quarta-feira, 15 de maio de 2019

LEI DE SALVA!

Imagem do google

A famosa Lei de Salva, presente na Umbanda desde os seus primórdios e praticamente esquecida hoje em dia, é uma condição bastante especial e que convém reflitamos muito.

Atualmente, entende-se que esta lei seja uma espécie de exceção à regra da gratuidade, como se anunciasse: Em algumas situações, o médium pode auferir ganho para si em razão da atividade espiritual exercida, como uma forma de compensação ao trabalho realizado, ao desgaste energético, ao uso de elementos, etc.

Entretanto, O Velho me ensinou algo bem diferente...

A Lei de Salva era aplicada, antigamente e corretamente, em casos extremos, urgentes e necessários, quando o membro do terreiro por questões de doença, dificuldades financeiras ou quaisquer outras limitações que REALMENTE o impedissem de obter o que necessitasse, pudesse utilizar o dinheiro do terreiro para fins pessoais.

Vamos exemplificar.

Um médium da corrente está com seu pai enfermo e o mesmo necessita fazer um exame importante e caro que não é oferecido pela rede pública. Não tendo dinheiro para realizá-lo, além da colaboração de amigos e familiares, o dinheiro do terreiro poderia lhe ser dado para este fim ou permissão para pedir colaboração durantes as giras para seu caso pessoal.

É importante deixar claro que a Lei de Salva não servia como desculpa para atender somente quem pagasse, pois todos continuariam a ser atendidos gratuitamente. O que seria dado ao médium é o uso do dinheiro em caixa ou a possibilidade de pedir aos consulentes e irmãos de corrente doações para que seu pai realizasse o exame.

É por isso que se chama Lei de Salva! É um recurso, extremo, que chega em último caso, quando não há mais o que fazer a não ser obter socorro financeiro das doações que o terreiro recebe para fins nobres e para os quais não se encontra outro meio.

É como uma boia salva-vidas jogada ao mar quando alguém se afoga. Um socorro necessário para que se consiga “escapar ou resolver” tal situação. Justamente por isso, a Lei de Salva não é uma desculpa para o médium começar a cobrar ou mesmo para pegar dinheiro do terreiro para si mesmo e, muito menos, algo que deva acontecer toda hora ou ao menor “aperto” financeiro de qualquer membro da corrente...

Além do mais, a decisão não era tomada apenas pelos encarnados, mas, frequentemente, pelas entidades-chefes do terreiro que, não raro, pediam a doação do dinheiro quando os membros da corrente nem sequer suspeitavam das dificuldades do companheiro necessitado...

Por fim, cabe dizer que, com frequência, o beneficiado “com a Salva”, tão logo contornasse as dificuldades financeiras, fazia questão de restituir ao terreiro aquilo que lhe foi dado, sendo ponto de honra assim proceder!

Leonardo Montes

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