quinta-feira, 15 de abril de 2021

NEM SEMPRE A RESPOSTA É VISÍVEL

energias


O vídeo mais assistido do canal UmbandaSimples, é um em falo sobre as diferentes formas de queima de uma vela. Quando gravei este vídeo, nem de longe imaginei que o sucesso seria tão grande.

Basicamente, o que ocorre é que muitas pessoas se impressionam a respeito de como uma vela se queima e procuram significados nesta queima. Exemplo: se a vela derrete de um só lado, se ela se parte ao meio, se sobra alguma coisa, se não sobra nada, etc.

E a explicação mais simples para tudo isso é que a forma como a vela vai se queimar dependerá essencialmente da qualidade da vela, do pavio e do ambiente (temperatura, umidade, etc). Não existe essencialmente nada de espiritual nisso (a exceção, claro, é quando a vela é acendida dentro do ponto de uma entidade e esta faz algum trabalho direcionado à vela).

Há algum tempo, algumas pessoas se impressionaram num dos nossos trabalhos com o reflexo do brilho de uma vela colocada dentro de um copo com água e que se irradiava pelos lados formando uma espécie de flor de lótus no chão, contudo, o preto-velho chamou uma cambone e disse: não tem nada de mais aqui, é que vocês nunca prestaram atenção antes, mas essa iluminação se dá pelas estrias do copo, tanto pela luz da vela, quanto pela lâmpada.

Assim também com os copos com sal grosso atrás da porta que de repente são vistos sem água e com sal em suas bordas, levando muitas pessoas ao completo desespero imaginando que seja sinal de demanda, quando na verdade se trata de um processo natural de evaporação da água e de adesão do sal ao corpo do copo... 

O mesmo ocorre com o café dos pretos-velhos que de um dia para o outro não está mais no mesmo nível de antes, deixando uma marquinha como referência na xícara, fazendo muitos pensarem que a entidade “bebeu o café”, quando na verdade ele apenas evaporou naturalmente (como acontece com as roupas molhadas no varal).

Enfim, parece que existe uma tendência no meio umbandista de querer ver aquilo que é invisível, como se a resposta às orações e aos pedidos devesse, necessariamente, deixar marcas visíveis de alguma forma. 

Agora, pensemos:

Quando tomamos um banho com ervas, não vemos a energia suja escorrendo com a água conforme ela banha nosso corpo e, nem por isso, o banho será menos efetivo. Quando defumamos uma casa, podemos sentir o ambiente leve ou carregado, mas não vemos a defumação queimando as vibrações ruins do ambiente e, mesmo assim, a defumação cumprirá o seu papel. Quando uma entidade nos dá passes, não vemos sair luz das mãos do médium e, mesmo assim, o passe será aplicado...

A efetividade dos processos espirituais se verifica em nossa vida, não nos resíduos das velas, nas cores de um arco-íris, num beija flor que entra pela janela...

Enfim, como ouvi recentemente e acho que se aplica bem ao contexto da Umbanda: cabeça nas nuvens e pés no chão.

Leonardo Montes 

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O GOOGLE NÃO ENVIARÁ MAIS TEXTOS POR EMAIL

Atualmente, mais de 130 pessoas estão cadastradas no blog para receber as novas postagens por email. É um serviço muito interessante, porém, ele será desativado pelo Google. Recebi nesta manhã esta informação e, por isso, logo você não receberá mais as postagens por email, pois se trata de um serviço automatizado do Google.

Portanto, a partir de agora, você terá que acessar os conteúdos diretamente pelo endereço do blog: www.umbandasimples.com.br ou pelo grupo de Whatsapp: 

https://chat.whatsapp.com/DehexjLMC2mJaki0whoZbD 




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terça-feira, 13 de abril de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAP. 16: DEDICAÇÃO

MÉDIUM

A mediunidade exige dedicação. Ao lado de todo o desenvolvimento aqui narrado e todas as boas experiências que tive, é preciso dizer que também passei, sim, maus bocados.

Primeiramente, a tentação do resguardo. Um dia antes do trabalho nada de: carne, sexo, bebidas, fumo... Vigiar e orar em dobro, etc. Resguardar-se por uma semana, um mês, é fácil... Mas, fazer o resguardo ao longo de vários meses se torna, às vezes, bastante penoso...

Quantas vezes amigos me convidaram para sair, justamente, num dia de trabalho?

Quantas vezes o sono, a preguiça, o frio ou o simples cansaço do serviço me convidavam a permanecer em casa, confortavelmente? E por aí vai...

E o que dizer dos ataques espirituais?

Cada pessoa sinceramente empenhada no bem e que sirva à espiritualidade se torna alvo de ataques das trevas. Como exemplo, vou contar um episódio que se passou comigo.

Às segundas, tínhamos trabalho de desobsessão espiritual. Trabalhei o dia todo, cheguei em casa, tomei banho, comi algo leve e já me preparava para ir ao terreiro. Senti, estranhamente, que estava sendo

vigiado. Repentinamente, uma multidão de vozes me rodeava, xingando, vociferando, ofendendo. Uma leve vertigem me atacou a ponto de precisar me sentar na cama.

Gosto muito de ouvir a cantora Enya. Coloquei uma música suave dela no smartphone e, com muita dificuldade, elaborei uma prece mal feita. A vertigem diminuiu e saí para a garagem. Ao tentar ligar a moto, nada. Nem sinal de partida. Tentei dar “tranco”, nada. Já estava suado e cansado de tanto fazer força empurrando-a e nem sinal de partida. A vertigem aumentou, as vozes retornaram ainda mais intensas.

Pedi auxílio ao meu pai que, estranhamente, mudou de humor da água para o vinho. Passou a reclamar de tudo, me criticar pela moto e a dizer que eu não deveria trabalhar aquela noite. Estranhei sobremaneira a mudança de comportamento dele, pois instantes antes, estava tranquilo. Por fim, deixei a minha moto e pedi a da minha irmã emprestada.

Uma intuição me veio para que andasse devagar e que não me preocupasse com o atraso (afinal, perdi tanto tempo tentando fazer a moto ligar que já estava atrasado). Dirigi devagar e numa rotatória por onde sempre passo a moto simplesmente escorregou e eu quase caí... Sempre passei por aquele trajeto e nunca tive problema algum. Apenas esta vez e nunca mais!

As perturbações seguiram até chegar ao terreiro. Tão logo estacionei a moto e dei o primeiro passo portão adentro as perturbações simplesmente cessaram.

Vários outros episódios semelhantes ocorreram de modo que não deixaram dúvidas quanto a origem espiritual. Se não me atingissem diretamente, atingiam pessoas ao meu redor que, por consequência, me atingiam também...

Bom, mas e a proteção dos guias? Ela existe e se não fosse por eles, simplesmente, não conseguiríamos trabalhar... Entretanto, há limites para intervenção. Eles não podem, simplesmente, nos livrar de todos os males que nós mesmos causamos por nossa invigilância, pela falta de fé ou por nossa inconstância sentimental...

Como diz o ensino evangélico: ajuda-te que o céu te ajudará.

Que os futuros médiuns estejam cientes, pois, que a mediunidade encerra incríveis possibilidades de melhoria e aprendizado que a maioria das pessoas não terá acesso, mas ela também é construída com muito esforço e sacrifício.

Leonardo Montes

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domingo, 11 de abril de 2021

DICAS PARA EVITAR MAL-ENTENDIDOS NO TERREIRO

cabocla

A primeira experiência desagradável que tive no universo religioso se deu em um centro espírita em que trabalhava. Eu era responsável por fazer palestras que aconteciam antes do trabalho de almoço fraterno. Após uma destas palestras, uma moça me procurou e começou a falar mal do seu marido.

Eu nem consegui responde-la. Quando, enfim, fez uma pausa para respirar mais profundamente, perguntei:

— Se ele é tudo isso, então, por que ainda está casada com ele?

Ela nada me respondeu. Parecia abalada com a minha pergunta. Virou as costas e foi embora.

Na semana seguinte, após a palestra, estava conversando com uma voluntária da casa quando um homem que parecia ter o dobro do meu tamanho entrou no centro e que foi logo perguntando:

— Eu quero saber quem é que mandou a minha esposa me largar!

Lembrei-me na hora do caso. Meu coração disparou. Pensei que apanharia ali mesmo, no centro. Contudo, munido de uma coragem que deve ter sido inspirada, fechei o semblante e comentei com muita rispidez tudo o que a moça havia me dito sobre ele, explicando que em momento algum havia pedido que ela se separasse. A voluntária ao meu lado confirmou a conversa anterior.

O rapaz ficou chocado com tudo que ouviu e disse:

— Não imaginei que ela pensasse isso de mim...

Ficou sem graça, pediu desculpas e nunca mais o vi. De minha parte, o alívio foi imediato e, desde então, procuro sempre ser muito cauteloso em situações assim (e, creiam, são muitas).

Conseguem imaginar todos os desfechos que esta história poderia ter tido? São muitos...

Por esta razão, pensei em algumas medidas de segurança que devemos adotar na realização dos trabalhos espirituais, listando algumas situações típicas no universo da Umbanda e que certamente ajudarão tanto a equipe, quanto os consulentes que participam desses trabalhos:

Às vezes, é preciso fazer um atendimento emergencial no terreiro, em razão da necessidade de um consulente, amigo, familiar, etc. Quem trabalha em terreiro certamente já observou alguma situação assim, então, aqui vai a primeira dica: nunca vá sozinho para o trabalho. O médium deve sempre chamar, no mínimo, mais uma pessoa da casa para acompanha-lo. Assim, se no futuro surgir qualquer conversa “estranha” não será a voz de um contra a de outro, haverá testemunhas;


Às vezes, os consulentes pedem para fazer uma reza, passe ou defumação em suas residências. É um pedido relativamente frequente e, novamente, jamais se deve ir sozinho, chame pelo menos mais algumas pessoas do terreiro para acompanha-lo, tanto para dar suporte espiritual, quanto para auxiliar em quaisquer circunstâncias e, novamente, se no futuro houver qualquer conversa “estranha”, existirão várias testemunhas...


Na hipótese da realização de algum trabalho espiritual em residência própria, jamais o médium deve estar sozinho com o consulente. Tanto no que se refere ao apoio espiritual, quanto pessoal: se for realizar algum trabalho em sua residência, chame pessoas experientes para participar (e, consulentes, desconfie quando um médium te chamar para fazer um trabalho na casa dele, especialmente, se estiver sozinho. É claro que pode ser que esteja agindo com a melhor das intenções, mas muitos abusadores no meio espiritual usam essa tática);


Evite intimidade com consulentes. Eu já tive a desagradável experiência de ser xingando, não uma ou duas vezes, por maridos ciumentos via Whatsapp de suas esposas. Como sempre estou disponível para conversar com quem se interessa, muitas mulheres entram em contato comigo (a maioria do público do meu canal é feminino) e mesmo atendendo com todo respeito e consideração, ainda assim, algumas vezes passei por este aborrecimento, imaginem se eu ficasse de “tititi” por aí? Por isso, considero muito inapropriado que médiuns/cambones fiquem conversando e trocando intimidades com consulentes (então, não existe esta do “guia” mandar o consulente passar telefone para o “cavalo” – consulentes, se isso acontecer, saiba que é coisa do médium e não do guia);


Não toque nas pessoas durante o passe. Este é um ponto importante e nós já tivemos problemas com isso em nosso terreiro. Pelo menos duas vezes fomos procurados por mulheres que tomaram passe e se sentiram incomodadas pelo fato de serem tocadas em seus braços ou pernas durante o passe. TOCAR O CONSULENTE É TOTALMENTE DESNECESSÁRIO porque o passe não passa pela mão e não entra pela pele, ele é absorvido pelo campo áurico da pessoa. Então, a minha sugestão é que se evite tocar o consulente, pois não faltarão quem veja “pelo em ovo”, assim como muitos médiuns sem caráter podem se aproveitar para “tirar uma casquinha”, é triste falar isso, mas é uma verdade;


Se necessário chamar a atenção de um médium/cambone, o dirigente não deve fazê-lo sozinho, pois se amanhã ou depois surgir qualquer conversa fora de rota, haverá testemunhas que poderão confirmar o que foi dito, separando o joio do trigo;


Durante o desenvolvimento, é preciso ter muito cuidado para não tocar nas partes íntimas, especialmente, das mulheres. Quando se faz a corrente em volta da médium em desenvolvimento, as mãos nunca devem estar na altura em que possam tocar os seios, assim como na hipótese dela se desequilibrar, deve-se sempre colocar o braço em suas costas para ampará-la na queda com a mão fechada, evitando abraça-la pelas costas, mesmo na intenção de segurá-la, já que acidentalmente a mão pode acabar tocando o seio. Da mesma forma, se houverem mulheres na corrente em torno do médium em desenvolvimento, na hipótese do mesmo se desequilibrar, vindo para o seu rumo, a médium deve escorá-lo com seu ombro, não de frente, como é comum. O homem que fizer parte da corrente, deve colocar seu corpo posicionado lateralmente, protegendo a sua genitália, pois em muitas giras a pessoa acaba abrindo os braços e pode vir a acertá-lo no meio das pernas. Fazendo isso, evita-se tanto a dor, quanto o constrangimento.

Enfim, poderia citar outras tantas medidas, porém, creio que estas sejam suficientes para entender o espírito da coisa: cuidado. Cuidado consigo e cuidado com o outro. Respeito por si e respeito pelos outros, evitando brechas para mal-entendidos, fofocas, mentiras, malícias e tudo o mais que pode acontecer com o descuido de uma pessoa e que pode afetar todo o terreiro. 

Leonardo Montes 


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sábado, 10 de abril de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 15: CONHECENDO AS ENTIDADES

diário

O desejo de saber quem são as entidades que trabalharão conosco gera uma enorme expectativa. Curiosamente, as entidades-chefes, durante o desenvolvimento, não costumam revelar estes nomes, esperando que as próprias entidades o façam.

O primeiro espírito que se deu a conhecer, como narrei anteriormente, foi o Pai José do Congo. Um preto-velho sábio, calmo, bom ouvinte. Eu já ouvira falar do Pai Arruda e que trabalharia com ele, mas não o conhecia. Só vim a incorporá-lo em novembro de 2015, três meses após iniciar os atendimentos públicos...

Em seguida, conheci o caboclo Uirapuru, da linha de Oxóssi. A princípio, ele quase não falava, agia energicamente e parecia incansável. Sempre que trabalhava com ele eu desincorporava quase morto de cansaço. Aos poucos, porém, começou a falar. Ainda hoje, é um caboclo de poucas palavras, mas seus conselhos são simples, claros e diretos, apesar de seu jeito truncado de dizer as coisas.

Logo, soube que trabalharia com um Hindu na desobsessão e nos trabalhos de cura. Eu aprendi a sentir a energia desse espírito que, quando incorporava, caminhava de forma ereta, quase nunca conversava e dava passes de forma bem diferente, fazendo movimentos circulares com as mãos, formas piramidais e quase teatrais, aos meus olhos. Ele só revelou seu nome em junho de 2015: Caboclo Ragi (e não faço ideia do motivo pelo qual se define como caboclo).

O quinto espírito que eu conheci foi o baiano Vicente. Eventualmente trabalhávamos com a linha dos Baianos e ele se manifestou por meu intermédio apenas três vezes em um ano de trabalho. Descontraído, atencioso e alegre, sua incorporação é tranquila, embora sinta um pouco de dor nas costas, já que ele não anda completamente ereto e sempre de mãos fechadas, gritando: axé, axé!

O sexto espírito foi o Exu do Lodo... Sempre se manifesta ao chão, com uma risada estridente, bastante alegre, brincalhão e muito desbocado... A primeira vez que eu o incorporei foi em meio à cana, enquanto estávamos fazendo uma entrega. Ele riscou seu ponto ali mesmo, com o dedo, na terra. A priori senti medo, pois seu modo de agir é totalmente diferente do meu. Com o tempo, porém, ele se tornou tão popular que passou a ser a manifestação mais esperada de todas.

Quase ao mesmo tempo conheci Rosa Vermelha da Encruzilhada, uma pombagira. Veio após um trabalho com os exus, trazendo sua presença feminina e seus bons ofícios em prol de todas as mulheres (atende quase exclusivamente mulheres) que sofrem com relações afetivas, problemas familiares, dificuldade na educação dos filhos, etc. Gosta de beber uma sidra vermelha semelhante ao champanhe e faz questão de ter sempre entre os dedos um cigarro convencional.

O oitavo espírito se apresentou de forma inusitada. Encerrávamos os trabalhos dos pretos-velhos e

começou-se a cantar para as crianças. Nunca havia desenvolvido com esta linha. Participei também dos cantos quando fui chamado pela preta-velha que comandava os trabalhos à concentração. Senti, então, uma energia intensa, totalmente diferente do que estava habituado e após um processo mais longo do que o normal se manifestou Juquinha Conchinha do Mar, criança da linha de Iemanjá. Sereno, educado e atua mais supervisionando as outras crianças do que, propriamente, atendendo. Gosta muito de conversar, chupar balas macias e beber fanta uva (bebida que eu detesto).

Após um ano e meio de trabalho vim a conhecer mais dois espíritos. O primeiro se apresentou como Wlado, um cigano muito atencioso, interpretador de sonhos e que demonstra muita lucidez e inteligência nos mistérios do mundo espiritual. Não abre mão de um charuto, vinho tinto e uma boa conversa. Mostra-se quase um professor.

O último veio da linha dos malandros. Apresentou-se apenas rapidamente, sem dar muitos detalhes e ainda não riscou seu ponto (alguns dizem que Malandro não risca ponto). Seu nome é Zé Pretinho e as únicas coisas que sei sobre ele é que gosta de cerveja bem gelada (outra coisa que detesto) e enroladinho de mortadela apimentada.

Esses são os espíritos que, de uma forma ou de outra, trabalharam comigo e parecem fazer parte de uma equipe espiritual com a qual irei trabalhar até o fim da

minha vida. Além destes, contudo, houveram outras manifestações, mas elas são tão raras e sei tão pouco desses espíritos que não os considero integrantes desta mesma equipe, mas trabalhadores eventuais.

No trabalho que ocorre em finados, por exemplo, trabalhei com uma preta-velha que se apresentou como Vó Maria Rosa do Cruzeiro das Almas. Em duas ocasiões, sendo uma delas um trabalho de desobsessão. Trabalhei também com uma cabocla d’agua, que também não sei quem é e, na festa de Ogum do ano de 2016, trabalhei com o caboclo Pena Vermelha, que também nunca mais deu notícias.

Acredito que, com o passar dos anos, conhecerei e trabalhei com outras linhas. Nunca vi, por exemplo, manifestações de Marinheiro, Boiadeiro ou Exu Mirim.

Enfim, caro leitor, o que posso lhe dizer sobre a ansiedade em querer saber sobre seus guias, é: tenha paciência!

Não procure informações na internet, como história da entidade, seu ponto riscado, essas coisas, pois você correrá o risco de ser influenciado pelo que vai ler. O melhor é deixar o processo fluir naturalmente que, sem dúvida, cedo ou tarde, você as conhecerá e verá que elas são suas companheiras e que sempre te auxiliarão, direta e indiretamente, em todos os momentos de sua vida... E, no fim, quem pode se queixar de esperar tendo tantos amigos dedicados em torno de si?

Leonardo Montes

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terça-feira, 6 de abril de 2021

MÉDIUNS DE ANTIGAMENTE E DE HOJE

médiuns

A Umbanda nasceu num contexto extremamente problemático: cerca de 82% da população brasileira era analfabeta, pobre e tinha muito medo da religião. Os médiuns do começo do século XX enfrentaram obstáculos quase inimagináveis, como por exemplo, o desemprego, o estigma e o desamparo.

Existem muitos relatos de pessoas que foram presas durante os cultos, apanhavam da polícia, eram soltas no dia seguinte e se mudavam com suas famílias para outra localidade para então erguer novamente seus terreiros. Particularmente, creio que este tenha sido o mecanismo inicial que fez com que a Umbanda saísse do Rio de Janeiro para os demais estados brasileiros. 

Contudo, apesar dos pesares, existiram grandes médiuns, capazes de executar fenômenos extraordinários e que praticamente não são mais vistos hoje em dia. O que mudou?

O mundo mudou!

Inicialmente, a maioria dos médiuns eram inconscientes e isso se dava em razão da necessidade da espiritualidade de fundamentar a religião, trazer a sua base. Uma vez que isso se tenha dado, a mediunidade, gradativamente, caminhou para a consciência que é a característica predominante hoje em dia.

Há quem pense que isso seja suficiente para explicar os fenômenos do passado, como por exemplo, os observados e descritos por Matta e Silva em seu livro: Umbanda e o poder da mediunidade.

Ao ler este livro, tem-se a impressão de que os fenômenos descritos não podem ser verdadeiros, dado o inusitado das manifestações. Contudo, eles são perfeitamente coerentes com o que se sabe a respeito da mediunidade, só não ocorrem com frequência na atualidade.

E, particularmente, penso que a principal razão para que tais fenômenos não mais ocorram seja, justamente, a mudança dos médiuns. E não falo da transição da inconsciência para a consciência na incorporação, mas da transição do compromisso e da retidão, para o desinteresse e a má vontade, característicos do nosso tempo.

Os médiuns do passado, em sua maioria, eram pessoas de rija têmpera, de fé inabalável, forte determinação e confiança em Deus. Eram presos num dia e no dia seguinte se mudavam com a família para dar continuidade aos trabalhos em outro lugar. Muitas vezes não tinham o que comer e repartiam o pão com os enfermos que lhes batiam à porta.

O caráter destes médiuns foi forjado na luta de um Brasil carente de tudo e sem rumo certo. Estas pessoas viviam em estado de privação e a vida se resumia em trabalhar, criar os filhos e o terreiro. Não havia muito tempo para distração e futilidades.

E hoje?

Hoje o médium tem mil distrações, mil ocupações, mil lazeres. Apesar de ainda vivermos tempos de crise e de estarmos longe das alegrias de um “primeiro mundo”, muita gente tem acesso a coisas que até bem pouco tempo seriam inimagináveis...

Para os médiuns de hoje o terreiro não é prioridade. Na verdade, aparece no quarto ou quinto lugar (e olhe lá!). Comparecem às gira se não estiver frio, se não estiver muito quente, se não houver festa na cidade, se não houver muito o que fazer...

Certa feita, uma pessoa com mais de 40 anos de Umbanda e que trabalha numa casa enorme, me disse:

- Léo, quando eu comecei na casa, se cinco médiuns faltassem, na outra semana tínhamos uma reunião para ver o que aconteceu, o motivo de tanta falta. Hoje, quarenta anos depois, faltam 30 médiuns numa gira e achamos normal, porque não dá pra exigir muito dos médiuns de hoje!

E, lamentavelmente, ela está coberta de razão!

A maioria dos médiuns que conheci, tanto pessoalmente quanto pela internet, participavam pouco das atividades da casa, interessavam-se pouco pelos rumos do trabalho, contribuíam pouco ou quase nada, comportando-se de maneira indiferente, apática, sem vontade. Não raro, sofrem o tempo todo de crises diversas: falta de fé, dúvida sobre a própria mediunidade, incerteza sobre a sua vida espiritual, etc.

Enfim, no passado, encontraríamos muitos médiuns extraordinários cujas mediunidades foram forjadas na luta e em terreno árido. Na atualidade, com tantas facilidades e distrações, encontramos uma multidão de médiuns meia-boca, sempre dispostos a ficar pelo caminho...

E não pensem que fujo a esta equação, pois embora não me veja tão desleixado quanto a maioria que conheci, nem de longe possuo a fé ardente dos primeiros médiuns da Umbanda. 

A parte boa é que podemos nos inspirar em quem quisermos, procurando o melhor que existe em nós mesmos: podemos nos aproximar dos primeiros ou dos últimos. A escolha é nossa!

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 2 de abril de 2021

TODA ENTIDADE PRECISA BEBER E FUMAR?

bebida na umbanda

É muito comum, no universo da Umbanda, as entidades utilizarem elementos como o tabaco e o álcool em seus trabalhos. Tais elementos são usados porque possuem uma energia que favorece o transe e também os processos de limpeza espiritual.

Entidades que fazem uso regular destes elementos costumam trabalhar com energias mais densas, como descarregos ou desobsessões; já entidades que fazem pouco ou nenhum uso destes elementos, costumam trabalhar mais com energias sutis, voltadas aos processos de tratamento físico, mental ou espiritual.

Assim, o ponto fundamental é compreender que cada elemento é como uma ferramenta e cada entidade utiliza a ferramenta de acordo com o serviço que vai executar e sua especialidade de atuação.

Enquanto uma entidade que trabalha com tratamentos espirituais manipula energias mais sutis que retira das plantas, da água, do ar, outra entidade, que atue mais na linha de choque contra as energias densas, utilizará a energia do marafo ou do tabaco com mais frequência, através das “fumaçadas” e “baforadas” que são excelentes meios de descarrego e limpeza profundas.

Cada entidade com sua forma de trabalhar, suas ferramentas e seus métodos. Todas, invariavelmente, são exímias em suas áreas de atuação e sabem, com maestria, manipular todos os elementos visando sempre o que seja melhor para o trabalho que estejam realizando no momento.

Uma entidade que faz pouco uso de elementos não é mais evoluída que a entidade que faz uso regular, elas apenas trabalham de formas diferentes, em campos diferentes e com ferramentas diferentes.

Leonardo Montes 


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sábado, 27 de março de 2021

DIMINUIÇÃO DAS LINHAS DE TRABALHO

umbanda


Eu me desenvolvi numa casa em que se trabalhava com: preto-velho, caboclo, criança, baiano, cigano, exu, pombagira e malandro. E, quando fundamos nosso terreiro, continuamos com todas essas linhas.

Contudo, eu sempre senti muita dificuldade em incorporá-las todas, não pelas entidades, claro, mas pela falta de hábito. As principais manifestações eram: preto-velho, caboclo e exu. As demais, apenas eventualmente incorporávamos. Resultado: as linhas frequentes, tudo certo. As linhas eventuais, incorporações inseguras.

Comecei a observar a mim mesmo, a avaliar com frieza as manifestações que aconteciam por meu intermédio, posteriormente, observei outros tantos médiuns, em diversos terreiros e conclui que o melhor é trabalhar com poucas linhas.

Antigamente, os médiuns trabalhavam com uma única entidade ou, quando muito, com duas. Tanto é que, tradicionalmente, o médium era conhecido pelo nome da entidade com quem trabalhava, por exemplo: Fulana da cabocla Tal, Sicrano do preto-velho X, Beltrano do exu Y, e assim sucessivamente.

Não era comum as pessoas incorporarem cinco, seis, sete linhas diferentes, sendo esta uma situação bem mais recente no universo da Umbanda.

Mas, por que cheguei a esta conclusão? Explico!

Eu observei diversos médiuns em atividade, tanto em nossa casa, quanto em outras e percebi que a maioria (e certamente me incluo), consegue trabalhar bem com duas ou três linhas diferentes, além disso, começam a misturar as coisas.

Eu via, por exemplo, caboclos que pareciam baianos; baianos que pareciam marinheiros; marinheiros que pareciam caboclos, etc. Às vezes, só conseguia distinguir a linha que estava atuando por saber previamente como seria o trabalho. Era nítido como alguns médiuns pareciam desconfortáveis em receber esta ou aquela linha.

E, sinceramente, não creio que isso se deva a qualquer falha dos médiuns: simplesmente, não há plasticidade mediúnica para “caber” tantas personalidades diferentes no aparelho psíquico do médium. E isto ocorre, inclusive, com médiuns inconscientes!

Eu conheci alguns que trabalhavam maravilhosamente bem com pretos-velhos e caboclos, mas já não trabalhavam tão bem com baianos ou malandros, por exemplo. Então, por mais que alguém tenha uma mediunidade “forte”, mesmo ela possuirá limites.

Por isso, conclui que é melhor trabalhar com duas ou três linhas e trabalhar de maneira firme e confiável, do que com seis ou sete de maneira imprecisa e insegura!

— Ah, mas as outras linhas não ficarão tristes?

— Não, não ficarão. Quem tem esse apego somos nós, não eles. Além do mais, continuarão a auxiliar da mesma forma, apenas não incorporarão mais. 

— Ah, mas como decidir com quais linhas trabalhar?

— Isso é com cada terreiro.

Não há linhas melhores ou piores do que outras. O que existe é a diretriz da casa. Em nosso caso, são caboclos e pretos-velhos as linhas principais.

Cada casa com sua diretriz!

Eu penso que este processo de diminuição das linhas de trabalho seja fundamental para que os terreiros passem a ter mais qualidade mediúnica em seus trabalhos.

Leonardo Montes 


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segunda-feira, 22 de março de 2021

ESPARADRAPO NO UMBIGO – FUNCIONA?

manipura

Sempre achei esta prática muito estranha e, de tempos em tempos, a vejo ressurgir na internet como uma onda que vem e que vai. Porém, será que realmente existe alguma implicação espiritual para seu uso?

Fiz uma breve pesquisa na internet tentando entender de onde teria surgido essa ideia e não encontrei nada concreto. Contudo, achei postagens de 2009 que já falavam no assunto. Por volta de 2012 a prática ressurgiu nas redes, porém, neste período, falava-se muito sobre tapar o umbigo com a mão quando próximo de alguém carregado ou mesmo usar um adesivo para se proteger.

O boom parece ter ocorrido quando uma atriz global deu uma entrevista falando no assunto, explicando que cobria o umbigo com um esparadrapo para se proteger. Pelo tanto de postagens sobre o assunto em 2013, sou levado a pensar que a entrevista repercutiu e logo várias pessoas começaram a falar sobre o assunto na internet e, de lá para cá, vira e mexe, ele reaparece com maior ou menos força.

Na região umbilical, existe um chakra chamado Manipura (plexo solar), responsável pelos processos digestivos e também por influenciar a vontade e a tomada de decisão. Em tese, ao tapar o umbigo, as energias ruins não perturbariam este chakra e, por consequência, não afetariam as pessoas. Mas, será mesmo?

A primeira vez que ouvi sobre o esparadrapo, pensei: por que o esparadrapo protege e uma blusa, não? Até hoje, não encontrei resposta...

Sinceramente, penso que esta é mais uma prática que as pessoas seguem por verem artistas e famosos fazendo também. Não vejo lógica alguma em sua prática e acho mesmo que ela produz uma leitura da vida completamente equivocada: ao invés de se preocupar em tapar o umbigo, não seria melhor se preocupar em não estar na companhia de pessoas carregadas ou em lugares pesados? Não é mais lógico cuidar da nossa energia do que se preocupar em saber por onde ela entra?

As energias são absorvidas de acordo com nosso padrão vibratório, não pela abertura do umbigo (será que as pessoas que possuem o umbigo fechado estão naturalmente protegidas?). 

Além do mais, é bom lembrar que o plexo solar é apenas um chakra, existem ainda outros seis principais. Será que para se precaver das energias nocivas não seria importante também colocar um esparadrapo no restante do corpo, inclusive, um lá em baixo, onde se localiza o chakra Muladhara?

Leonardo Montes 


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sexta-feira, 19 de março de 2021

A IMPORTÂNCIA DE UMA CONSULÊNCIA CONSCIENTE

moedas

A maioria dos terreiros de Umbanda sobrevive com muitas dificuldades, isto porque as casas verdadeiramente sérias trabalham sempre de forma gratuita, acolhendo a todos sem distinção.

Contudo, eu sou partidário da ideia de que o consulente pode e deve contribuir com a casa que frequenta, afinal, se ela deixar de existir, ele será diretamente impactado.

Por isso, embora defenda com unhas e dentes a gratuidade das sessões, nem por isso penso que o consulente deva apenas se consultar e ir embora como se tudo que lhe interessa terminasse após o passe... Neste sentido, cada terreiro deve trabalhar a conscientização de seus frequentadores sobre a importância da contribuição financeira de cada um.

Em nossa casa, deixamos uma caixinha e antes do início das giras sempre digo que os trabalhos são gratuitos, porém, quem quiser ajudar, com o que puder contribuir, basta depositar o valor desejado na caixinha.

Às vezes, conseguimos R$ 10,00 reais numa gira, às vezes, conseguimos R$ 100,00 e assim vamos tocando os trabalhos...

É preciso não esquecer que a gratuidade das atividades na Umbanda não existe porque o dinheiro não seja importante, mas para que todas as pessoas tenham a possibilidade de se consultar com as entidades e não apenas quem tenha dinheiro para pagar por uma consulta...

Assim, penso que quase todos conseguiriam contribuir com alguma coisa e é neste ponto que quero focar. 

Eu tenho por hábito sempre levar alguns trocados quando visito um terreiro. Alguns também têm uma caixinha; outros passam uma toalha ou uma cesta; outros pedem para entregar para uma pessoa da casa e assim vai.

Não me custa nada! Eu não vou ficar mais pobre doando dois, três, cinco reais que me sobraram de alguma coisa. É nisto que as pessoas precisam pensar!

Quantos já me disseram que acham um absurdo o terreiro cobrar uma consulta (eu também acho), mas estas mesmas pessoas contribuem com o quê? Vão nas redes sociais, reclamam dos terreiros, mas elas mesmas não fazem nada... Não acham um absurdo gastar com balada, com bebida, com pizza, mas se tiver que doar cinco reais para o terreiro, ficam profundamente ofendidas...

Nesta pandemia, por exemplo, recebemos dezenas de mensagens de pessoas perguntando se os trabalhos estavam ocorrendo ou quando a casa voltaria a funcionar, mas não recebemos uma única mensagem perguntando se a casa precisava de alguma coisa, desde uma vela a uma ajuda pra limpá-la neste período. 

Portanto, precisamos ampliar a nossa consciência, sair da posição de alguém que apenas recebe e nos perguntarmos como podemos também contribuir, seja com um serviço ou com um trocado, afinal, repito mais uma vez, se o terreiro fechar, todos perdem.

Por fim, gostaria de tocar num outro assunto correlato e que sempre aparece: a doação de itens de trabalho (vela, charuto, marafo, etc). Na minha experiência? Não compensa incentivar a doação!

O motivo? A maioria compra elementos de péssima qualidade, o mais barato possível e isso não ajuda em nada, atrapalha na verdade. 

Durante um tempo pedíamos a contribuição de itens de trabalho, mas vi que não valia a pena: a pessoa comprava o que de mais barato existia, não porque era o que ela podia dar, mas aquela velha noção de que para caridade qualquer coisa serve...

É claro que para fazer uma gira nenhuma entidade precisa de um charuto cubano, mas também não precisa daqueles charutos que deixam gosto de esterco na boca dos médiuns (e há quem diga que seja esterco mesmo), velas que se partem ao meio durante a queima (e que deixam muita gente assustada achando que é demanda), marafos que amargam até a alma dos exus... Você realmente acha que isto é caridade?

Aliás, certa vez fizemos uma campanha de doação de roupas para distribuir às pessoas carentes. Recebemos muita coisa boa, mas recebemos muitas roupas que tinham que ir para o lixo... Até uma calcinha com um absorvente grudado de sangue... Você realmente acha que isto é caridade? Você gostaria de ganhar algo assim?

Não é porque se destina a caridade que precisamos ofertar lixo. A mesma coisa vale para o terreiro. Procuramos sempre elementos de qualidade para que os trabalhos possam acontecer com o necessário (e nunca usamos mais do que o necessário) e por isso pedimos a contribuição financeira ao invés de itens (que não são recusados quando ofertados, claro). 

Uma vez uma pessoa me disse:

— Dinheiro eu não dou, mas dou velas.

E não dá por quê? Você acha que alguém do terreiro vai querer seus cinco reais para uso próprio? Então, com essa mentalidade, não dê nada. Se você não confia na casa, fique com o seu dinheiro... Simples assim!

Antes de finalizar, repito mais uma vez: os trabalhos precisam ser gratuitos, mas se você pode, doe, o que puder, quando puder.

Leonardo Montes


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quinta-feira, 18 de março de 2021

ERVAS, NOSSAS AMIGUINHAS?

ervas na umbanda

De modo geral, chamam-se de ervas, no contexto da Umbanda, toda e qualquer planta, folha, raiz, flor, etc. É uma palavra  generalizada para  facilitar a compreensão do "reino vegetal" na religião. 

Seu uso foi fartamente disseminado, especialmente pelas imensas dificuldades enfrentadas pela população pobre no início do século XX que raramente conseguia ter acesso a algum serviço de saúde.

A sabedoria ancestral aliou-se ao saber espiritual, fazendo das ervas um recurso poderosíssimo para o tratamento dos males deste e do outro mundo. Foi neste contexto que os terreiros se transformaram em "consultório de pobre" e foi assim que muita gente conheceu a Umbanda.

De lá para cá, porém, muita coisa mudou. A medicina avançou, o SUS surgiu, o acesso à saúde melhorou sensivelmente (esta é a principal razão pela qual quase não se vê mais as garrafadas, tratamentos com raízes, xaropes e chás recomendados pelas entidades), de modo que, atualmente, elas têm focado seus esforços em outros tipos de males que assolam a humanidade, tais como: a solidão, a tristeza, a rejeição, a depressão, etc.

Voltando às ervas, você certamente já deve ter ouvido falar de algum parente que conhece bem as plantas, que entende de folhas, que sempre sabe uma receita caseira para tratar isso ou aquilo, certo? 

Contudo, você também já deve ter ouvido falar de chás perigosos, abortivos, que causam males e, se conhece alguém das antigas que entende de ervas, perceberá que eles possuem uma visão diferente da que encontramos hoje em dia: respeito e receio de certas ervas. 

Àquele tempo, diferentemente de hoje, havia um respeito muito maior em relação à natureza: boa parte da população dependia dela para seu sustento. Plantava-se nos quintais, nos fins de semanas os homens saíam para caçar (e ter, assim, carne na mesa), as plantas curavam feridas, dores, traziam tranquilidade e alívio. Era um mundo diferente...

Mas, não era apenas pela necessidade dos elementos vegetais que manifestavam esse respeito, eles também sabiam - e muito bem - que certas ervas são perigosas, que determinadas combinações são nocivas e que, se não administradas com cautela, podem prejudicar.

Nos terreiros a situação não era diferente: os antigos manipulavam as ervas com muito cuidado, com muito receio, sendo tudo sempre sigiloso, misterioso

Atualmente, é corrente a visão de que as "ervas são nossas amiguinhas", que a natureza é nossa "mamãe", de que "mal não faz" e assim fomos de um "não põe erva na cabeça pelo amor de Deus" a um "dá nada não".

Mas, as ervas são nossas amigas?

R: - A natureza não é nossa amiga, ela é selvagem! 

Nada deixa isso mais em evidência do que quando assistimos aqueles documentários do NetGeo sobre "vida selvagem" e vemos algum felino caçando. Você, como eu, talvez sempre olhe para o outro lado para não ver a morte da presa... Mas, mesmo assim, ela ocorre... É o instinto, é a sobrevivência em ação: a natureza não é nossa amiga mais do que foi da gazela antes de ser morta pelo leão...

Quando você vai colher um galhinho de arruda, por exemplo, acha que a planta fica feliz? Acha que ela se sente bem ao ter um pedaço arrancado por alguém? É por isso que as entidades pedem para rezarmos antes, pedindo permissão a planta (e todos se sentem meio malucos por fazer isso), mas é uma prática que visa minimizar o dano, fazendo com que a planta entenda (e, sim, elas entendem) e facilitem a retirada das folhas (e é aqui que você que age como um trator ao retirar as folhas deve repensar sua conduta).

A energia que a erva possui é selvagem, não é boa ou ruim, não tem consciência de si ou como as entidades me ensinaram: é uma "força cega". 

Quando você libera essa força, seja através de banhos ou defumações, está liberando uma energia que, se adequada ao que você necessita, poderá lhe fazer muito bem; porém, se não for adequada, poderá lhe fazer mal e é por isso que eu, particularmente, não gosto de passar receitas: o que funciona para um, pode não funcionar para outro e pode mesmo prejudicá-lo, se não souber manipular com cuidado.

Eu me lembro de uma pessoa que queria desistir do seu desenvolvimento, dizendo que não conseguia evoluir sua mediunidade, que estava cansada, desanimada. Fiz um check-list verbal com ela, verificando se estava cumprindo todas as etapas. Quando chegamos no banho de ervas, ela me disse:

- Sim, faço sempre no dia da gira.

- Quais ervas você usa?

- Faço sempre com arruda.

- Oi?

Arruda é uma erva de limpeza profunda. Porém, se toda semana você toma banho de arruda, acabará limpando, igualmente, as energias boas que possui e, como consequência, acabará fraco, cansado, desanimado. O banho antes da gira precisa ser um estimulante à mediunidade, mas, se for feito com ervas que limpam, então, faltará energia e o desenvolvimento será fraco.

Bastou que lhe orientasse de uma outra forma e até hoje está firme, forte e trabalhando em terreiro...

A associação que as pessoas fazem do uso das ervas com benefícios imediatos é, no mínimo, imprecisa. Existem alguns livros, especialmente os mais antigos, que ensinam a fazer, por exemplo, defumações para prejudicar o próximo. É mole?

Você sabia disso?

Então, se as ervas são "amiguinhas", se a natureza é nossa "mamãe", se o "Orixá entende", então como poderia nos prejudicar, não é mesmo? 

Então, para não me alongar muito mais, vou resumir o meu entendimento: a energia das ervas é selvagem, nem boa, nem ruim; é preciso saber manipulá-las, do jeito certo, com respeito, oração, concentração, conhecimento de causa, para tirar o melhor proveito; se não observadas essas circunstâncias, se não houver respeito, se os procedimentos não forem corretos, os efeitos poderão ser bem inferiores aos desejados ou mesmo prejudiciais, especialmente, se as combinações não favorecerem o caso, o que requer sempre conhecimento de causa.

Leonardo Montes 

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sábado, 13 de março de 2021

Origens dos sonhos

sonhos


Do ponto de vista espiritual, são basicamente três as origens dos sonhos:

1. Sonhos como uma linguagem simbólica do inconsciente;

2. Sonhos como produto de uma influência espiritual obsessiva;

3. Sonhos como reflexos de experiências espirituais durante o sono físico.

Em essência, são basicamente estas as variantes. Vamos analisá-las.

Linguagem simbólica do inconsciente

Engana-se quem, porventura, pense que a mente foi desvendada pela ciência. A bem da verdade, penso que ela continua tão misteriosa hoje quanto na época dos primeiros estudos psicológicos.

O fato, porém, é que a maioria dos psicólogos e demais estudiosos concordam sobre a existência de uma “parte” da nossa mente muito pouco ou mesmo nada sondável que chamamos de inconsciente.

Para formar uma imagem, imagine um Iceberg. A parte visível do mesmo no mar seria a “porção” consciente de nossa mente e toda a parte submersa (a maior parte) seria a “porção” inconsciente da nossa mente.

Uma outra forma de se pensar o inconsciente é imaginá-lo como o porão da nossa mente. Nele ficam guardados tudo aquilo que vimos, ouvimos, pensamos ou sentimos.

Para não nos alongarmos em conceitos psicológicos, podemos dizer que alguns sonhos são produtos do inconsciente, talvez, uma tentativa de comunicação com a “parte” consciente da nossa mente.

Assim, tudo aquilo que vemos, ouvimos, sentimos, pensamentos, desejamos, tememos, etc., se projeta, através dos sonhos, em imagens, histórias, situações que, na verdade, se encontram dentro de nós mesmos e que apenas buscam uma alternativa, um caminho, para serem compreendidas através da consciência.

Os sonhos cuja causa está no inconsciente, quase sempre “falam” sobre coisas do nosso dia-a-dia e que traduzem a nossa vivência cotidiana. Geralmente não são muito claros, podem ser confusos, sem nexo, misturando uma variedade de sentimentos e contextos num mesmo “momento”.

Influência espiritual obsessiva

A influência espiritual obsessiva, embora não seja estudada cientificamente, é uma antiga e conhecida causa de sonhos entre os estudiosos das religiões espiritualistas.

Um espírito obsessor é um espírito que, por uma razão qualquer, está influenciando negativamente uma pessoa encarnada (definição clássica e utilizada como exemplo neste texto).

Esta influência pode ocorrer de diversas maneiras, sendo uma delas o sonho. O espírito pode, através da sua energia negativa, envolver energeticamente a pessoa-alvo e induzi-la, mentalmente, a ter experiências muito desagradáveis.

Aliás, é característica deste tipo de sonho a experiência desagradável.

Nestas situações, o espírito pode plasmar, mentalmente, formas, lugares, situações, pessoas, etc.

Importante destacar que nenhum espírito é capaz de assumir a aparência de outra pessoa, porém, pode induzir uma imagem mental, como todos nós somos capazes de fazer ao imaginarmos uma pessoa fazendo qualquer coisa, por exemplo.

Estes sonhos, portanto, não são frutos de processos inconscientes, mas da influência mental de outra mente (no caso, desencarnada) sobre a da pessoa encarnada. Neste sentido, o espírito pode plasmar/induzir projeções que causem medo ou pânico conforme os medos e anseios de cada um.

Por exemplo, tal pessoa tem um medo terrível de ladrão. O espírito, previamente sabendo disso, já que consegue ler os pensamentos com muita facilidade, pode se aproveitar do momento de descanso para induzir sonhos em que um ladrão tente invadir a casa, fazendo, assim, com que a pessoa-alvo tenha uma experiência desagradável e venha a ficar com medo durante o estado de vigília.

Reflexos de experiências espirituais

Embora a causa anterior tenha sua origem espiritual, faço aqui a seguinte distinção: chamo de reflexos de experiências espirituais, as experiências passíveis de serem vivenciadas por todos nós em estado de desdobramento espiritual, isto é, quando o espírito se separa momentaneamente do corpo físico durante o sono corporal e se encontra mais ou menos livre para entrar em contato com outros espíritos ou visitar outros lugares tanto na Terra quanto no plano espiritual.

Esta é uma experiência muito comum entre trabalhadores da mediunidade, por exemplo: sonhar que está em sua casa de fé trabalhando. Porém, neste caso, o trabalho que se executa não é uma lembrança de algo já feito e, embora por vezes pouco nítido, tem-se a impressão de se estar de fato na casa religiosa, vê-se os companheiros de trabalho mediúnico e, por vezes, os próprios guias espirituais com quem frequentemente conversam quando incorporados e que ali se encontram quase “em carne e osso”.

Outro tipo de experiência muito comum neste sentido é a visita de familiares desencarnados, o que pode ocorrer tanto na casa da própria pessoa quanto num outro lugar espiritual, geralmente, mais belo que a paisagem terrena, sendo provável a visita a um posto de trabalho ou mesmo a uma colônia espiritual.

Neste tipo de sonho, tem-se a certeza de não ter sido apenas um sonho comum. Há um quê de veracidade, cuja definição é imprecisa, mas que confere a pessoa a certeza de ter vivido algo legítimo e não apenas um sonho qualquer.

Nestes encontros, podem ocorrer coisas como: revelações sobre o futuro, avisos sobre o presente, alertas e conselhos, etc.

Ao retornar para o corpo físico, a pessoa perde boa parte daquilo que vivenciou, pois o cérebro material não foi feito para registrar com fidelidade as experiências espirituais, restando, no entanto, a essência da experiência vivida.

Interpretando sonhos

Este é um dos pontos nevrálgicos deste texto. A experiência comum popular sempre atribuiu significados maravilhosos e fantásticos aos sonhos, o que quase sempre leva o indivíduo a formar uma ideia errônea a respeito da própria experiência.

Ainda hoje encontramos quem jogue no jogo do bicho após um sonho. O curioso é que a pessoa que possui este hábito e joga com muita frequência, quase sempre não acerta, porém, quando acerta e ganha, interpreta o sonho como uma espécie de aviso e isso acaba funcionando como um viés de confirmação.

Além disso, encontramos também pessoas que pensam existir alguém (ou algo, como um livro de sonhos) que seja capaz de interpretar os seus sonhos. Eu mesmo já fui interpelado diversas vezes por pessoas que tiveram um sonho interessante e queriam compreender o seu significado, procurando por uma interpretação correta que imaginavam que eu poderia lhes oferecer. E aqui está o perigo!

Ninguém pode interpretar o sonho de outra pessoa só porque lhe foi contado, justamente, porque o sonho é uma experiência pessoal. Mesmo em processos de análise, não se interpreta o sonho separado do contexto terapêutico envolvendo o paciente.

Até mesmo em situações que se possa pensar ter um sentido geral, percebe-se que as interpretações são muito diferentes. Por exemplo: há pessoas que se sentem entristecidas num dia chuvoso e frio, enquanto outras se sentem aconchegantes e satisfeitas. O clima é o mesmo, mas a sensação que provoca é diferente em cada pessoa.

Portanto, penso que não exista (pelo menos encarnado) quem possa ouvir o sonho de alguém e dizer se este sonho foi uma experiência espiritual, obsessiva ou fruto do inconsciente ou atribuir este ou aquele significado aos sonhos.

Esta foi a tecla que sempre bati e que faz com que muitas pessoas pensem que eu não acredite em sonhos revelatórios ou nos encontros espirituais, o que não é verdade: o que eu não acredito é que um terceiro possa avaliar, diagnosticar e significar uma experiência que, em essência, é puramente pessoal e subjetiva.

Outras causas

Um ponto importante e que precisa ser ressaltado é que, no início do texto, eu disse que os sonhos são, basicamente, frutos de três situações. Porém, existem outras, menos comuns, como por exemplo, o sonho que se revela uma lembrança de vida passada.

Procure você o significado

Até aqui, o que me parece claro é que o sonho possui sua razão de ser. Se sua origem está em processos ligados ao inconsciente, significa que, de alguma forma, há algo nos sonhos, em sua linguagem simbólica e, por vezes, maluca, que nosso consciente precisa apreender. Isto é um convite para nossa própria introspeção!

Se o sonho se caracteriza por processos obsessivos, traduzindo-se em medos apavorantes, cenas grotescas, etc., é uma forma “da vida” nos convidar à reforma íntima, à oração, a vigilância de nossos atos e pensamentos, pois todas as influências espirituais negativas ocorrem através de nossas brechas em todas essas coisas.

Por fim, se o sonho é uma experiência espiritual positiva, devemos saboreá-la em toda sua intensidade, procurando fixar ao máximo os seus objetivos: é um parente que volta para acalmar seu coração? Você visitou alguma colônia espiritual agradável? Teve uma conversa amorosa com seu guia espiritual? Ótimo, tudo isso tem um sentido e um significado, mas só você será capaz de chegar à essência dessa experiência.

Existem, ainda, muitas outras coisas a serem ditas sobre os sonhos, mas penso que por enquanto está bom.

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Leonardo Montes

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segunda-feira, 8 de março de 2021

Debochados na Umbanda

face palm


Como produtor de conteúdo, ao longo dos anos, aprendi a lidar com a turma do contra. Procedo assim: se a pessoa discorda de mim, porém, é respeitosa, mantenho seu comentário; se discorda de mim, porém, é irônica, debochada, ofensiva, apago seu comentário. Se insistir, bloqueio... 

Nada de infinitos debates nos meus canais de comunicação. Nada de discussões inúteis que esticam uma conversa sem proveito: simplesmente, não alimento este tipo de coisa e tampouco pretendo convencer a quem quer que seja: gostou do que produzo? Muito bem. Não gostou? Muito bem também e ponto final.

Tenho por filosofia de vida evitar, a todo custo, qualquer debate. Quem me conhece há mais tempo sabe que emito as minhas opiniões, compartilho as minhas ideias, mas tento não discutir com ninguém. 

Eu já contei o motivo desta minha escolha nas reflexões, mas em resumo, posso dizer que penso ser uma perda de tempo: quem quer aprender, não quer discutir e quem discute, não quer aprender! Assim aprendi com um velho sábio na Umbanda...

Porém, é esta dose de bom-senso que falta nos grupos virtuais de Umbanda hoje em dia. Como exemplo, citarei o caso que me motivou a escrever este singelo texto.

Uma pessoa fez uma pergunta absolutamente comum num destes grupos: o que faço quando a guia arrebenta? As respostas, basicamente, tenderam a dois tipos: despacha na natureza (rio/cachoeira) ou reza, agradece e joga no lixo. A partir destas respostas, as tensões cresceram e as discussões se acirraram. 

Na tentativa de defenderem seus pontos-de-vista, cada um dos lados atacou, ofendeu e debochou do outro. O resultado? Uma pergunta simples gerou um tópico com mais de 100 respostas em que a maioria dos comentários não passou de ofensas gratuitas e “kkk”.

O curioso é que, como membros de uma religião que sofreu e sofre com todo tipo de preconceito, devíamos ser mais resilientes e tolerantes: há espaço para todas as opiniões na Umbanda, desde que haja respeito. Essa “legião deboche” que inunda os grupos de Umbanda pretendem o quê? Deixam o ambiente tóxico, dificultam qualquer conversa sadia e proveitosa, em suma, perdem tempo e nos fazem perder tempo.

Aliás, é por esta razão que praticamente não participo destes grupos. Compartilho meus conteúdos e sigo meu caminho, pois frequentemente, quem se atreve a ajudar, precisa antes preparar seu kit “dai-me paciência, senhor!”, para suportar todas as afrontas que encontrará pelo simples desejo de ajudar. Tais dificuldades estão produzindo um verdadeiro êxodo virtual: as pessoas sérias estão se afastando das redes... 

Quando comecei a estudar sobre a religião, em 2013, aprendi muito com pessoas experientes nos grupos. Pessoas que respondiam com educação, explicando suas doutrinas, fundamentando suas respostas, produzindo longos e proveitosos estudos sobre a religião. 

Na atualidade, porém, nada mais vejo que lembra este bom tempo. Apenas debates inúteis, discussões acaloradas por pouca coisa, muita vontade de chamar a atenção e parece que, quanto mais debochado, irônico, cínico e ofensivo é um comentário, mais as pessoas se interessam por aquele assunto e, entre este tiroteio todo, está um iniciante que procurou algum grupo do face para aprender Umbanda, pena que isto praticamente não seja mais possível...

E assim tenho visto em quase todo grupo sobre quase todo assunto...

Leonardo Montes  

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

SOBRE MÉDIUNS ESPONJA

chackras

Nos últimos anos, tem se popularizado na internet a expressão: médium esponja, que faz referência às pessoas que “absorvem” as energias de quem esteja ao seu redor, especialmente, as energias ruins, o que frequentemente faz com que se sintam cansadas, fracas e até mesmo doentes.

Mas, isso realmente existe?

Bom, não há nada de novo neste processo. Contudo, com o correr dos anos, sempre surgem expressões novas para se referir a problemas velhos e este é mais um destes casos.

Na verdade, não existe nenhuma mediunidade que faz com que alguém sugue as energias de outras pessoas, sejam energias boas ou ruins. Os chamados médiuns esponja são apenas sensitivos e a sensitividade mediúnica é uma das faculdades mais comuns da Terra.

O que de fato ocorre é que eles acabam se sintonizando com as energias ruins das outras pessoas e, como são mais sensíveis que a população em geral, acabam se contaminando com as vibrações ruins que atraem para si.

O médium equilibrado percebe, capta, mas não leva para si tais energias, pois possui um alto padrão vibratório; ora e vigia, portanto, está em equilíbrio. Em suma: sente, mas não “pega”.

O médium esponja, por outro lado, é um médium desequilibrado, cujos pensamentos e sentimentos estão em desarmonia, o que faz com que se influencie por toda e qualquer energia que exista nos ambientes e nas pessoas. Assim, o que faz com que se sinta uma esponja, na verdade, são sintomas de seu desequilíbrio emocional/espiritual.

Acabei de ver um tópico sobre isso no Facebook, tão comum quanto outros tantos e estas foram as recomendações dadas para sanar o problema:

— Tapar o umbigo com esparadrapo (eu não consigo compreender essa função mística do esparadrapo...);

— Eu sei como você se sente, nossa vida é complicada mesmo (pensamento vitimista que transforma a mediunidade em maldição, muito comum, diga-se);

— Procure um psiquiatra ou psicólogo (o que de fato pode ajudar, conforme a origem da perturbação);

— Reiki, Apometria e Passe (que realmente podem ajudar, mas não solucionam o problema, que é íntimo);

— Procurar um trabalho com seres Arcturianos (eu nem vou comentar, pois não acredito nisso...);

— Assistir palestras (pode ajudar, elevando o pensamento);

— Usar uma turmalina negra (a pessoa não detalhou e não faço ideia do que ela de fato sugeriu...);

— Este é seu papel mesmo, só resta saber transmutar essas energias (sem comentários).

Enfim, estas orientações são reais. Foram postadas num grupo e NENHUMA sequer chegou perto da raiz do problema em minha opinião. A solução para esta situação é: reforma íntima, elevação do pensamento, cuidado com os sentimentos, oração, vigilância, etc.

O médium esponja deixará de sê-lo assim que conseguir colocar ordem em sua cabeça e em seu coração. Simples assim!

Leonardo Montes 

www.umbandasimples.com.br

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

SENTI FIRMEZA NOS GUIAS DE FULANO

índios

É relativamente comum ouvirmos frases semelhantes a estas: senti firmeza no guia de fulano. Porém, ela está essencialmente errada.

Os guias são sempre firmes, os médiuns é que nem sempre o são. 

Quando um espírito recebe permissão do Alto para incorporar e atender, significa que ele passou por um longo processo de preparação onde aprendeu tudo quanto necessário para conseguir atuar através de um médium.

Assim, o guia está sempre pronto e firme!

Então, quando alguém diz essa frase, na verdade, está se referindo à firmeza do médium, querendo dizer com isso que o atendimento espiritual foi bom, que a conversa fluiu, que o médium permitiu a entidade se manifestar da forma satisfatória.

Portanto, o correto seria dizer: senti firmeza no médium tal, porque os guias, repito, estes são sempre firmes, mesmo que os médiuns através dos quais se manifestem, não sejam tanto assim. 

Leonardo Montes

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