terça-feira, 30 de abril de 2019

TRÊS TIPOS BÁSICOS DE EXUS

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Aprendi com as entidades que existem, basicamente, três tipos de exus: pagãos, batizados e coroados. Antes, porém, de explicar cada um, convém dizer que exu é um cargo ocupado por uma entidade (espírito) e não um tipo de entidade.

Mas, o que vem a ser este cargo?

Exu (entidade e não o Orixá) é o cargo ocupado por aquelas entidades que fazem a guarda do médium ou do terreiro. A função primordial de um exu é defender seu tutelado do ataque de outros espíritos.

Podemos dizer que cumpre papel semelhante ao de um soldado ou de um guarda.

A partir disso, contudo, não se deve inferir (como é comum hoje em dia) que exu seja, necessariamente, um espírito que trabalha para o bem, um espírito evoluído, um trabalhador da luz nas trevas, etc.

Essa interpretação, bastante difundida hoje em dia, busca atribuir a exu um papel necessariamente bondoso, enquanto os demais espíritos que se intitulam como exus passam a ser visto como espíritos que “se aproveitam do nome de exu” sem o serem de fato.

Mas, não é bem assim que aprendi com os próprios exus...

EXU PAGÃO:

Esta expressão é muito antiga na Umbanda e refere-se a espíritos que exercem a função de exus e que se comportam como verdadeiros “freelancers” do Mundo Espiritual, isto é, mercenários, aceitando este ou aquele trabalho, para o bem ou para o mal, conforme seus próprios interesses.

São essas entidades que atuam em trabalhos de magia negra e coisas do tipo: amarrações, derrubada de chefe, etc.

Essas entidades não são necessariamente perversas (pois podem agir também em prol do “bem”), mas são profundamente interesseiras, egoístas, mesquinhas e, por isso, pouco confiáveis.

Se se simpatizam com a causa do consulente, podem atende-la. Caso contrário, simplesmente se negam. Tanto é que, esses “pai de poste” (sim, esses que colam cartazes oferecendo mil maravilhas), não aceitam um trabalho sem antes consultar a entidade que lhe assiste, pois esta pode simplesmente se negar a executar o serviço “contratado” se não se interessar pela causa.

Costumam exigir como pagamento desde suas bebidas favoritas à sexo (dependendo das suas tendências). Incorporam-se em seus médiuns para fazer uso das bebidas, comer suas comidas preferidas, usar as roupas que mais gostavam (pasme, isso existe!) e até mesmo para se relacionar sexualmente, enfim, a coisa vai ficando cada vez mais esquisita...

Essas entidades, quase sempre, insuflam nos médiuns que as recebem um sentimento de superioridade, de grande poder, fascinando-o completamente e, não raro, este passa a se ver como um poderoso “mago negro”, quando não passa de uma escravo nas mãos destas entidades que, se forem perversas (nem sempre o são, apesar de sempre ignorantes), farão este estado de cegueira perdurar até o fim da vida do mesmo que servirá como verdadeiro veículo para satisfação de seus prazeres...

É justamente por esta razão que defendem seus médiuns com unhas e dentes, podendo mesmo agir com ferocidade caso seus domínios sejam ameaçados. É por isso que não considero adequado chamar essas entidades simplesmente de “obsessoras” ou “vampiras”, já que costumam se ligar a um médium em particular e o defendem com unhas e dentes por interesses próprios.

Até mesmo outros exus os reconhecem como exus.

Agora, é muito importante compreender o seguinte: Este tipo de exu NÃO SE MANIFESTA NA UMBANDA, pois a Umbanda está profundamente ligada ao bem e não há espaço nela para nenhum tipo de maldade.

EXU BATIZADO:

Todo exu é, necessariamente, um espírito de ordem inferior. Não se segue que tenha sido mal na vida passada, assassino, coisas do tipo. Mas, sem dúvida, é um espírito pouco evoluído.

Enquanto um “exu pagão” ainda é dominado por suas paixões, quase sempre, agindo por impulso ou interesses transitórios, o candidato a “exu batizado” já está em um outro nível.

Ele já compreendeu que o mal não leva a lugar algum e está cansado de andar por aí dando “cabeçadas na parede”. Como disse, pode não ter sido um criminoso, mas certamente não é uma alma virtuosa.

Eis outra tendência comum na Umbanda: a de querer santificar os exus, de conferir-lhes status de “guias”, de “espíritos de luz” e isto também vai na contramão do que tenho aprendido...

Em algum momento, esses espíritos que estavam por aí “sem eira nem beira”, terminam por conhecer alguma entidade que esteja ligada à Umbanda que, percebendo a sequidão de alma destes, acabam por convidá-los a conhecer a religião.

Como a Umbanda tem por princípio não virar as costas a ninguém, oferece a estas entidades uma oportunidade de trabalho, se elas realmente desejarem com bastante serventia aos trabalhos espirituais: o enfrentamento às trevas!

A princípio, ficam ressabiados. Contudo, observando os benefícios a longo prazo, a alegria e a satisfação de fazer o bem, acabam se convencendo que este é o melhor caminho (até por que não haverá muitos espíritos dispostos a lhes oferecer uma mão amiga).

Quando aceitam o compromisso de trabalho, iniciam-se como verdadeiros aprendizes, passando a “andar” com entidades já batizadas que, gradativamente, vão lhes ensinando como trabalhar na Umbanda e que atuarão como tutoras de sua jornada, aparando suas arestas e direcionando seus caminhos.

Essas entidades, enquanto aprendizes, costumam permanecer alguns anos atuando nos terreiros de Umbanda sem incorporar, apenas fazendo a proteção e acompanhando os trabalhos sob a tutela de uma entidade mais experiente, geralmente integrando um “bando de exus” ou, como costumamos dizer, a falange protetora do terreiro.

Após esta fase de aprendizado (que pode durar alguns anos), se persistir no propósito firme de fazer o bem e de evoluir, lhe será conferido o grau de “exu batizado”, num ritual geralmente feito por uma entidade “coroada” e cujos detalhes nunca soube de forma precisa.

É após este ritual que esta entidade ganha seu nome de falangeiro. Por exemplo: Se ela foi tutelada por um Tranca-Ruas, passará a ser, também, um Tranca-Ruas, levando adiante o aprendizado que recebeu.

Após o batismo, essas entidades terão permissão de se manifestar através de um médium na Umbanda. Portanto, na Umbanda, os exus são sempre batizados ou coroados e NUNCA PAGÃOS e, embora ainda inferiores, trabalham unicamente para o bem e para a caridade.

Contudo, uma observação importante:

Ao se incorporarem em seus médiuns, essas entidades receberão toda a carga vibratória do mesmo ao passo que incidirão suas próprias vibrações sobre o médium. Como são entidades que ainda estão em fase inicial de sua jornada para o bem, costumam se manifestar, inicialmente, de forma muito rude e até mesmo primitiva, cabendo extremo controle do médium e rigorosa fiscalização dos cambones mais experientes a fim de que a entidade não exagere em sua manifestação.

Aliás, essa é a principal razão para que, em nossa casa, os trabalhos com os exus sejam fechados ao público, servindo mais para descarrego do corpo mediúnico do que propriamente para aconselhamento (embora saibam também aconselhar).

Ao cabo de alguns anos, dando mais alguns passos na senda do progresso, suas manifestações serão mais suaves e eles se mostrarão cada vez mais lúcidos de suas tarefas.

Estas entidades nunca aceitariam fazer o mal, mesmo se um consulente pedisse insistentemente, pois se recordam de onde vieram e tudo que passaram para chegar até ali.

O papel essencial destas entidades é o de defender o médium e seus familiares dos ataques de espíritos trevosos (obsessores, exus pagãos, etc), pois sabem que o médium que se propõe a fazer o bem naturalmente atrairá a ira daqueles que não desejam o bem.

EXU COROADO:

Após uma longa jornada de caridade que pode levar muitas décadas, a evolução espiritual chega para todos que sinceramente se esforçam. Os exus que, inicialmente, se manifestavam de forma muito primitiva, lutando consigo mesmos para se libertarem das tendências inferiores, ao chegar neste estágio, alcançam um outro patamar.

Um “coroado” é um exu que glorificou sua atuação, cumprindo-a exemplarmente, evoluindo em sua trajetória. A coroação, neste caso, geralmente é feita por uma entidade da direita, um preto-velho ou caboclo, que reconhecendo o trabalho e gigantesco esforço do “exu batizado”, outorga-lhe esse grau, quando geralmente passa a ser chamado de “chefe de bando”.

Se, inicialmente, a manifestação de um “exu batizado” tende a ser grosseira a ponto de exigir muita firmeza dos cambones para coibir exageros, a manifestação de um “coroado” é perceptível de longe.

Neste estágio, o exu quase sempre tem uma linguagem polida, educada, embora geralmente pouco falante (todos que conheci conversavam muito pouco), não xingam, fazem uso de pouquíssimos elementos (se o fizerem) e, geralmente, só atuam eventualmente na incorporação.

Sua principal função é gerenciar um pequeno grupo (bando) de entidades para cumprir uma tarefa. Engana-se, porém, quem pense que essas entidades atuem apenas nos terreiros. Já conversei com vários que me disseram atuar em delegacias de polícia, hospitais, cemitérios e por aí vai.

*

Enfim, sei que tudo que registrei até aqui vai na contramão do que se divulga na internet atualmente, mas este é o aprendizado que tenho recebido das próprias entidades e que, certamente, poderá auxiliar aqueles que se identificarem com essa maneira de pensar, ressaltando que não desejo fazer doutrina para ninguém, apenas registrar a minha experiência, vivência e aprendizado em terreiro...

E depois de coroado, o exu vira um caboclo, um preto-velho?

Bem, isto deixo para uma outra ocasião.

Leonardo Montes



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sábado, 27 de abril de 2019

USO DA BEBIDA ALCOÓLICA EM NOSSA CASA



Ontem (26/04/2019) e após quatro anos de trabalho comigo, seu Exu do Lodo firmou as seguintes regras para os trabalhos da esquerda:

·         Todas as entidades devem usar, no máximo, dois charutos durante as giras (que são fechadas ao público);

·         Todas as entidades, independente da bebida alcoólica com a qual trabalhem, deve ingerir, no máximo, o equivalente a dois dedos (qualquer e eventual necessidade de um recurso extra eles absorverão diretamente das garrafas sem necessidade de ingestão).

Embora não tivesse hábito de beber grande quantidade (acho que o máximo chegou a um copo americano), adorei essa nova diretriz, justamente, por deixar bastante claro que essas quantidades são suficientes para o nosso trabalho, para nossa realidade.

Foi a demarcação clara e objetiva da diferenciação entre o necessário e o desnecessário.

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sexta-feira, 26 de abril de 2019

POSSO SER UMBANDISTA E NÃO FREQUENTAR TERREIROS?

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Sim, pode. Para que alguém se sinta pertencente a alguma religião não é preciso que lhe seja dada outorga, grau ou permissão. Basta que tal pessoa espose os valores/visão de mundo de tal religião e pronto: Já poderá se considerar um adepto da mesma.

Entretanto, cumpre dizer que a frequência a um terreiro ajuda a fortalecer a presença da religião naquela localidade, além de beneficiar o frequentador com os passes e conselhos que são dados durante a gira.

Isto no que se refere às pessoas que não são médiuns atuantes. Para os médiuns, o caso é diferente: O médium vem com uma tarefa a ser cumprida na Terra e não deve negligenciar esta oportunidade.... 

Para ele, portanto, a frequência/desenvolvimento/trabalho numa casa é de suma importância, se deseja triunfar sobre um compromisso por ele mesmo assumido antes da reencarnação.

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