domingo, 23 de junho de 2019

NÃO IDOLATRE MÉDIUNS

Imagem do google

A mediunidade, para a maioria das pessoas, constitui-se do que se convencionou chamar de mediunidade de prova, ou seja, surge na vida de alguém como meio para quitar antigos débitos com o passado.

Por esta razão, não há mistério algum em dizer que a maioria dos médiuns são espíritos ainda inferiores, portadores de chagas morais desoladoras.

A Misericórdia Divina, infinita, permite venhamos à Terra em tarefa de trabalho espiritual como medida saneadora de nossas próprias imperfeições à medida que pagamos o mal com o bem.

Se os médiuns são, na maioria das vezes, espíritos inferiores, com pesadas dívidas com o passado, se comportarão santamente na Terra? Serão exemplos de virtudes? Certamente, a maioria não...

A imensa maioria lutará dia e noite contra suas sombras interiores, contra os arrastamentos que existem dentro de si, esfomeados, buscando apenas uma brecha para fazer ressurgir o homem velho que estava trancafiado, porém, não morto...

Por esta razão, é preciso ter muito cuidado para não confundir a pessoa (médium) com o exercício da mediunidade e não pensar, por exemplo, que o médium daquela entidade que você tanto gosta de conversar seja tão evoluído quanto a entidade que por ele se manifesta.

Embora seja dever do médium se esforçar em viver tudo aquilo que as entidades falam por sua boca, a realidade é que, não raro, a personalidade dele e da entidade destoam tanto que os consulentes menos avisados chegam a se assustar quando o conhecem mais de perto.

É preciso lembrar que a potencialidade mediúnica não guarda relação com a moral e que um médium muito bom não necessariamente é uma pessoa muito boa. Apenas o exercício mediúnico – e seus frutos - é que revelam o quanto o médium está ou não compromissado com a moral e o quanto sua faculdade será capaz de render.

Por esta razão, devemos ter prevenções em relação à bajulação em torno de algum médium e muito menos tolerância em relação à idolatria. Se eu mesmo, que não sou nada, já fui chamado várias vezes de mestre, imagina com que lisonja não são tratados alguns médiuns, especialmente se portadores de faculdade mediúnicas expressivas?

Conta-se que a esposa de Peixotinho (que foi um dos maiores médiuns de efeitos físicos da história), certa feita surpreendeu uma pessoa admirada com as faculdades mediúnicas do seu marido, dizendo:

- Peixotinho, você é o maior médium do Brasil!

Foi então que ela disse:

- O senhor se engana... Ele é o maior médium do mundo! Agora, falta só pendurar uma placa no pescoço dele e aguardar até que tombe... O que ele é na verdade, meu senhor, é um espírito muito endividado e que foi amparado pela bondade Divina com essa tarefa mediúnica.

É preciso cortar o mal pela raiz!

Entre as chagas mais comuns dos médiuns está a vaidade e quando o médium é vaidoso, não faltarão entidades infelizes que soprarão isso em seus ouvidos ao mesmo tempo em que instigarão nos consulentes, especialmente os que possuem baixa autoestima e excessiva carência, o ímpeto da bajulação e, não raro, o médium vaidoso estará sempre cercado de bajuladores!

Quando o médium erra, os bajuladores se afastam. Os admiradores viram as costas. A língua ferina não tarda em chicotear e o médium se revolta, sentindo-se vítima de ingratidão...

Por esta razão, advirto:

- Médium, não se sinta superior aos demais por conta da faculdade mediúnica que você possui, pois bastaria um sopro Divino para tirá-la. Não deixe os bajuladores transferirem para você as afeições e gratidões que são direcionadas às suas entidades. Sinta-se feliz e honrado pelo trabalho que o Alto lhe confiou, mas redobre seus cuidados em relação à vaidade, ao orgulho, a ganância, a luxúria e a todo tipo de paixão inferior que pode servir de isca às entidades perversas que aguardam o seu tombo!

Ao consulente, digo:

- Por mais se sinta agraciado pela caridade obtida pelas entidades de um médium, por favor, não crie maiores expectativas... O médium sob sua vista é um irmão de caminhada, lutando diariamente para ser uma pessoa melhor.... Elevá-lo a um patamar que ainda não é de seu merecimento servirá apenas para uma maior queda e decepção de sua parte! Saiba ser grato e reconhecido pelo esforço do companheiro, incentivando-o sempre a continuar com seu trabalho, mas não alimente nele o fogo das paixões que, mais rápido do que se pensa, poderá consumi-lo ainda vivo!

E que a espiritualidade nos conserve sempre a disposição para reconhecermos o que ainda não somos!

Leonardo Montes
Share:

0 Comments:

Postar um comentário

Os anos de internet me ensinaram a não perder tempo com opositores sistemáticos, fanáticos, oportunistas, trolls, etc. Por isso, seja educado e faça um comentário construtivo ou o mesmo será apagado.