terça-feira, 31 de dezembro de 2019

RITUAIS PARA A VIRADA DE ANO?

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Todo fim de ano, as pessoas me perguntam se existe alguma recomendação dos guias sobre o que fazer para a virada de ano.

É tradicional, na Umbanda, a famosa festa à Iemanjá na praia, a roupa branca, pular sete ondinhas. Há quem passe a virada do ano de amarelo, os que comem lentilhas, assopram canela na porta de casa, etc.

Todas as crenças são respeitáveis e, sem dúvida, devemos respeitá-las todas, porém, as entidades sempre me ensinaram que essas coisas são apenas rituais humanos, sem efeito prático algum.

O ano novo que virá será “bom ou “ruim”, basicamente, dependendo de dois fatores: as provas as quais devemos passar e a maneira como vamos reagir a elas!

Não será a cor da nossa roupa no momento da virada do ano que influenciará o que virá. Não existe uma “energia de prosperidade” que você atrairá por acender esta ou aquela vela ou fazendo este ou aquele ritual.

A passagem do ano é simplesmente a mudança do nosso calendário atual que, diga-se, durante boa parte da história da humanidade, para diversos povos antigos, foi diferente, comemorando-se a entrada do ano novo no Equinócio de Primavera (em março), quando o dia e a noite têm a mesma duração ou, em tantos outros povos, de acordo com algum outro tipo de calendário que levava em conta as estações do ano.

Portanto, o que ocorrerá de hoje para amanhã será apenas a mudança de calendário de um mês para outro, como ocorreu do mês passado para este, sem nenhuma implicação espiritual ou energética.

Contudo, a força cultural da virada do ano é tão marcante em nossa sociedade que muitas pessoas se colocam, neste período, em uma espécie de reflexão sobre a própria vida, sobre o que desejam para o futuro e isso é extremamente positivo.

Além do mais, é um momento em que a família está reunida, confraternizando-se, e isso também é muito importante, já que a vida não é feita apenas de trabalho. Os guias sempre me orientaram a aproveitar as ocasiões familiares, pois nunca saberemos se no próximo ano estaremos todos juntos novamente...

Então, a minha sugestão é: se você segue algum ritual, se te faz bem, continue. Não há problema algum. Se você festeja com sua família, aproveite-a bem, você não sabe se ano que vem estarão todos juntos novamente. Contudo, acima de tudo, reflita, reflita muito sobre o ano que passou, seus erros e acertos e o que deseja para seu futuro, pois desejar, é um primeiro passo para a realização.

Ah, e não solte fogos com barulho: além de gastar dinheiro por nada, você assusta recém-nascidos, crianças com autismo e, principalmente, os animais domésticos. Eu mesmo vou fazer a passagem do ano em casa, por que meus cachorros se desesperam com os fogos, brigam, fazem buraco no quintal e tudo isso para quê? Fazer barulho...

Feliz ano novo!

Leonardo Montes

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domingo, 29 de dezembro de 2019

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: AMIZADE


Uma das minhas primeiras observações em matéria de relacionamentos em terreiro, foi perceber que nem todos que trabalham na mesma casa deveriam ter relações fora dela.

Muitas pessoas, no afã de estabelecer novas amizades, ampliar o círculo de amigos, acabam trazendo para suas residências irmãos da corrente com os quais se simpatizam e isso, muitas vezes, é bastante perigoso.

Não é por que gostamos de uma pessoa ou mesmo de seus guias que necessariamente devamos estreitar relações para com ela. É preciso lembrar que, normalmente, dentro do terreiro todos parecem “santos” e que, muitas vezes, fora dele, vários se comportam como verdadeiros “demônios”.

Estamos num Mundo de Provas e Expiações, todos temos defeitos, algumas vezes, defeitos bem graves... No convívio da gira, quase sempre, conhecemos apenas o “lado bom” das pessoas, por esta razão, creio que vale a pena o alerta.

Quantos casos de traições, intrigas, desconfianças e fofocas eu já presenciei por que algumas pessoas transformaram companheiros de terreiro em amigos íntimos?

Às vezes, a confusão estabelecida lá fora, ajuda a derrubar o terreiro “por dentro”.

Aliás, neste sentido, tenho aprendido que um certo distanciamento não é apenas bom, mas fundamental para que o terreiro siga sua rotina normalmente.

Fica difícil chamar a atenção de alguém que antes era um cambone e agora virou um confidente. Fica difícil corrigir um médium que, até ontem, era apenas um membro da corrente e hoje se tornou “parceiro de boteco”.

À medida que nos aproximamos de algumas pessoas e criamos vínculos, fica cada vez mais difícil separar os papéis e suas respectivas funções, o que quase sempre causa muito conflito: claro que não é algo impossível, apenas fica cada vez mais difícil.

Eu sei que existem pessoas que criam bons vínculos, boas amizades, relacionamentos saudáveis e felizes e isso certamente é muito bom. Contudo, sou da opinião de que trabalho é trabalho, terreiro é terreiro, casa é casa e o melhor é não misturar as coisas.

Leonardo Montes 

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

MEDIUNIDADE E EQUILÍBRIO

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Para um bom desenvolvimento mediúnico é fundamental que haja equilíbrio. Equilíbrio em todos os sentidos: equilíbrio emocional, financeiro, familiar, trabalhista, etc.

Para que o médium se entregue às atividades espirituais corretamente, é fundamental que procure viver uma vida centrada e firme no bem.

Se o médium faz uso do álcool, não é preciso que deixe de beber, contudo, será chamado, por imposição da vida, a ter controle sobre sua vontade de beber, a fim de que não caía, amanhã, sob perturbação espiritual.

Bebedeira todo fim de semana? Beber até passar mal? Beber até cair? São coisas que precisam ficar no passado do médium, se ele realmente quiser ser um bom instrumento da espiritualidade...

Se o médium faz uso do fumo, será naturalmente orientado a fazer todo o possível para abandoná-lo, ciente de que isto não lhe fará bem aos próprios pulmões, lembrando sempre a imensa distância existente entre o uso do fumo no terreiro e no dia-a-dia.

Claro, não conseguirá abandonar da noite para o dia, mas as entidades sempre orientam no sentido de que se esforce, no mínimo, para diminuir o seu consumo. Comer cigarro? É algo que precisa ficar para trás.

Estamos no fim de ano, época de comilança... O médium também é chamado a exercer a moderação, a fim de não se encontrar sob imposição do próprio estômago, para que possa ter saúde, paz e tranquilidade em sua virada de ano.

O mesmo vale para o chocolate, para a coca-cola, para a mentira, para o ciúme, enfim, quaisquer comportamentos que possam ter condicionante vicioso: o médium é chamado a ser mais do que um animal, preso aos próprios instintos, mas um ser consciente, que edifica a vida segundo a sua própria vontade!

É por esta razão que a Umbanda nada proíbe, embora convide, frequentemente, à moderação de tudo.

Ninguém, efetivamente, pode ser um bom instrumento da espiritualidade se estiver com os pés presos aos vícios, sejam quais forem.

Leonardo Montes

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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: INVEJA

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Pode parecer incrível, mas é verdade: existem pessoas invejosas dentro do terreiro! Não importa quão pequeno e simples seja uma casa ou quão difícil seja a vida do dirigente ou dos médiuns que fazem parte da mesma, sempre aparecerá algum invejoso desejando ardentemente aquilo que nunca fez por merecer.

Há uma definição simples sobre inveja que gosto muito: “desgosto provocado pela felicidade ou prosperidade alheia”.

Para ilustrar este processo, contarei uma experiência pessoal.

Cheguei ao terreiro de Umbanda sem nada saber, mas com desejo de tudo aprender. Desejo real, profundo, verdadeiro. As entidades sabiam disso e, por esta razão, abriram-me as portas, ofertando-me a possibilidade de livre acesso.

Com o tempo, porém, notei que a minha alegria não era compartilhada por todos.

De certa maneira, algumas pessoas da corrente olhavam-me torto e eu quase podia ler seus pensamentos: quem é esse cara que chegou agora e já tem essa liberdade toda?

Os guias-chefes da casa, contudo, faziam questão de me chamar para conversar ou para explicar uma situação, o que aborrecia estas pessoas, especialmente, aquelas acostumadas a “grudar na barra da saia das entidades” e despender grande tempo em lamentações...

Os guias, contudo, sempre contornavam e achavam uma brecha para me ensinar uma coisa aqui e outra ali e assim fui aprendendo.

Certo dia uma pessoa me perguntou se eu “levava muita bronca das entidades”, respondi-lhe que nunca havia levado bronca alguma... Ela me olhou com desdenho e disse:

- Esqueci que você é o queridinho delas.

De imediato, respondi que não era queridinho, apenas me esforçava por aprender o que elas queriam me ensinar e não precisava que elas me apontassem defeitos, já que eu os conhecia muito bem...

Assim, embora eu nada tivesse que pudesse despertar a inveja alheia, essas pessoas não aceitavam bem que alguém “estranho”, recém-chegado ao terreiro, dispusesse de tanto tempo para conversar com as entidades que elas tanto apreciavam...

Por esta razão, caso você seja vítima de um invejoso, aconselho: ignore. Se você perceber que está sendo vítima de inveja no terreiro, ore por esta pessoa. Certamente é alguém perturbado e um elo fraco da corrente por onde um ataque espiritual poderia passar, prejudicando não apenas você, como toda a casa.

O terreiro é um grande laboratório onde Deus nos chama ao aprendizado junto a outras pessoas, muitas das quais, com razão justa ou não, podem vir a nutrir inveja por nossa posição, pelos guias que recebemos ou mesmo por fatores imaginários que existem apenas em suas cabeças perturbadas.

Seja como for, não é preciso temer: inveja pega apenas em quem se sintoniza com ela!

Então, ignore!

Enquanto o invejo é consumido por uma chama ardente, você segue fazendo a sua parte, trabalhando, como deve ser.

Leonardo Montes

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

QUEM PODE SER DIRIGENTE?

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O fato de termos, a disposição, uma série de escolas, oferecendo uma vasta gama de cursos, que necessitam apenas do nosso dinheiro e interesse para serem cursados, oferecendo a todos a possibilidade de aprenderem sobre o que quiserem, leva muitas pessoas a pensar que o mesmo valha para as atividades religiosas, isto é, que basta querer para de fato ser.

Contudo, não é bem assim!

As pessoas que desempenham um papel de direção nas atividades de um terreiro, quase sempre, chegam a estas posições à contragosto. Isto é, se fosse apenas por critério da própria vontade, provavelmente permaneceriam apenas como auxiliares diretos, dedicados, mas sem desejo de assumir qualquer papel de destaque.

Aliás, tenho dito, há bastante tempo, que a glória atribuída aos dirigentes religiosos é mais fictícia do que factual, existe mais na mente das pessoas do que no dia-a-dia de terreiro.

Ser dirigente é ser alguém 100% disponível.

Alguém que não pode se dar ao luxo de não ir ao terreiro por “não estar bem”, como um soldado, sempre à disposição do comando (espiritualidade), nunca sabendo quando será convocado a guerra (trabalho) e, por isso, precisa estar sempre vigilante.

Não deixa de ser gente, não deixa de ter defeitos e certamente não deixa de errar em sua trajetória. Contudo, sua consciência é como uma espada afiada, sempre disposta a feri-lo, caso se afaste do caminho reto...

Além do mais, é preciso recordar que os maiores problemas de um terreiro não surgem pelos vizinhos, pelos consulentes, pelos obsessores ou pelas trevas, mas pelos próprios filhos da casa que, não raro, acabam se envolvendo em disputas, picuinhas, fofocas e todo tipo de comportamento nocivo capaz de desestruturar uma casa e, no meio disso tudo, o dirigente precisa se manter firme para levar o trabalho adiante sem deixar “a peteca cair”.

É por esta razão que os dirigentes não o são por vontade própria, mas por atribuição da espiritualidade, pois ao assumirem esta função (que, diga-se, não é nenhum privilégio, antes, uma provação), eles se responsabilizam pela condução religiosa e mediúnica de várias pessoas, assumindo plena responsabilidade por qualquer falta neste sentido.

São preparados para isso antes da encarnação, necessitando apenas de bases sólidas, quando aqui chegam, para levarem adiante o compromisso anteriormente assumido, o que exigirá esforço, disciplina e boa-vontade.

Assim, digo aos afoitos: não peça uma prova maior do que a que você já possui. Se estiver em seus caminhos a direção de um terreiro, cedo ou tarde, as entidades te informarão sobre isso e, neste caso, darão início ao processo de aprendizado necessário a uma vida de renúncia e resignação, que é o que aguarda o dirigente de um terreiro.

Aqueles que teimam e abrem os próprios terreiros sem este tipo de compromisso espiritual, encontrarão um caminho de dor e sofrimento: serão cegos, conduzindo cegos.

Leonardo Montes

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sábado, 21 de dezembro de 2019

BANHO DE ERVAS NA CABEÇA?

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Muitas pessoas sentem dúvidas em relação ao banho de ervas: joga-se na cabeça ou não?

Essa preocupação tem a sua razão de ser uma vez que no topo da cabeça se encontra o Chakra Coronário (Sahashara), responsável por estabelecer a ligação com o espiritual e, no transe mediúnico, é de onde parte o fio que liga a mente do médium à mente do guia espiritual.

Assim, se é preciso tomar cuidado com o fluxo energético dos demais chakras, certamente, deve-se tomar muito mais cuidado com este, que é o mais importante nos processos mediúnicos.

Se este chakra estiver fraco (isto é, com baixa vibração), o transe mediúnico será fraco, inconstante, dificultando a precisão das consultas que sofrerão com a baixa energia.

Logo, a preocupação com os banhos na cabeça tem a sua razão de ser, embora, normalmente, não se vê esta mesma preocupação ao usar shampoo, cremes, condicionadores, chapinha, tintura, etc...

Ervas

A maioria das pessoas procura por uma receita: a melhor erva para isso, a melhor erva para aquilo, etc. Contudo, na prática, não é assim que funciona: uma erva pode ser boa para uma pessoa e ser praticamente inócua para outra, pois para que funcione é essencial que a energia da erva “case” com a energia da pessoa, por isso, as receitas não são apenas pouco eficientes, como podem mesmo ser perigosas.

Já conversei com muitas pessoas que reclamavam de efeitos não desejados após um banho com ervas. Imaginavam que teriam algum benefício, mas acabaram sofrendo alguma reação negativa, seja a nível cutâneo ou espiritual.

Por esta razão, o mais adequado é esperar que as entidades nos indiquem, pois elas conhecem a nossa energia e sabem o que é melhor para nós ou estudar profundamente sobre as ervas e fazer testes em si mesmo...

Seja como for, é preciso compreender que as ervas não são nossas “amiguinhas”. Quando você tira as folhas de uma árvore, esta árvore não se alegra com isso, pelo contrário, interpreta como um ataque, ativando suas defesas e se prepara contra o “inimigo”.

É por esta razão que as entidades nos pedem sempre para colhermos as folhas em oração, em agradecimento, para que nossa energia seja captada pela planta (que, sim, é capaz disso) e não veja nossa colheita como uma ameaça à sua existência...

Energia cega

Se as ervas não são nossas “amiguinhas”, certamente a energia que delas se desprende, também não é. Para facilitar este entendimento, imagine o fogo: a energia do fogo é muito poderosa, mas ela é apenas uma energia, não tem senso moral, se você não a utilizar com cuidado, ela vai te machucar... Com as ervas, é a mesma coisa!

Quando você faz um banho ou uma defumação, você está retirando da erva, pelo sumo (no banho) ou pela fumaça (na defumação), a energia vital que ela possui... Essa energia será liberada na água ou no ar de forma bruta ou cega, como costumam dizer os guias...

Aí entra a importância de conhecer a erva, sua energia, seus efeitos e, com isso, saber manipulá-la, o que certamente não se faz sozinho e é por isso que, tanto nos banhos, quanto nas defumações, sempre se reza, pedindo apoio das entidades que nos ajudem a administrar a força que estamos manipulando...

Na cabeça ou do pescoço para baixo?

Agora que fizemos esta breve introdução, podemos retornar ao início do texto. O problema das receitas é que não se pode prescrever banhos universais, justamente, por que a energia liberada pela erva (embora seja a mesma em todo caso), reagirá de forma diferente de pessoa para pessoa.

Uma entidade pode recomendar, para um consulente, o banho do pescoço para baixo e, em seguida, recomendar o mesmo banho, para outro consulente, da cabeça aos pés. Qual a diferença?

A energia da pessoa!

Quando o consulente está muito carregado, instável emocionalmente, perturbado espiritualmente ou coisas semelhantes, as entidades tendem a recomendar um banho do pescoço para baixo, justamente, para não o enfraquecer subitamente, já que se encontra instável...

Contudo, se o consulente estiver com um bom padrão vibratório, a entidade pode recomendar o banho da cabeça aos pés, promovendo, por exemplo, um descarrego completo que, neste caso, fará melhor efeito do que se fosse tomado apenas do pescoço para baixo.

Portanto, o problema não é a erva x ou z, mas o que tal erva irá causar em uma pessoa com a energia a ou b. Percebem?

Assim, o problema não é, exatamente, saber se pode ou não pode usar tal erva na cabeça. É, antes, o de entender a energia que se quer manipular com tal erva, o resultado que se deseja obter e, acima de tudo, a energia da pessoa no momento do banho.

É por esta razão que não costumo indicar banhos e defumações para alguém. Recomendo sempre que se consulte uma entidade através de um médium de confiança ou que se faça estudos e aplique em si testes para ver qual erva reagirá melhor com a sua própria energia.

Fuja de receitas...

Leonardo Montes

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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

SEM EXU, NÃO SE FAZ NADA?

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É muito comum, na Umbanda, as pessoas dizerem: sem exu, não se faz nada! Mas, será mesmo? Reflitamos.


A Umbanda nascente não contava com exus em suas manifestações. Estas começaram a surgir em algum momento entre 1940/1950, quando pessoas vindas das Macumbas Cariocas (onde se manifestavam exus), começaram a se integrar nas correntes de Umbanda que estavam se popularizando neste período e, com isso, “trouxeram” seus exus em seu “repertório mediúnico”.

No livro: O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, lançado em 1933, Leal de Souza comenta brevemente sobre exus ligados aos trabalhos de Magia Negra. Não há nenhuma citação sobre exus se manifestando em terreiros de Umbanda.

Na década de 1940, surge o livro: Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, um congresso realizado em outubro de 1941, no Rio de Janeiro, onde diversos representantes de terreiros importantes se reuniram para discutir aspectos relevantes da religião, como: História, filosofia, doutrina, etc. Não há sequer uma única citação a exus.

Assim, pergunto: se os exus são tão importantes a ponto de nada se fazer sem eles, como fizeram os primeiros terreiros de Umbanda que pelo menos durante 30 anos trabalharam sem exus?

Eu não quero, com esta pergunta, desmerecer o trabalho destas entidades, até mesmo como alguém que recebe exus e sabe da importância do trabalho que eles executam, seria um contrassenso...

O que desejo é refletir sobre essa frase generalizante e que produz uma compreensão errônea do trabalho destas entidades.

Candomblé

No clássico: Orixás, de Pierre Verger, podemos encontrar uma citação muito interessante:

“Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. É também ele que serve de intermediário entre os homens e os deuses. Por essa razão é que nada se faz sem ele e sem que oferendas lhe sejam feitas, antes e qualquer outro Orixá, para neutralizar suas tendências a provocar mal-entendidos entre os seres humanos e em suas relações com os deuses e, até mesmo, dos deuses entre si.” (p. 36)

O texto se refere, naturalmente, a Exu enquanto Orixá e não propriamente a exu-entidade, como é o caso da Umbanda. Contudo, fica claro de onde surgiu este pensamento de que sem exu não se faz nada: é uma herança do Candomblé Iorubano, cuja aplicação se refere a uma particularidade de culto para o Orixá e não para a entidade!

Incorporação/Proteção

Alguns estudiosos afirmam que, embora haja terreiros que não trabalhem com exus na incorporação, isso não quer dizer que eles deixem de atuar fora dela. Realmente, isso é muito comum: os exus podem atuar não apenas em terreiros, como em vários outros locais sem que se saibam da sua existência.

Entretanto, outras entidades também podem fazê-lo, como os pretos-velhos, caboclos, etc., e não se vê ninguém dizendo que “sem preto-velho não se faz nada”, por que seria absurdo pretender que todo trabalho espiritual, necessariamente, contasse com um preto-velho.

Logo, sim, muitos exus trabalham em terreiros onde não possuem permissão para se manifestar, em razão da doutrina da casa, contudo, pretender que assim seja com todos os terreiros, é um erro.

Difusão

Tal conceito também se popularizou devido a pontos, como o famoso “Exu da Meia Noite”, cantado pelo magistral J. B de Carvalho, cujo refrão é:

“Exu da Meia Noite
 Exu da Encruzilhada
 Sarava o povo da Umbanda
 Sem Exu não se faz nada”.


Conclusão

Embora tenham chegado à Umbanda pelas macumbas, os exus hoje se tornaram parte do repertório espiritual da maioria dos terreiros, tendo seu trabalho espiritual mais ou menos definido, de forma pública ou fechada, de tal forma que, naturalmente, se espera que os terreiros trabalhem com estas entidades.

Contudo, não existe essa obrigatoriedade!

Assim como não existe obrigatoriedade em se trabalhar com marinheiro, boiadeiro, baiano, etc.

Existem médiuns que nunca incorporaram exus e nem por isso são menos protegidos, já que os demais guias podem realizar o trabalho de proteção e mesmo de descarrego.

Existem terreiros que não trabalham com exus, nem mesmo espiritualmente, e a despeito do que pensam uns e outros, aí estão há décadas prestando sua caridade sem o menor problema...

Que os exus sejam bem aceitos na Umbanda, é indiscutível... Contudo, pretender que sejam imprescindíveis para que um terreiro exista, é exagero.

Leonardo Montes

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: FOFOCAS

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A fofoca é um dos comportamentos inadequados com força suficiente para abalar ou mesmo destruir um terreiro. Por esta razão, este é um assunto importante e todos precisam refletir com maturidade sobre isto.

Antes de tudo, é preciso considerar o fofoqueiro como alguém perturbado, desequilibrado, sendo quase sempre uma pessoa de baixa autoestima que, por não possuir qualidades que o evidenciem por si mesmo, sempre usa de golpes baixos para se promover...

Contudo, não é propriamente o fofoqueiro quem desequilibra o terreiro, mas aqueles que lhe dão ouvidos e que passam, naturalmente, a serem cúmplices da perturbação que se alastrará por ouvidos desavisados.

De modo geral, aconselho as pessoas a fazerem com que a fofoca morra por asfixia, isto é: se você ouvir algo malicioso de alguém do terreiro, não passe adiante. Corte o mal pela raiz, diga ao fofoqueiro que você não se interessa por este tipo de assunto, que a vida alheia não te diz respeito e que você coloca suas forças apenas em sua própria vida, afinal, você está no terreiro para evoluir, certo?

Quando, porém, as pessoas da corrente perdem tempo com a fofoca, seja ela pessoalmente, por whatsapp ou por ligações telefônicas, se tornam cúmplices do fofoqueiro, afinal de contas, se não estivessem interessadas em mexericos, não perderiam tempo ouvindo pessoas perturbadas, não é?

No livro Nosso Lar (André Luiz / Chico Xavier), a enfermeira Narcisa nos oferece um apontamento muito valioso:

“Os dementes falam de maneira incessante e quem os ouve, gastando interesse espiritual, pode não estar menos louco.” (p. 161)

Portanto, pense bem antes de passar adiante uma fofoca, você pode não estar menos perturbado do que quem lhe contou...

O fofoqueiro faz o possível para parecer bom moço: é sempre gentil, suave, elogiador... Contudo, por mais que tente, não consegue manter a máscara: todos sabem quem é e aqueles que estão compromissados com o trabalho espiritual, o colocam sempre no devido lugar, enquanto os mais fracos sempre caem na conversa fácil de quem nunca constrói nada sólido, mas se afirma sempre o sabedor de tudo que é bom, justo e correto...

Aos trabalhadores que, como eu, se esforçam para fazer algo de bom nesta terra e que, mesmo assim, são vítimas da fofoca, o meu conselho é: releve!

Por mais incomodo seja, releve!

A prova do seu sucesso espiritual é o seu trabalho no bem e a sua consciência tranquila. O fofoqueiro, em última instância, é alguém que lhe inveja e que não possui os predicados para ocupar o seu lugar, por isso fofoca, inventa, difama, distorce, e – justamente por isso – merece a suas orações, afinal, foi isso que nosso mestre nos ensinou:

“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus”.

Mateus 5:44

Não deixe que a fofoca destrua sua obra!

Deixemos o fofoqueiro sofrer as consequências de seus atos (afinal, acreditamos na lei do retorno), de modo que não precisemos descer ao seu nível para responder à altura.

A espiritualidade nos auxiliará hoje e sempre!

Leonardo Montes


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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Canal no YouTube

Pessoal,

Estou criando um canal secundário focado 100% em Umbanda (o Voz espiritualista continuará).

Tentei alavancar o blog Umbanda Simples, mas o fato é que as pessoas hoje não acessam mais blog como antigamente.

Trata-se de um canal voltado à Umbanda que pratico, onde procurarei explicar, detalhadamente esta doutrina a quem se interessar.

Ainda não é possível obter um link personalizado, mas quando tivermos 100 inscritos o Youtube liberará esta opção.

Por enquanto não há conteúdos, mas em breve eu começarei a gravá-los.
Lembre-se de se inscrever e ativar o sininho de notificações para estar por dentro do que virá!

www.youtube.com/UmbandaSimples 
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

PODCAST - UMBANDA SIMPLES #2


 Para fazer download deste episódio, clique aqui.

Temas deste podcast: Pena de morte, alinhamento de chakras, ponto riscado, evolução dos guias, médium guiado por Kiumba, uso de capa e cartola, mentores, necessidade da oferenda, sincretismo e pontos cantados.


Música: Canto a Oxalá - Caminhantes da Luz

Email: leo@umbandasimples.com.br 

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COMPORTAMENTO NO TERREIRO: ASSIDUIDADE

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Começo este texto fazendo algumas perguntas: você deixa de ir para o seu trabalho profissional por estar com preguiça? Você deixa de ir para o seu trabalho se estiver chovendo? E se estiver frio? Muito quente?

Bem, provavelmente você tem vontade de faltar ao seu serviço nas mais diversas ocasiões, contudo, você supera todas elas e vai assim mesmo, afinal, você depende do seu trabalho para sustentar a sua casa, certo?

Se, de repente, você começa a faltar, é provável que seu empregador comece a repensar a sua importância dentro da empresa e venha mesmo a te substituir por outra pessoa, não é?

E em relação ao terreiro?

Há pessoas que conseguem trabalhar numa empresa o ano todo sem uma única falta e que não conseguem passar um único mês sem faltar no terreiro. Curioso, não?

Verdade seja dita, há pessoas que só vão ao trabalho espiritual se todas as condições estiverem favoráveis: carro com tanque cheio, clima agradável, nada de chuva, etc.

À menor contrariedade, faltam.

Entretanto, por que não dar ao terreiro a mesma importância que damos ao trabalho profissional? 

No serviço profissional, buscamos o pão material. No terreiro, buscamos o pão espiritual. Ambos igualmente importantes para nosso sustento integral!

É certo que ocasiões surgem aqui e ali que verdadeiramente impedem a nossa presença no terreiro (e aqueles que verdadeiramente amam estar no mesmo sempre faltam com o coração na mão), contudo, também é verdade que muitos deixam de comparecer por falta de vontade mesmo, simplesmente vencidos hoje por um cansaço, amanhã por uma indisposição, depois de amanhã pelo tempo que ameaça chuva...

A assiduidade é um dos valores que mostram às entidades o quanto estamos, de fato, compromissados com a causa que abraçamos. Dá pra imaginar o tipo de médium que alguém vai ser observando apenas o quanto ele comparece ou falta aos trabalhos do terreiro.

Leonardo Montes 

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

COMPORTAMENTO NO TERREIRO: CANTAR!

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Algumas pessoas, no terreiro, sentem vergonha quando cantam. Não gostam muito de suas vozes e ficam receosas em desafinar...

É preciso lembrar que o terreiro não é o “The Voice” e que não importa se você é afinado ou não, o que importa é que você cante, cante com a alma, cante com vontade!

O ponto quando cantado com amor tem o efeito de uma oração. Assim, muito se reza na Umbanda, cantando!

Contudo, fazer as pessoas cantarem... É um belo desafio!

Todo terreiro tem o ventríloquo: aquele que você vê a boca mexendo, mas a voz nunca sai...

Tem aquele que reclama dos pontos, mas que nunca faz nada para ajudar...

Tem também aquele que grita, esquecendo que o ponto é cantado e não “gritado”.

Tem o que erra a letra e também aquele que ri de quem erra a letra.

E tem também aquele que fecha os olhos e se entrega, vibrando no íntimo da sua alma, com toda sua força e vontade, colocando suas melhores vibrações no canto que sai de sua boca, mas que nasce nas profundezas de sua alma...

Quem vamos ser neste processo?

A escolha é nossa!

Leonardo Montes

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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

CURSO BÁSICO DE UMBANDA - CAP. 60 - LITERATURA INDICADA (FINAL)

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Chegamos, finalmente, ao fim deste estudo. Foram quase oito meses para sua produção, centenas de páginas escritas com todo amor, carinho e conhecimento que possuo.

Daqui a alguns anos, certamente, visitarei tudo novamente, lendo as páginas e analisando (como faço com as reflexões), para ver se ainda mantenho o mesmo ponto-de-vista em relação aos assuntos tratados. Quem sabe?

Caminhemos, portanto, para o seu encerramento.

Literatura na Umbanda

A Umbanda cresceu de forma caótica e a sua literatura também. A bem da verdade, quando comecei a ler livros de Umbanda a impressão não foi positiva. Os autores não se entendiam entre si, cada um falava uma coisa.

É por esta razão que eu raramente mencionei algum livro de Umbanda neste estudo, não indicando a literatura de nenhum autor, exceto os de cunho histórico.

Cada autor formou sua compreensão tendo em vista o que aprendeu e vivenciou no terreiro. Como as experiências foram plurais e diversas, a literatura também se tornou plural e diversa.

Não conheço um único autor cuja visão de Umbanda se aproxime do que vivenciei e aprendi em terreiro. Assim, colhi contribuições aqui e ali, mas não posso apontar a vocês uma obra de cunho doutrinário que pudesse resumir o que aprendi.

Aliás, foi por isso que escrevi este curso...

Contudo, ao escrever sobre Umbanda, eu também me insiro neste universo plural e diverso. Certamente, muitas pessoas, ao correrem os olhos por estas páginas também discordarão de mim, é natural.

Em relação aos autores clássicos que porventura você esteja pensando, não os indiquei pelo seguinte:

Todos os autores de Umbanda que li até hoje sofriam do mesmo problema: eles ofereciam a sua visão sobre a religião como sendo a única, a melhor, a verdadeira, a correta compreensão de Umbanda, quando deveriam ter oferecido apenas uma compreensão, uma visão, não a única ou a melhor, etc.

Entretanto, por não indicar algum livro, isto não quer dizer que eu não recomende a leitura dos mesmos, pelo contrário, acho que todos que se interessam seriamente devem ler tudo quanto puderem, mas deixo isso com vocês.

Eu apenas não os indico como fontes doutrinárias complementares a este estudo, fontes que embasem a visão que apresentei neste curso, exceto os livros de cunho histórico, como estes:

   1.    O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, de Leal de Souza;
    2.    História da Umbanda – Uma religião brasileira, de Alexandre Cumino;
   3.    História da Umbanda no Brasil (toda a série), de Diamantino Fernandes Trindade.

Literatura espírita

Muitos umbandistas creem que a Umbanda não deva adotar a literatura espírita como parte de seus fundamentos doutrinários. Entendem essas pessoas que a religião precisa de uma literatura própria e alguns até se esforçam em produzi-la.

Contudo, penso que este pensamento seja um erro.

Em primeiro lugar, foi o próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas, no regimento interno da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, quem recomendou a leitura de três dos cinco livros básicos de Allan Kardec:

Regimento interno da TENSP
Em segundo lugar, por que estas obras traduzem uma revelação do mundo espiritual aceita pelas entidades na Umbanda. Negar isso, seria o mesmo que dizer aos protestantes que, por discordarem dos católicos, eles devessem escrever uma nova bíblia...

O umbandista é convidado a estudar estas obras que darão fundamento às suas práticas, por que o Espiritismo é uma das vias de influência da religião, simples assim!

Aprenda a doutrina do seu terreiro

Acima e, além de qualquer autor, convém que o estudante de Umbanda não se esqueça de aprender a doutrina do terreiro onde atua. De nada adianta conhecer autor A e B e não conhecer os fundamentos da própria casa.

Com muita frequência se esquece que o terreiro é uma verdadeira universidade do espírito e que muito se aprende com as entidades, varrendo chão, ouvindo conselhos e orientações dos mais experientes, etc.

Há pessoas que deixam de aprender com as entidades para perguntarem a mim: não faça isso!

Mais importante do que eu penso, do que autor A ou B pensam, é o que se faz onde você atua. Portanto, esforce-se em aprender a doutrina do seu terreiro, para que você se torne um trabalhador útil na casa onde Deus te chamou ao serviço espiritual!

Encerramento

Encerro este estudo agradecendo a paciência e a natural compreensão das falhas, omissões ou mesmo incongruências que os estudantes venham a encontrar neste material.

Trata-se - é preciso lembrar -, de uma iniciativa simples, de uma pessoa simples, um médium como qualquer outro e não um tratado de religião.

Por isso resolvi publicá-lo em um blog, disponibilizá-lo posteriormente em PDF, gratuitamente, para que todos que se interessem possam tirar algum proveito, sem pretensão de infalibilidade, mas com desejo sincero e fraterno de oportunizar um aprendizado proveitoso a todos, especialmente aos leigos e aos que se simpatizem com esta maneira de ver e pensar Umbanda.

O estudo da religião é imenso, aqui demos apenas alguns passos!

Leonardo Montes

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