sexta-feira, 19 de julho de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 14 - A TENDA ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA PIEDADE

Tenda Nossa Senhora da Piedade - Imagem do google

Ainda em sua primeira manifestação na casa de Zélio de Moraes, o C7E teria dito que, assim como Maria (mãe de Jesus) acolhe a todos, a nova casa também o faria, aprendendo com quem soubesse mais, ensinando aos que soubessem menos e a ninguém virando as costas. Nascia a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

Vejamos algumas palavras de Leal de Souza, em seu já citado livro, sobre esta casa:

“Sob a presidência do Sr. Zélio Moraes, médium do Caboclo das Sete Encruzilhadas, erigida em sítio tranqüilo, entre arvores, a Tenda Nossa Senhora da Piedade é a casa humilde dos milagres...” Pág. 72

“A média mensal das curas de obsedados que iriam para os hospícios como loucos, é de vinte e cinco doentes, na Tenda da Piedade. Os espíritos que baixam nesse recinto não procuram deslumbrar os seus consulentes com o assombro de manifestações portentosas, mas as produzem muitas vezes, que lhas exigem as circunstâncias.

Os auxiliares humanos do Caboclo das Sete Encruzilhadas, na Tenda que é, por excelência, a sua Tenda, mesmo os que têm posição de revelo na sociedade, não se orgulham dos favores que lhes são conferidos e procuram, com doçura e humildade, merecer a graça de contribuir, como intermediários materiais, para a execução na Terra, dos desígnios do espaço.” Pág. 73

Ainda em sua primeira manifestação, o C7E determinou que o uniforme seria o branco e que não se deveria usar calçados (ou calçados de algodão). Os pontos seriam cantados sem ajuda de atabaques (há uma entrevista em que Zélio diz que para o chefe, atabaque era perda de tempo), assim como não se podia bater palmas para acompanhar o ritmo.

Nenhum trabalho poderia ser cobrado e todos que quisessem trabalhar deveriam fazê-lo pela caridade.

A Tenda Nossa Senhora da Piedade (TENSP, para facilitar), notabilizou-se pelo socorro aos “loucos” e pelo incansável trabalho espiritual realizado. Há um documento, disponibilizado por Lilia Ribeiro, provavelmente da década de 1970, e que nos dá dimensão do trabalho:

Segunda – caboclos;

Terça – caboclos e pretos-velhos;

Sexta – pretos-velhos.

Além disso, haviam sessões de desenvolvimento mediúnico, fechadas ao público, às quartas-feiras, divididas em duas partes: a primeira hora, com o desenvolvimento propriamente dito e a segunda, quando os trabalhadores poderiam se consultar com os guias da casa.

Na primeira quinta do mês havia uma sessão especial com o C7E e nas demais quintas havia um grupo de estudos, além de tantas outras tarefas. Haja fôlego!

O regimento interno da TENSP nos dá a impressão de que a casa era muito simples, bem organizada e disciplinada. Tudo ocorrendo conforme as determinações do chefe (como era chamado o C7E) e creio que assim continua até hoje.

A TENSP funcionou em vários locais do Rio de Janeiro e todos, infelizmente, se perderam. Em 2011, a primeira casa da TENSP foi demolida, o que causou muito reboliço na internet. As pessoas se indignavam com o “descaso”.

Porém, recentemente, na palestra já citada em outros textos desta série, Leonardo Cunha, bisneto de Zélio, reforçou que sempre houve preocupação da família em preservar a tradição e não necessariamente estruturas, sendo que seu bisavô era contrário a qualquer iniciativa que visasse culto, seja a personalidade dele, do chefe ou da tenda.

Além do mais, arrematou essa questão polêmica com um pensamento muito simples: Onde estavam essas pessoas que se indignaram pela derrubada da casa? Se queriam tanto preservá-la, por que não fizeram alguma coisa? Os membros da TENSP não tinham condições de comprar o imóvel que havia sido vendido, muitos anos antes, para outras pessoas...

Imagem do google
E isto é uma boa síntese do comportamento brasileiro na internet, ainda mais sobre as questões espirituais: reclama muito, produz pouco...

Alabanda

Hoje se sabe que, inicialmente, o nome do novo “culto” era Alabanda (Ala seria um aportuguesamento da expressão Alláh (Deus, em árabe), e banda (povo). Alabanda seria algo como: Povo de Deus. Era uma homenagem que o C7E havia feito para Orixá Mallet, uma das entidades que se manifestavam através de Zélio e que teria sido muçulmano em sua última encarnação.

Porém, o nome não soava bem e em algum momento foi substituído por Aumbanda, sendo Aum (Deus), banda (povo), mantendo o significado original, mudando apenas a forma de se escrever.

Acredita-se, contudo, que com o passar do tempo, as pessoas ao falarem o nome do “culto” de forma apressada (faça o teste mentalmente) – Aumbanda, acabaram separando o “A”, transformando-o em artigo para se referir a nova religião: a umbanda, portanto, Umbanda!

Existe a palavra “umbanda” entre os povos Bantus, onde é empregada como sinônimo de “curandeiro”, o que fez com que muitos pesquisadores no passado associassem a religião a estes povos (que no Brasil foram responsáveis por formar a nação Congo-Angola, do Candomblé), porém, como vimos, o nome da religião simplesmente não tem nada a ver com isso.

Atualmente

Atualmente, a TENSP realiza uma sessão pública mensal e está situada na rua José Ribamar Pereira Ramos, 271, em Cachoeira de Macacu, Rio de Janeiro, num sítio extremamente exuberante em natureza, com córrego, pedreira, enfim, o sonho de qualquer terreiro...

O número de visitantes é muito grande, razão pela qual, atualmente, é preciso agendar com antecedência a sua visita. Para se ter ideia, não há mais vagas para 2019 e o calendário de 2020 já está se formando.

A TENSP mantém seus trabalhos conforme trazidos pelo C7E há 110 anos.



Até a próxima aula!

Leonardo Montes

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