado em um terreiro e que seria transmitido ao vivo pela internet. Fiquei vivamente interessado, mas ao buscar informações, descobri que a transmissão ao vivo seria feita num grupo secreto do facebook e que, para entrar, precisaria pagar R$ 90,00 reais. 

Desisti...

As entidades sempre me ensinaram que o médium deve sobreviver do seu salário, fruto do seu trabalho, da sua profissão e nunca – repito -, nunca do seu saber espiritual ou da sua mediunidade: não é ético, não é moral, não é normal! Deve-se viver “para a Umbanda” e não “dá Umbanda”...

Há pouco tempo recebi um email de um terreiro anunciando que faria desenvolvimento mediúnico (diga-se: Curso de) e que pedia uma contribuição mensal (MENSAL) de mais de cem reais por pessoa, dizendo que haviam APENAS 150 vagas. Vamos fazer as contas, novamente?

150 x 100 = R$ 15.000,00 reais mensais para realizar algo que as entidades fazem de graça em qualquer terreiro que ainda não esteja contaminado pela sede do “vil metal”, conforme sempre alertou o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

É por esta razão que chamo a atenção do leitor amigo que chegou até aqui: Não é normal se cobrar para ensinar. Isso não pode ser passado adiante como algo corriqueiro, aceitável e comum...

Há uma tentativa, por força da influência dos meios de comunicação que estas pessoas possuem, de convencer os umbandistas a aceitar a cobrança dos cursos como um recuso legítimo dentro da religião e não é!

É certo que os terreiros possuem gastos e estes frequentemente são bastante altos... Contudo, os guias sempre me ensinaram que a espiritualidade ampara cada um em seu trabalho, de modo que nenhum terreiro sério e firme fecha as portas por falta de recursos que chegam, não raro, voluntariamente através dos frequentadores ou de ações internas dos membros da própria casa.

Assim, faço um apelo à consciência dos leitores deste texto para pedir-lhes que reflitam sobre tudo que eu escrevi e se julgarem que estou em erro, por favor, continuem como acharem melhor. Porém, se concluírem que tenho razão, peço que não alimentem esse tipo de coisa, pois cada vez que você paga por um curso, você está contribuindo para degeneração de um dos principais fundamentos da religião: A gratuidade. 

Leonardo Montes
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5 comentários:

  1. Boa Leonardo! Não trocaria 30 minutos de conversa com uma entidade ao pé de uma fogueira por uma hora de Skype com alguém que se acha o suprassumo da Umbanda. Gratidão!

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  2. Tenho a mesma linha de Pensamento Léo, dai de graça o que de graça recebeste

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  3. Irmão conheci seu Blog ontem, e tudo que tenho lido nele, tem muita semelhança com a forma que penso, continue sempre, axé abraço fraterno de um irmão umbandista!

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