sábado, 29 de junho de 2019

A UMBANDA FAZ O MAL?


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No dia 16/11/1908, uma nova luz se fez presente em terras Brasileiras. Foi o nascimento da Umbanda. Uma religião onde poderiam se manifestar os espíritos de ex-escravos e indígenas brasileiros (e com o tempo, outras linhas), trazendo sabedoria e caridade aos corações aflitos que lhes pedissem ajuda.

Em seus princípios simples, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, através do seu médium, Zélio Fernandino de Moraes, estabeleceu os fundamentos da prática umbandista, a começar por: A manifestação do espírito para a prática da caridade!

A Umbanda, desde o seu nascimento, elegeu a moral cristã como a base de todo o seu fundamento, o conhecimento espírita para direcionamento da sua prática mediúnica e a religiosidade africana como parte da sua cosmovisão. Três grandes forças da cultura brasileira se uniram para formar um campo religioso propício a prática da caridade mediúnica com base nos ensinamentos morais de Jesus.

Como religião “aberta”, ao longo do tempo, a Umbanda absorveu influências de diversos movimentos que, antes de se antagonizarem, apenas expressam a diversidade religiosa brasileira.

Mas, se a Umbanda só faz o bem, por que se acredita que ela faça o mal?

Desde o seu surgimento, a Umbanda sofreu tremenda pressão da religião dominante à época, com efusivas pregações contrárias ao seu objetivo, espalhando o medo e a desconfiança no coração de seus fiéis.

Politicamente, sua vida também não foi fácil. Só a partir da década de 1940 é que, em algumas capitais, foi possível registrar terreiros em cartórios, pois a Umbanda não era considerada religião, coisa, aliás, que ainda hoje vemos, basta pesquisar na internet…

Entretanto, toda essa difamação ganhou proporções épicas quando, ao final da década de 1970, com o surgimento de diversas Igrejas fundamentalistas, o preconceito religioso tomou vulto e todas as religiões acabaram sendo atacadas, mas com especial obstinação na Umbanda e no Candomblé, religiões de minorias, mas que, de alguma forma, pareciam incomodar profundamente tais líderes religiosos…

Ao longo de mais de quatro décadas, com grande poder aquisitivo e controle mediático, servindo-se de pregações públicas, jornais, rádio, televisão e, mais recentemente, do YouTube, milhões de pessoas foram influenciadas a acreditar que a Umbanda não apenas fazia o mal, como servia ao diabo e as entidades que nela se manifestam eram simplesmente demônios disfarçados.

É fácil imaginar o que quarenta anos de pregações negativas possam fazer com o conhecimento popular.

A Umbanda foi colocada no rol das coisas ruins, diabólicas, voltadas ao mal...

O fato, entretanto, é bem diverso.

A Umbanda não faz, nunca fez e nunca fará mal a ninguém. Se algum dia, em algum momento, você ouviu o contrário, ou lhe contaram uma mentira ou era algum desavisado que brinca em nome da religião. Coisa, aliás, que existe em todas elas…

A Umbanda também não adora o diabo. Aliás, nem sequer crê em sua existência...

Cremos que o mal existe no coração do homem que é, ainda, um espírito fraco em franca ascensão espiritual, mas não aceitamos a existência de uma entidade cujo poder equivalha ao de Deus.

Por consequência, as entidades que se manifestam na Umbanda, tais como: pretos-velhos, caboclos, crianças, marinheiros, boiadeiros, exus, pombagiras, etc., não são e nunca foram demônios. São espíritos, como nós, em processo de evolução espiritual e que descem à Terra única e exclusivamente para fazer o bem, auxiliar o próximo, prestar a caridade.

Surpreso com tudo isso?

Então, eu te convido a ter sua própria experiência.

Há diversos terreiros de Umbanda no Brasil, por que não visitar um? As chamadas Giras Públicas são abertas a todos e são gratuitas, onde qualquer um pode participar e ter sua experiência. Que tal?

Leonardo Montes


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domingo, 23 de junho de 2019

NÃO IDOLATRE MÉDIUNS

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A mediunidade, para a maioria das pessoas, constitui-se do que se convencionou chamar de mediunidade de prova, ou seja, surge na vida de alguém como meio para quitar antigos débitos com o passado.

Por esta razão, não há mistério algum em dizer que a maioria dos médiuns são espíritos ainda inferiores, portadores de chagas morais desoladoras.

A Misericórdia Divina, infinita, permite venhamos à Terra em tarefa de trabalho espiritual como medida saneadora de nossas próprias imperfeições à medida que pagamos o mal com o bem.

Se os médiuns são, na maioria das vezes, espíritos inferiores, com pesadas dívidas com o passado, se comportarão santamente na Terra? Serão exemplos de virtudes? Certamente, a maioria não...

A imensa maioria lutará dia e noite contra suas sombras interiores, contra os arrastamentos que existem dentro de si, esfomeados, buscando apenas uma brecha para fazer ressurgir o homem velho que estava trancafiado, porém, não morto...

Por esta razão, é preciso ter muito cuidado para não confundir a pessoa (médium) com o exercício da mediunidade e não pensar, por exemplo, que o médium daquela entidade que você tanto gosta de conversar seja tão evoluído quanto a entidade que por ele se manifesta.

Embora seja dever do médium se esforçar em viver tudo aquilo que as entidades falam por sua boca, a realidade é que, não raro, a personalidade dele e da entidade destoam tanto que os consulentes menos avisados chegam a se assustar quando o conhecem mais de perto.

É preciso lembrar que a potencialidade mediúnica não guarda relação com a moral e que um médium muito bom não necessariamente é uma pessoa muito boa. Apenas o exercício mediúnico – e seus frutos - é que revelam o quanto o médium está ou não compromissado com a moral e o quanto sua faculdade será capaz de render.

Por esta razão, devemos ter prevenções em relação à bajulação em torno de algum médium e muito menos tolerância em relação à idolatria. Se eu mesmo, que não sou nada, já fui chamado várias vezes de mestre, imagina com que lisonja não são tratados alguns médiuns, especialmente se portadores de faculdade mediúnicas expressivas?

Conta-se que a esposa de Peixotinho (que foi um dos maiores médiuns de efeitos físicos da história), certa feita surpreendeu uma pessoa admirada com as faculdades mediúnicas do seu marido, dizendo:

- Peixotinho, você é o maior médium do Brasil!

Foi então que ela disse:

- O senhor se engana... Ele é o maior médium do mundo! Agora, falta só pendurar uma placa no pescoço dele e aguardar até que tombe... O que ele é na verdade, meu senhor, é um espírito muito endividado e que foi amparado pela bondade Divina com essa tarefa mediúnica.

É preciso cortar o mal pela raiz!

Entre as chagas mais comuns dos médiuns está a vaidade e quando o médium é vaidoso, não faltarão entidades infelizes que soprarão isso em seus ouvidos ao mesmo tempo em que instigarão nos consulentes, especialmente os que possuem baixa autoestima e excessiva carência, o ímpeto da bajulação e, não raro, o médium vaidoso estará sempre cercado de bajuladores!

Quando o médium erra, os bajuladores se afastam. Os admiradores viram as costas. A língua ferina não tarda em chicotear e o médium se revolta, sentindo-se vítima de ingratidão...

Por esta razão, advirto:

- Médium, não se sinta superior aos demais por conta da faculdade mediúnica que você possui, pois bastaria um sopro Divino para tirá-la. Não deixe os bajuladores transferirem para você as afeições e gratidões que são direcionadas às suas entidades. Sinta-se feliz e honrado pelo trabalho que o Alto lhe confiou, mas redobre seus cuidados em relação à vaidade, ao orgulho, a ganância, a luxúria e a todo tipo de paixão inferior que pode servir de isca às entidades perversas que aguardam o seu tombo!

Ao consulente, digo:

- Por mais se sinta agraciado pela caridade obtida pelas entidades de um médium, por favor, não crie maiores expectativas... O médium sob sua vista é um irmão de caminhada, lutando diariamente para ser uma pessoa melhor.... Elevá-lo a um patamar que ainda não é de seu merecimento servirá apenas para uma maior queda e decepção de sua parte! Saiba ser grato e reconhecido pelo esforço do companheiro, incentivando-o sempre a continuar com seu trabalho, mas não alimente nele o fogo das paixões que, mais rápido do que se pensa, poderá consumi-lo ainda vivo!

E que a espiritualidade nos conserve sempre a disposição para reconhecermos o que ainda não somos!

Leonardo Montes
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sexta-feira, 21 de junho de 2019

MÉDIUM BANDA LARGA

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Estava ouvindo uma rádio espiritualista na internet, cujo conteúdo é relativamente interessante, quando me deparei com um tipo de programa que há tempos não ouvia, embora saiba ser comum: consultas por telefone.

O processo é simples:

A pessoa liga para o programa, fala seu nome, data de nascimento e faz uma pergunta. Quem lhe responde é o condutor do programa que, quase sempre, atribui a si algum título estranho com palavras esquisitas.

Embora eu não dê nenhum crédito a programas desta natureza, resolvi acompanha-lo, pois me impressionou a rapidez com que o apresentador devolvia as respostas.

Lembro-me de uma moça querendo saber sobre um emprego. Ela mal terminou de fazer a pergunta e imediatamente ele respondeu:  É seu!

Logo em seguida, um rapaz querendo saber se voltará com a namorada. Após algum rodeio, tentando sondar a reação do jovem com palavras amenas, ele concluiu: Voltará, mas não no tempo que você deseja!

Em questão de segundos, o apresentador era capaz de sondar o passado, o presente e o futuro dos seus ouvintes!

Eu não sei o que me impressiona mais: Se os “médiuns” que realizam este tipo de programa ou se as pessoas que acreditam que, realmente, alguém que nunca viram em questão de segundos poderá lhes dar uma resposta verdadeira.

Você já parou para pensar em como esta pessoa obteria as respostas? Como ela poderia, tão rapidamente, ter acesso a estas informações? Eu lhe ajudo: É simplesmente leitura fria.

Observe, o modus operandi é sempre o mesmo:

Se a pessoa fala de forma extrovertida, alegre, alto astral, tudo que ela pergunta dará certo: Seja emprego, reatar casamento, fazer uma nova faculdade, tudo maravilhoso!

Se a pessoa é insegura na fala, tudo dependerá. Respostas como: Talvez você consiga, você precisará se empenhar mais, está em suas mãos, surgirão rapidamente.

Se o tom da voz passa melancolia, tristeza, prostração, o apresentador dirá que não dará certo, que o relacionamento acabou, que a pessoa precisa partir para outra e procurará orientá-la a buscar algum tratamento espiritual, marcar uma consulta com ele, etc.

O objetivo é muito simples: Convencê-lo de que o apresentador realmente é um médium extraordinário, um vidente fantástico, um paranormal de mão cheia, enfim, alguém que realmente tem um poder incrível e que poderá lhe ajudar, desde que você pague a quantia certa... Enfim, estes programas servem para atrair clientes, nada mais!

*

Da mesma forma, desconfie sempre que alguém disser possuir informações espirituais sobre você, principalmente, fora do ambiente religioso. Quase todos os que conheci e que afirmavam poder ler a energia das pessoas, falar sobre o passado ou o futuro só por terem encostado em alguém, eram pessoas perturbadas, carentes e que desejavam chamar a atenção... 

Ainda que a pessoa seja médium, sensitiva, etc., ela não obterá, seja por si ou por uma entidade, as informações na hora que ela quiser. Simplesmente, não é assim que funciona!

Se você é médium em terreiro, já deve ter notado que, muitas vezes, mesmo o consulente estando cara-a-cara com a entidade não é fácil obter informações espirituais sobre a pessoa, em razão das dificuldades energéticas do processo, a postura do próprio consulente e, acima de tudo, a insegurança do médium... Imagina, agora, conseguir tudo isso por telefone, fazendo live no facebook ou simplesmente por ter encostado em alguém....

Porém, talvez eu esteja ultrapassado com a minha conexão discada com o além, já que me parece ter por aí muito médium banda larga (até com fibra óptica...).

Leonardo Montes

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quarta-feira, 19 de junho de 2019

CURA NOS TERREIROS

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Os trabalhos de Umbanda, quando bem executados, produzem maravilhas que tocam o coração e a alma. Entre essas maravilhas, certamente, figuram os casos de curas espirituais de modo que todo terreiro têm uma porção de histórias para contar.

Quem nunca viu alguém chegar quase “arrastado” no terreiro e, ao longo de algumas giras, sair totalmente curado? Quantas pessoas não procuram a “medicina do além”, uma vez que os médicos da Terra nada mais podem fazer?

Tenho visto e testemunhado verdadeiros milagres em minha vida espiritual na Umbanda de modo que, não tenho a menor dúvida em afirmar, o terreiro é, de fato, um hospital de corpos e almas.

Contudo, é preciso frisar, especialmente aos médiuns novatos, o seguinte: Quem cura é a espiritualidade, com a permissão de Deus, através da fé e sempre conforme o merecimento de cada um!

Não há nenhuma razão para que o médium se sinta superior aos demais por ter um guia que trabalha com a cura ou por ser ele mesmo um médium de cura. O Velho sempre fez questão de me ensinar que a cura vem através da fé da pessoa e não por causa do médium.

Leonardo Montes


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quinta-feira, 13 de junho de 2019

MAGIA NEGRA

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Embora os estudantes de magia neguem o qualificativo “negro” aos trabalhos que visam o mal (isto é, aos trabalhos que vão contra as leis Divinas), afirmando que não existe magia negra, como não existe magia rosa, verde, etc., o fato é que, sim, magia negra existe.

A expressão magia negra não tem nada a ver com a “magia dos negros”, sendo utilizada pelas próprias entidades para descrever trabalhos espirituais que lidam com energias densas, trevosas, maléficas e que, por possuírem baixa vibração espiritual são de coloração escura e daí a origem do termo.

Muito me surpreende os magistas de hoje afirmarem que magia não tem cor... Certamente desconhecem os relatos dos médiuns videntes que enxergam, claramente, em trabalhos de cura, fluidos esverdeados pelo ambiente ou irradiações azulíneas em trabalhos de harmonização e equilíbrio...

Tudo vibra e emite cor e, portanto, magia tem cor!

O que dá cor a magia, naturalmente, é a intencionalidade do ato e as vibrações emitidas durante os trabalhos.

Felizmente, a maioria das pessoas que se definem como praticantes de magia negra ou “magos negros” não o são. Quando muito, são pessoas ingênuas e iludidas em relação à sua própria força, acreditando-se senhores onde não passam de escravos... Contudo, sim, existem alguns que são mesmo ligados a espíritos trevosos e capazes de usar toda a força espiritual que possuem para arrasar com a vida de alguém...

A Umbanda surgiu como uma linha de combate aos trabalhos de magia negra que estavam bastante em evidência no início do século XX (basta observar, igualmente, a crescente onda místico-magistica em fins do século XIX), pois a maioria dos interesses espirituais da época estava, justamente, em trabalhos que visavam a satisfação da própria vontade e, não raro, o combate ao outro.

E, ao contrário do que muita gente pensa, atuar diretamente no combate a magia negra não era atribuição dos exus e, sim, dos caboclos. Eles eram os verdadeiros “corta-demanda”, sendo muito eficientes em trabalhos dessa natureza. Aos exus cabia (como ainda cabe) o enfrentamento aos espíritos trevosos e a segurança espiritual dos médiuns e dos terreiros.

Neste sentido, a Umbanda foi chamada por muitos de “magia branca”, apesar das entidades preferirem, inicialmente, a expressão “linha branca”, isto por que a atuação das entidades se dava no sentido de limpar, descarregar, portanto, “clarear” o aspecto espiritual de alguém.

É importante deixar evidente que os termos aqui utilizados não têm nada a ver com a cor da pele e sim, repito, com a coloração das irradiações espirituais que tendem a ser mais claras (e não necessariamente branca) quando mais evoluídas e mais escuras (e não necessariamente preta) quando menos evoluídas.

É com base nesta observação espiritual das irradiações energéticas que surgiram os termos “magia branca e magia negra”.

Se uma pessoa procura um terreiro de Umbanda sofrendo por conta de trabalhos de magia negra, a primeira coisa que as entidades fazem é descarregá-la, o que nem sempre é possível realizar em apenas um trabalho, sendo mesmo um processo de limpeza e não um ato de limpeza, a fim de que, gradativamente, as energias negativas que estejam em seu campo áurico, por força do trabalho negativo recebido, sejam dissipadas lentamente para não causar grande abalo na saúde física, mental e espiritual do consulente.

Em seguida, as entidades prestarão auxílio moral, a fim de fortalecer o consulente, levando-o a compreender a importância da sua própria colaboração no processo de libertação a que está sendo submetido, a força da oração como o mais completo escudo protetor e a relevância dos pensamentos e sentimentos equilibrados para a manutenção da paz em si mesmo.

Podem receitar banhos, defumações, orações, enfim, toda uma gama de recursos cabíveis dentro da Umbanda.

É importante não perder de vista que, embora seja real a possibilidade de um trabalho negativo nos alcançar, é preciso admitir que só nos atinge por nossas brechas morais e emocionais. Se fôssemos firmes na fé, não seríamos atingidos... Por esta razão, o consulente precisa fazer a sua parte e não apenas esperar que a entidade faça um milagre por ele.

Conforme a origem do trabalho e os efeitos idealizados, bem como o tamanho das brechas morais do consulente, o tratamento adequado pode levar de algumas semanas a alguns meses para ser concluído. Neste terreno, ninguém pode, previamente, prescrever uma duração, pois o desfecho dependerá da motivação de quem fez a magia (que pode ser tentada novamente) e do desejo real e sincero do consulente em se livrar dessa carga.

Seja como for, a Umbanda tem muitos recursos para auxiliar quem passa por isso, embora não dá forma milagrosa e sem esforço, como muitos gostariam que fosse.

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segunda-feira, 10 de junho de 2019

AMBIENTES CARREGADOS


Tudo retém energia. Nossos pensamentos e sentimentos são capazes de externar forças psíquicas que levam parte da nossa energia ao nosso redor. É assim, por exemplo, que um objeto de valor sentimental passa a ter parte da nossa energia retida nele e, a longo prazo, ele se torna cada vez mais querido, haja vista o acúmulo de magnetismo exteriorizado nele.

O mesmo se dá em relação a todos os ambientes.

Um dos grandes dramas dos médiuns novatos é compreender que não dá para ser um bom médium, um bom instrumento da espiritualidade, frequentando os mesmos lugares de antes.

Não quero dizer que o médium deva se tornar um misantropo, mas se deseja viver em harmonia e equilíbrio deverá evitar todos os ambientes energeticamente carregados. Assim, as entidades sempre me recomendaram evitar: Motéis, bares, aglomerações, etc. Vou contar dois exemplos.

Eu residia numa casa próxima de um bar. Por experiências anteriores, eu evitava a todo custo entrar em um... Porém, estava muito quente e desejava tomar um refrigerante... Era domingo, noite e não havia mais nada aberto ali por perto.

A sede foi mais forte, entrei no bar. 

Assim que dei o primeiro passo, tive a impressão de que o ar estava pesado, denso, como se entrasse noutro ambiente. Haviam poucas pessoas ali, comprei o refrigerante e voltei para casa.

Assim que entrei, minha esposa disse:

- Nossa, que cheiro de cigarro!

Eu não senti nada, mas ela afirmava sentir um cheiro forte de cigarro (não havia ninguém fumando no bar). Algum tempo depois, observei que me tornara mais lento, meio incomodado, mas logo passou.

Não fiquei mais do que alguns minutos ali dentro, mas foi o suficiente para pegar alguma carga.

Talvez alguém diga: É questão de sintonia, você pegou isso por que estava energeticamente vulnerável... Ok, é verdade! Porém, quem não está? O princípio é válido e correto, mas quem é que consegue manter-se o tempo todo em alto diapasão? Somos muito mais suscetíveis às energias densas do que gostaríamos de admitir...

O outro caso é de um senhor, médium, que trabalhava num motel.

Para todos os efeitos, ele era apenas mais um funcionário da empresa... Porém, a medida que desenvolvia sua mediunidade, sentia-se mais vulnerável, mais fraco e mais atacado.

Certa feita, queixando-se disso ao chefe espiritual da casa, o mesmo lhe disse:

- Filho, mas olha onde você trabalha...

A pessoa objetou, disse que era o seu ganha pão, que ali era apenas um serviço como qualquer outro, ao que a entidade respondeu:

- Eu sei, filho... Porém, você precisa procurar outro lugar... A sua coroa está se abrindo e as energias não se preocupam se você tem que trabalhar ou não... Elas estão aí, circulando e vão afetar todo mundo, inclusive e, principalmente, você.

Eis, portanto, um fato que me parece incontestável: Não dá para ser o mesmo de antes. Se o médium quer mesmo servir, trabalhar e evoluir não precisará, repito, tornar-se um misantropo, afastando-se da sociedade ou deixar de beber sua cervejinha costumeira...  Porém, não dá para achar que pode entrar em qualquer ambiente carregado e sair de lá livre, leve e solto como se não o influenciasse, pois certamente influenciará.

Leonardo Montes

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quinta-feira, 6 de junho de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 11 - ZÉLIO DE MORAES


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A história de Zélio Fernandino de Moraes (10/04/1891 – 03/10/1975), embora relativamente conhecida hoje em dia, ainda é recheada de lacunas que, espero, sejam preenchidas um dia.

Sem dúvida, o nome de Zélio deve ser lembrado, não apenas como o médium-fundador da Umbanda ou como médium do Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas como o de alguém que, durante toda a sua vida, tudo fez para viver coerentemente os valores da religião.

E trago estas certezas não apenas por tudo aquilo que os livros dizem sobre ele ou mesmo o que os seus familiares contam, mas também – e especialmente – sobre aquilo que as entidades me diziam sobre ele:

- Zélio era um dos médiuns como poucos foram no mundo... Certa vez me disse o Pai Cipriano.

A história a que me refiro, contudo, pode ser facilmente encontrada na internet em inúmeras versões mais ou menos acertadas. Seja como for, trarei aqui um breve resumo de cunho pessoal:

Zélio nasceu numa família católica de classe média (e branca) em São Gonçalo, Rio de Janeiro, em 1891, filho de Joaquim Costa e Leonor de Moraes. Recentemente, numa interessantíssima entrevista, o bisneto de Zélio, Leonardo Cunha, revelou que seu trisavô, Joaquim, era proprietário de uma fábrica de cerâmicas, o que proporcionou à família uma condição financeira muito boa.

Quando Zélio contava 17 anos (1908) e se preparava para ingressar na Marinha, uma série de estranhos ataques começaram a se abater sobre ele. Não está muito claro como eram esses ataques, porém, sabe-se que na fase mais aguda, teria ficado de cama, sem poder andar.

A família, buscando alguma solução para o caso, procurou ajuda em um parente padre, que nada teria visto de anormal no garoto e também em um tio médico, que igualmente nada diagnosticou.

Alguém teria dito a mãe do rapaz que se tratava de um “caso de Espiritismo” e que deveriam buscar ajuda na Doutrina Espírita.

Assim, apesar de católico, o pai de Zélio resolveu levá-lo a um centro espírita.

A sessão

As sessões espíritas no começo do século XX eram bem diferentes das atuais. Iniciavam-se com preleções evangélicas e, em seguida, abria-se espaço para as manifestações espirituais onde os médiuns, sentados à mesa principal, onde normalmente havia um forro branco (daí a gíria: Mesa Branca), recebiam os espíritos necessitados que eram atendidos ali mesmo, na frente de todos.

Foi num ambiente semelhante a este que Zélio esteve com seu pai em 15/11/1908.

Após a preleção inicial, o Sr. José de Souza, presidente da sessão, disse que iriam passar à segunda fase dos trabalhos, onde seriam atendidos os espíritos enfermos.

Os médiuns já estavam à mesa, em oração e concentração, quando Zélio, apossado de uma estranha força, levanta-se e diz no meio do salão:

- Aqui falta uma flor!

Dirige-se para fora do centro espírita e, sob olhares atônitos, volta com uma flor que deixa sobre a mesa, retornando ao seu lugar em seguida (quem conhece o rigor dos procedimentos espíritas, deve imaginar que esta atitude não foi bem vista).

Assim que a sessão se iniciou, porém, os médiuns começaram a receber espíritos de ex-escravos e indígenas que foram imediatamente rechaçados pelo dirigente da sessão. Imagino, isto é, especulo, que ao invés de se colocarem na posição de quem pede ajuda, como é típico nas desobsessões, esses espíritos começaram a trazer conselhos, orientações, palavras de ordem evangélica, o que não foi bem visto.

Vamos recordar, conforme já estudamos, que o negro era socialmente visto como inculto, incivilizado, inferior, ao passo que o índio era preguiçoso, marginalizado, selvagem... Assim, quando se manifestavam nos centros espíritas, era para receber ajuda e não para ajudar.

Contudo, vamos recordar mais uma vez o que estudamos no capítulo passado: Não era preconceito religioso, era o reflexo religioso do preconceito que havia em toda a sociedade...

Subitamente, Zélio sentiu-se apossado, novamente, de uma estranha força e, enquanto o dirigente tentava normalizar a situação, levantou-se e disse:

- Por que repelem estes humildes sem sequer ouvir suas palavras? Será preconceito?

Houve, então, um intenso debate no meio do trabalho.

Em algum momento, um médium vidente se dirige a Zélio e pergunta:

- Por que fala desta forma se estou vendo um padre?

- O que você vê são os restos de minha antiga veste carnal, quando fui padre jesuíta.

- Por que deseja que aceitemos a presença destes espíritos que são claramente atrasados?

Ao que “Zélio” teria respondido:

- Se julgam estes espíritos atrasados, amanhã fundarei, na casa do meu aparelho, um culto que falará aos humildes.

Com ironia, o médium perguntou:

- Julga que alguém irá assistir a seu culto? E qual o seu nome?

- Eu colocarei um mensageiro em cada colina de Niterói avisando que amanhã darei início a um culto onde espíritos de pretos e de índios poderão se manifestar e trazer a sua caridade e se queres saber meu nome, que seja: Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois não haverá caminhos fechados para mim!

As narrativas não dão conta do que teria acontecido ao término da sessão, apenas o que se passou no dia seguinte, que será abordado em nosso próximo capítulo.

Curiosidades sobre Zélio

As narrativas sobre a personalidade de Zélio de Moraes nos dão a conhecer um homem dedicado a família, resoluto em suas decisões e obediente às ordens de seus guias espirituais. Alguém que realmente viveu a caridade de forma desinteressada, sem nunca ter auferido ganho financeiro pelo trabalho realizado.

Profissionalmente, dedicou-se à farmácia e durante dois mandatos foi vereador em São Gonçalo, no período de 1924-1929, atuando, principalmente, na educação.

Viveu de forma praticamente anônima, realizando seu trabalho na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade durante toda a sua vida, afastando-se somente nos últimos anos, por problemas de saúde.

Somente na década de 1970, com a divulgação feita por Ronaldo Linares, é que Zélio tornou-se nacionalmente conhecido.

O Velho (Pai Cipriano), sempre me falou de Zélio como um médium formidável, alguém que realmente procurou viver a Umbanda de forma plena, sendo um exemplo de pessoa e médium.

Entretanto, muito pouco sabemos sobre este valoroso trabalhador, que nunca permitiu (como todos os verdadeiros missionários), que se fizesse culto à sua personalidade e nem mesmo gostava que o chamassem de “Pai Zélio”, como é tão comum hoje em dia...

Zélio de Moraes foi o espírito escolhido para romper com os ciclos de viciações mediúnicas que imperavam no Brasil àquele tempo, conforme já estudamos. Por esta razão se encarnou e dedicou toda a sua vida, seu tempo e suas forças em prol do próximo, pavimentando uma via pela qual caminhamos hoje em dia com relativa segurança.

Sem dúvida, entrou para a história da espiritualidade na Terra como alguém que santificou sua mediunidade, sendo modelo para todos nós de modo que, se hoje temos a Umbanda, devemos agradecer a Deus por nos ter enviado este missionário!

História ou Mito?

Ainda hoje, muitos pesquisadores classificam a história de Zélio de Moraes como um “mito de origem”, isto é, uma narrativa a partir da qual estabeleceu-se os fundamentos de uma nova religião ou movimento segundo uma concepção mitológica, não factual.

Não se levou em consideração as gravações em que o próprio Zélio conta sobre sua experiência, o depoimento de amigos e familiares atestando a veracidade da história, ela foi – e continua sendo – entendida como um mito.

Um dos principais argumentos para isso foi que não houve sessão na Federação de Niterói em 15/11/1908, logo a narrativa não seria verdadeira. Mas, será mesmo?

O que ocorreu, na verdade, foi uma confusão quanto ao local.

A sessão que Zélio participou foi a do Centro Espírita Santo Agostinho que cedia, à Federação Espírita do Rio de Janeiro, na cidade de Niterói, uma sala para a realização de suas atividades, já que a federação não tinha sede própria.

Lembre-se que Zélio foi levado por seu pai através de indicações de um amigo. Assim, é possível que, naquele tempo, o referido centro fosse conhecido por “federação”, já que a federação realmente usava uma das salas da instituição.

Esta pesquisa só foi possível recentemente, o que nos mostra uma das facetas mais incríveis da história: a capacidade de ir se transformando conforme novos fatos se apresentem!

Além do mais, a pesquisa acadêmica sobre a Umbanda sempre me pareceu acentuadamente ideológica, retratando a religião como um movimento de “embranquecimento” e, com isso, perda das raízes negras em razão de uma classe média “consumidora” que adorava e odiava o feitiço ao mesmo tempo, como nos narrou João do Rio (visão esta, aliás, que relegou a Umbanda ao desprezo acadêmico).

Os grandes pesquisadores, apoiados nesta ideologia, não aceitavam que uma pessoa de classe média, branca, pudesse ter fundado um movimento novo, vendo em Zélio apenas alguém que ressignificou aquilo que os negros já faziam... É o velho problema de toda ideologia: torcer a realidade para caber em um modelo...

O mito, contudo, está em classificar a Umbanda como uma religião afro-brasileira, ignorando toda a conjuntura espiritual do seu nascimento, que não se deu entre os ex-escravos, seus descendentes ou nas favelas, mas no seio de uma família católica, branca e de classe média do Rio de Janeiro no início do século XX.

É claro que, espiritualmente, essas discussões sociológicas pouco importam. Contudo, na construção de uma narrativa histórica sobre a Umbanda, o quadro é bem diverso e se torna muito importante esclarecer este equívoco que ainda teima em perdurar em livros sobre o assunto.

A Umbanda é uma religião brasileira!

Até a próxima aula,

Leonardo Montes


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terça-feira, 4 de junho de 2019

PILHA DE EGUM

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Algum tempo atrás, deparei-me com um conceito estranho e interessante ao mesmo tempo: Pilha de Egum.
Pilha, como sabemos, é um dispositivo capaz de produzir energia elétrica através de um processo químico interno. Egum, termo comum no Candomblé, quer dizer: alma da pessoa morta.
Em linhas gerais, pode-se usar o termo Egum para ser referir ao espírito, seja ele bom ou ruim.
Uma Pilha de Egum seria, portanto, uma pessoa que alimenta energeticamente um espírito, ainda que não tenha consciência disso. Mas, como é possível?
Passeando por grupos de facebook não é raro encontrarmos alguém se dispondo a: casar, separar, trazer dinheiro, afastar pessoas e, algumas vezes, a fazer o mal explicitamente.
O curioso é que essas pessoas quase sempre se apresentam em perfis falsos, colocando fotos diversas ou desenhos como avatar, não se expondo de verdade. Atendem por Whatsapp, email ou Skype e parecem dispor de espíritos ao seu redor a qualquer hora para fazer qualquer tipo de trabalho.
Da mesma forma, não é incomum encontrarmos anúncios em postes elétricos pela cidade de pessoas oferecendo a mesma coisa.
Até certo ponto, é compreensível que quem esteja sofrendo busque desesperadamente uma saída para sua dor. E esses desesperos podem fazer com que tais pessoas cheguem até esses "poderosos" senhores do destino alheio…
Mas, pensemos: se esta pessoa que diz fazer tudo quanto é tipo de trabalho espiritual fosse bom mesmo, por que precisaria de anúncio? Sua fama não falaria por si só? Por que ficaria fazendo repetidas postagens ou colando anúncios em postes?
Se caso chegássemos a conhecer um destes, veríamos que quase sempre são pessoas extremamente perturbadas que estão longe de viver na mansão que deveriam ter (já que muitos afirmam poder realizar trabalhos de prosperidade com garantia...).
Não possuem carro do ano, não vestem as melhores roupas e quase sempre estão em relacionamentos amorosos, profissionais ou familiares extremamente perturbados ou desgastados.
Não seria de se esperar dessas pessoas que oferecem pactos, seja com quem for, que ela própria fosse o espelho do sucesso que diz poder trazer ao outro?
Essas simples reflexões bastariam para reconhecermos os picaretas de plantão, dispostos sempre a ganhar dinheiro facilmente...
Bom, mas e a pilha?
Sabemos que cada pessoa vibra numa sintonia. Quem vibra numa sintonia de maldade, atrai maldade.
Logo, se esses camaradas realmente chegam às vias-de-fato, se realmente chegam a fazer algum tipo de trabalho, é quase certamente voltado a espíritos muito inferiores que, justamente por isso, agem por conta de uma concepção própria de lei, do seu próprio código de ética, onde, quase sempre, não se encontra o item: obedecer a um senhor!
Esses espíritos simplesmente se aproveitam dessas pessoas para sugar suas energias, deixando-as cada vez mais afundadas em problemas e dificuldades físicas, afetivas, profissionais e, não raro, mentais! E não apenas quem faz, mas quem se mete a procurar esse tipo de trabalho também...
A pessoa que entra neste caminho está destinada a afundar-se cada vez mais. Poderá, a princípio, obter algumas vantagens, pois para dominar é preciso primeiro iludir...
Mas, logo perderá sua paz, seu amor e tudo de bom que possui, simplesmente, porque estará lidando com entidades que só querem satisfazer seus próprios desejos e aproveitarão a energia dos encarnados que voluntariamente as procurarem.
Por isso são Pilhas de Eguns
Muitos espíritos, normalmente carregando enormes viciações, gostariam de poder beber, fumar (não confundir com os elementos de trabalho da Umbanda), comer, praticar sexo e tudo o mais.
Como não possuem mais um corpo físico para isso, o que lhes sobra é: incorporarem-se num médium para satisfazer seus desejos (o que é mais raro) ou aproximar-se destas pessoas e sugar-lhes as energias durante os trabalhos (o que é mais comum), o famoso “encosto”, como popularmente se diz.
Bom, sem prolongar demais o assunto, fica o alerta: desconfie de quem diz poder fazer tudo num passe de mágica. Se a pessoa realmente tem entidades a seu dispor, se pode trazer dinheiro, se pode fazer dobrar de joelhos qualquer homem ou mulher, ele deveria morar numa mansão, ter um carro importado, um companheiro (a) belíssimo e uma vida bastante próspera.
Não é isso que se vê. 
São escravos, mas se acreditam senhores!
Além do mais, esses trabalhos negativos só trazem atraso para quem os procura ou para quem os faça. Fuja disso, não arrume mais dor de cabeça para sua vida!
Leonardo Montes
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