quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

SOBRE MÉDIUNS ESPONJA

chackras

Nos últimos anos, tem se popularizado na internet a expressão: médium esponja, que faz referência às pessoas que “absorvem” as energias de quem esteja ao seu redor, especialmente, as energias ruins, o que frequentemente faz com que se sintam cansadas, fracas e até mesmo doentes.

Mas, isso realmente existe?

Bom, não há nada de novo neste processo. Contudo, com o correr dos anos, sempre surgem expressões novas para se referir a problemas velhos e este é mais um destes casos.

Na verdade, não existe nenhuma mediunidade que faz com que alguém sugue as energias de outras pessoas, sejam energias boas ou ruins. Os chamados médiuns esponja são apenas sensitivos e a sensitividade mediúnica é uma das faculdades mais comuns da Terra.

O que de fato ocorre é que eles acabam se sintonizando com as energias ruins das outras pessoas e, como são mais sensíveis que a população em geral, acabam se contaminando com as vibrações ruins que atraem para si.

O médium equilibrado percebe, capta, mas não leva para si tais energias, pois possui um alto padrão vibratório; ora e vigia, portanto, está em equilíbrio. Em suma: sente, mas não “pega”.

O médium esponja, por outro lado, é um médium desequilibrado, cujos pensamentos e sentimentos estão em desarmonia, o que faz com que se influencie por toda e qualquer energia que exista nos ambientes e nas pessoas. Assim, o que faz com que se sinta uma esponja, na verdade, são sintomas de seu desequilíbrio emocional/espiritual.

Acabei de ver um tópico sobre isso no Facebook, tão comum quanto outros tantos e estas foram as recomendações dadas para sanar o problema:

— Tapar o umbigo com esparadrapo (eu não consigo compreender essa função mística do esparadrapo...);

— Eu sei como você se sente, nossa vida é complicada mesmo (pensamento vitimista que transforma a mediunidade em maldição, muito comum, diga-se);

— Procure um psiquiatra ou psicólogo (o que de fato pode ajudar, conforme a origem da perturbação);

— Reiki, Apometria e Passe (que realmente podem ajudar, mas não solucionam o problema, que é íntimo);

— Procurar um trabalho com seres Arcturianos (eu nem vou comentar, pois não acredito nisso...);

— Assistir palestras (pode ajudar, elevando o pensamento);

— Usar uma turmalina negra (a pessoa não detalhou e não faço ideia do que ela de fato sugeriu...);

— Este é seu papel mesmo, só resta saber transmutar essas energias (sem comentários).

Enfim, estas orientações são reais. Foram postadas num grupo e NENHUMA sequer chegou perto da raiz do problema em minha opinião. A solução para esta situação é: reforma íntima, elevação do pensamento, cuidado com os sentimentos, oração, vigilância, etc.

O médium esponja deixará de sê-lo assim que conseguir colocar ordem em sua cabeça e em seu coração. Simples assim!

Leonardo Montes 

www.umbandasimples.com.br

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

SENTI FIRMEZA NOS GUIAS DE FULANO

índios

É relativamente comum ouvirmos frases semelhantes a estas: senti firmeza no guia de fulano. Porém, ela está essencialmente errada.

Os guias são sempre firmes, os médiuns é que nem sempre o são. 

Quando um espírito recebe permissão do Alto para incorporar e atender, significa que ele passou por um longo processo de preparação onde aprendeu tudo quanto necessário para conseguir atuar através de um médium.

Assim, o guia está sempre pronto e firme!

Então, quando alguém diz essa frase, na verdade, está se referindo à firmeza do médium, querendo dizer com isso que o atendimento espiritual foi bom, que a conversa fluiu, que o médium permitiu a entidade se manifestar da forma satisfatória.

Portanto, o correto seria dizer: senti firmeza no médium tal, porque os guias, repito, estes são sempre firmes, mesmo que os médiuns através dos quais se manifestem, não sejam tanto assim. 

Leonardo Montes

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TERREIRO QUE PRATICA O MAL, EVENTUALMENTE

 

homem de branco

Recentemente, conversei com uma pessoa que me narrou uma situação, no mínimo, inusitada: foi chamada para se desenvolver num terreiro, mas relutou em aceitar em razão de uma particularidade da casa.

Trata-se de um terreiro, aparentemente, normal. Porém, nos trabalhos de esquerda, caso o consulente peça algum tipo de maldade, cabe à entidade decidir se atende ou não atende o seu pedido.

Isto é, eles não alardeiam aos quatro cantos que aceitam fazer trabalhos para o mal, porém, se o consulente pedir, talvez a entidade aceite a proposta e, neste caso, o mal possa ser feito.

Porém, pode um terreiro que, em essência, é uma casa de caridade, fundamentada na Umbanda que é uma religião que prega em 100% dos seus trabalhos o bem, também praticar o mal, eventualmente?

Para responder a essa pergunta, imagine o seguinte: 

Imagine um lava-jato cuja função, como todos sabem, é lavar carros. Durante 29 dias do mês, todos os clientes saem satisfeitos com seu carro limpinho. Porém, em um dia específico, ao invés de lavar os carros, os funcionários do lava-jato os sujam. O cliente chega com seu carro sujo e sai com ele mais sujo ainda... Porém, só neste dia!

Faz sentido? Você levaria o seu carro lá?

Pois é o que pretendem estes terreiros onde se faz o bem e o mal, ainda que eventualmente... Não é preciso ter receio: tais terreiros não têm fundamento, não tem raiz, não são sérios, estão brincando de religião...

Não basta pintar na fachada de uma casa “Terreiro de Umbanda” para, efetivamente, se praticar Umbanda. É preciso que as pessoas que formam a casa tenham as melhores intenções, estejam firmes no bem, pois somente assim serão auxiliadas por bons espíritos, do contrário, atrairão espíritos desocupados que espalharão caos e confusão em todo o terreiro...

Portanto, se você conhece algum terreiro assim o mínimo que pode fazer é passar bem longe...

Leonardo Montes

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

MEU PRETO-VELHO GOSTA DE FUMO “DE CEREJA”

cereja


Certa feita ouvi um médium dizer esta frase e me perguntei: será mesmo?

Eu tento imaginar o escravo, naquele tempo, perambulando aqui e ali e consumindo fumo com sabor... Será que existia? Creio que não.

Esta é mais uma invenção moderna, mais uma armadilha da indústria para suavizar o hábito nocivo do fumo (que, é sempre bom repetir, foi desambientado de sua origem, banalizado e industrializado). 

Na verdade, a maioria das entidades opta por um fumo “natural” ou pede que sejam adicionadas algumas ervas, como por exemplo, o alecrim. O fumo natural contém menos ingredientes do processo industrial e não recebe o aditivo da essência que confere um sabor extra.

Portanto, em casos assim, sou mais propenso a pensar que, quem de fato gosta do fumo de cereja, é o médium, não o guia.

Leonardo Montes

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

CAPÍTULO 14: POMBAGIRA

pombagira

Antes de tudo, preciso dizer que nunca vi uma pombagira referir-se a si mesma por este termo. Vejo-as preferir serem chamadas de moças, senhoras, senhoritas, damas, etc. Já li muito na internet sobre a origem deste termo, mas, é tudo tão vago e impreciso que prefiro não comentar...

Confesso: a primeira vez que incorporei uma moça foi desconcertante! Primeiro, por que eu não estava preparado, segundo, por que eu não sabia que ia acontecer.
Eu já estava trabalhando com exu há uns dois meses, quando, num trabalho com a esquerda, depois que o exu “desceu” e as moças dos demais médiuns começaram a chegar, senti uma vibração estranha, intensa, diferente das que eu já conhecia.
Senti todo o processo da incorporação, mas não entendia que entidade era aquela. Ela não se curvou como um exu, suas mãos não assumiram aspecto de garra e eu sentia uma incrível leveza. Foi então que, lentamente, meus braços se posicionaram na cintura e tive a certeza de tratar-se de uma mulher.
Até aquele momento, trabalhara somente com espíritos de “homens” e, confesso, novamente, achava meio ridículo ver homens barbados agindo delicadamente e com voz afeminada...
Entretanto, ali, não tive escolha. A entidade gargalhava, embora contidamente; andava como quem desfila e parecia muito delicada e sensível. Pediu para se sentar, pediu um cigarro comum e uma taça de champanhe. Apresentou-se, disse chamar Rosa Vermelha da Encruzilhada e vinha apenas para um primeiro contato... Despediu-se e foi embora.
Novamente, confesso: senti-me algo envergonhado, especialmente, pelos colegas de terreiro que acabaram fazendo chacota da situação, em bom sentido, claro. Mas, logo superei. Deixei de lado as bobeiras do machismo e, com o tempo, aprendi a apreciar o sagrado feminino nas manifestações dessa bondosa dama que, conforme soube posteriormente, já me recebera como filho em algum lugar do passado...
Para encerrar este capítulo, é bom dizer que, ao contrário do senso-comum, onde as pombagiras aparecem como prostitutas em busca de prazeres ou meretrizes separadoras de maridos... As moças se apresentam de forma alegre, bem humorada e extremamente conhecedoras dos mistérios do coração. São excelentes conselheiras em questões afetivas, em relacionamentos amorosos, amizades, família, trabalho, etc.
Portanto, a sugestão que dou aos futuros médiuns que lerão este capítulo é que trabalhem com as moças com o mesmo respeito e dedicação que teriam a qualquer outra entidade.
Leonardo Montes
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 13: BÊBADO

Whisky

Fora convidado - já que havia incorporado um exu -, a participar dos trabalhos da esquerda como médium. Os trabalhos ocorriam mensalmente, de portas fechadas, somente aos trabalhadores da casa ou pessoas convidadas.

Ansioso quanto à estranha manifestação, me precavera levando farofa apimentada, bebida, velas brancas, vermelhas e pretas, tudo que a maioria dos exus necessita para trabalhar.

A gira começou. Senti a vibração do espírito, mas não conseguia incorporar. Meus pensamentos estavam dispersos. Todo esforço para manter o bom padrão vibratório parecia escapar entre meus dedos. Eu havia ouvido uma música que há tempos não ouvia e não sei por que mecanismos psíquicos a bendita música não me saía das ideias.

A minha concentração estava péssima, de modo que precisei ser auxiliado pela entidade chefe do trabalho, Sr. Marabô, para que pudesse incorporar. A incorporação aconteceu nos moldes normais, mas a minha concentração ainda vacilava muito. Não estava acostumado com aquela energia intensa e, para ajudar, meus pensamentos se perdiam em notas musicais...

A entidade riscou seu ponto e ingeriu cerca de meio copo de conhaque, indo logo embora. O processo todo não durou dez minutos. Posteriormente, soube que a minha concentração estava tão ruim que a entidade simplesmente se irritou e foi embora...

Tão logo desincorporei - trêmulo e tossindo -, como da primeira vez, porém, percebi algo diferente. Meu corpo não estava o mesmo. Alguns minutos depois, sentia a cabeça leve, os movimentos vacilantes, emoções estranhas e intensas se misturavam em minha cabeça... Foi quando me dei conta: estava bêbado!

Não tinha o hábito de ingerir bebidas alcoólicas, especialmente, algo forte como o conhaque. A minha concentração estava tão ruim que os mecanismos da incorporação não se deram de forma satisfatória. Eu acabei bebendo por reflexo da vontade da entidade não por que ela própria bebeu!

Nunca havia ficado bêbado em minha vida e ali colecionara mais uma lição ao meu aprendizado mediúnico: não beber pela entidade! Muitas pessoas imaginam que se “seus exus” não beberem uma garrafa de pinga, as pessoas irão desconfiar da sua mediunidade. Outros acabam misturando a sua vontade com a do espírito e passam da conta... Em todo caso, o resultado é o mesmo: ficam bêbados!

Leonardo Montes 


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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 12: ESQUERDA

diário

Dentro dos trabalhos de Umbanda, é comum a divisão das entidades em esquerda e direita. Essa divisão é apenas didática já que formam uma equipe de trabalho única.

Chamam-se entidades de direita àquelas que já conseguiram alcançar certo nível de evolução espiritual. Encontram-se nela, por exemplos: os pretos-velhos, caboclos e crianças. Já na esquerda, encontramos os tão mal compreendidos, exus e pombagiras.

Segundo as diretrizes da nossa casa, o médium deveria primeiro desenvolver “a direita” para, só depois, trabalhar com “a esquerda”. Isso por que a manifestação da esquerda é mais forte, mais intensa, mais próxima da matéria. Antes de se habituar a ela, o médium deveria aprender a trabalhar com as sutis energias da direita.

28 de agosto de 2015, por volta de 00h30min

Estávamos terminando um trabalho de esquerda, levando os resíduos para uma entrega na encruzilhada de cana, quando se manifestou no médium-chefe em nossa casa um exu da linha da Lira que, bem humorado, conversava com os presentes, apresentando-se. Três médiuns em desenvolvimento da casa, inclusive eu, passaram a sentir a presença e vibração de entidades próximas...

Aquilo nos deixou muito confusos, pois não estávamos aptos para incorporá-los. Participávamos dos trabalhos de esquerda na condição de cambones, apenas. A vibração, contudo, parecia forte, intensa. A entidade se aproximou, pegou minhas mãos com força e me girou.

A energia que senti naquele instante ainda hoje é indescritível. Não sei como precisar, em que termos descrevê-la. Posso apenas dizer que tomou meu corpo por completo, jogando-me de joelhos ao chão.

A entidade gargalhava de forma quase enlouquecida. Não conseguia ficar de pé. Arrastava-me pelo chão algo úmido pelo sereno, sujando toda minha roupa branca de mato e terra. Com meu dedo indicador, riscou seu ponto na própria terra e em seguida foi embora.

Retornei do transe trêmulo, tossindo e vomitando. A entidade conversou comigo, disse-me que eram normais àquelas sensações. Que as primeiras incorporações da esquerda eram assim mesmo e que aquele seria meu exu e, dali por diante, teríamos um compromisso de trabalho durante muitas décadas. 

Manifestei-lhe minhas dúvidas quanto a incorporação de exu, uma vez que ainda não havia sido “liberado” pelos chefes da casa para trabalhar com a esquerda, ao que ele me disse:

- Você está pronto.

Leonardo Montes


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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 11: NOVAS PERCEPÇÕES

Médium

Como a entidade agia mais livremente, notei algumas percepções que anteriormente não possuía. Se o preto-velho colocasse a mão na cabeça da pessoa, antes me vinham apenas frases do tipo: problemas na família, dificuldades no serviço... Além de algumas impressões sentimentais que a pessoa carregava em seu coração.

Agora, se o preto-velho colocasse a mão na cabeça de alguém, chegava mesmo a ver cenas em minha mente, como uma tela do que se passava na vida do sujeito. Podia ver lugares, pessoas, situações, de forma algo imprecisa, enevoada, mas, às vezes, com bastante nitidez e som.

A princípio isso me impressionou muito, mas com o tempo me acostumei. Essas visões não ocorriam sempre, mas eventualmente, especialmente, em casos complexos, onde parecia ser necessário mergulhar no íntimo para poder ajudar.

Percebia com muita facilidade a natureza dos problemas do consulente. Se estivesse aflito, se estivesse angustiado, se não dormia bem, etc. Tudo isso parecia de alguma forma saltar aos meus olhos. Uma compreensão súbita, como uma espécie de Raio-X da vida emocional da pessoa surgia em poucos segundos e então a entidade agia e aconselhava com grande exatidão.

Se o problema fosse saúde, a entidade fixava os olhos em determinada parte do corpo da pessoa e, em seguida, trazia a resposta do que se tratava. Se o consulente dizia estar com dor nas costas, imediatamente tocava a região específica onde sentia dor. Algumas vezes, conforme fixava a visão num ponto específico, desfilavam pela minha tela mental imagens do funcionamento daquela parte do corpo.

Exemplo: Se a pessoa reclamasse de dor muscular, tinha a impressão de que a visão lhe atravessava a pele, chegando mesmo a observar os músculos em funcionamento!

Incrível, impressionante, mas real!

Leonardo Montes


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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

UMA ANÁLISE SOBRE A SINTONIA VIBRATÓRIA

energia


Os processos de influenciações espirituais operam de forma semelhante aos de um rádio com uma única diferença: em vez de falarmos em megaherts (frequência das rádios), falamos em sintonia vibratória que é, por assim dizer, a somatória dos nossos pensamentos e sentimentos formando um padrão energético em torno de nós.

Imagine que em torno de cada ser vivo existe uma aura, uma irradiação luminosa que toma cores e formas diferentes em cada individuo e que reflete a natureza de seus pensamentos e sentimentos, em intensidades e colorações variadas e, de certa forma, ainda misteriosas ao entendimento humano.

Uma pessoa com boa sintonia é alguém que, na maior parte das vezes, sente e pensa coisas boas e, naturalmente, irradia essa sintonia em tons e vibrações imperceptíveis ao olho humano comum. Já uma pessoa com uma sintonia ruim é alguém que, na maioria das vezes, sente e pensa coisas ruins e irradia essa sintonia em tons e vibrações imperceptíveis ao olho humano comum, embora facilmente perceptíveis a qualquer espírito!

É neste ponto que ocorre a chamada sintonia vibratória: cada um de nós, tendo em torno de si uma aura que nada mais é do que a somatória das vibrações criadas através de nossos pensamentos, sentimentos e atos, gera, em si mesmo, uma assinatura vibratória ou um padrão vibratório.

Este padrão se sintonizará, por princípios semelhantes ao do magnetismo comum, com outras energias, geradas por outros seres (encarnados ou não) e que cujos fluxos energéticos se atrairão ou se repelirão de acordo com a sintonia estabelecida entre eles.

É neste ponto que a literatura mediúnica chama a atenção, sempre nos apontando o caminho da reforma íntima, a melhoria de nossos pensamentos, sentimentos e a nos mantermos sempre em alerta os estados de vigília e oração, pois como seres ainda pequeninos, certamente é mais fácil nos "sintonizarmos" com as trevas do que com a luz.

E é neste momento que gostaria de falar com absoluta franqueza: a imensa maioria da população mundial (e eu certamente me incluo), não possui uma boa sintonia. Este é o ponto que me parece mais importante em todo esse estudo!

Por exemplo, com frequência se diz que os trabalhos espirituais negativos só "pegam" em quem possua um baixo padrão vibratório, certo? Porém, eu pergunto: quem é que não possui?

Há uma certa cegueira que domina os trabalhadores espirituais, em todas as correntes espiritualistas que já conheci, fazendo com que se sintam maiores do que de fato são e, por consequência, mais protegidos do que de fato são.

Pensam que, por serem trabalhadores da espiritualidade, por servirem um prato de sopa, fazerem o Evangelho no Lar, por tomarem um banho de ervas e se empenharem seriamente em se melhorarem, isso automaticamente os deixe com um bom padrão vibratório, ao passo que, penso, isso nos deixa, na verdade, com um padrão vibratório "menos ruim", mas que está muito longe de ser bom.

É a velha ideia de que o baixo padrão vibratório é sempre do outro, ao passo que eu defendo que o baixo padrão vibratório é de praticamente todas as pessoas na face da Terra.

Faça o seguinte teste, respondendo a si mesmo com sinceridade: 

- Todo dia, você faz todo o bem possível?

- Você cumpre, fielmente, as leis de Deus?

- Você aproveita todas as ocasiões para ser útil?

- Se alguém tem alguma queixa justa contra você, procura se desculpar?

- Você possui uma fé inabalável em Deus?

- Você acredita, confia e espera na bondade e justiça Divinas?

- Você se submete à vontade de Deus de bom grado?

- Você possui fé no futuro?

- Aceita sem se queixar todas as provas e vicissitudes da vida?

- Você faz o bem pelo bem, sem esperar absolutamente nada em troca?

- Você é incapaz de alimentar processos de ódio ou de vingança por quaisquer razões?

- É benevolente com todas as pessoas, especialmente, as que pensam diferente de você?

Com honestidade, quantas pessoas na face da Terra poderiam, verdadeiramente, responder com um "sim" a estas perguntas? 

E elas nada mais são do que questionamentos feitos a partir das características descritas sobre o "Homem de Bem" e que se encontram em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII

Na imensa maioria do tempo, nós pensamos e sentimos coisas ruins. Nos irritamos no trânsito, tememos pelo futuro, falamos mal de outras pessoas, estamos em conflitos íntimos ou com outras pessoas, reclamamos do salário, sentimo-nos desanimados, temos vontade de largar as tarefas espirituais, julgamos os companheiros e familiares, enfim, diria que, nas 24 horas de um dia, no máximo, teremos algumas horas de paz de espírito (e isso, com muito esforço).

Neste ponto talvez você pense que eu seja por demais pessimista. Algumas pessoas já me falaram isso quando as expliquei este meu raciocínio. Mas, de fato, não considero que seja um olhar pessimista, mas realista e cujo objetivo não está em desvalorizar e desmerecer o ser humano, mas em nos observarmos com sinceridade.

Não vamos evoluir de verdade enquanto nos acharmos privilegiados, bons ou fortes por fazermos a nossa obrigação básica em matéria de espiritualidade, pois é necessário reconhecer nossas fraquezas mais profundas e humanas para só então, através de um trabalho lento e progressivo, no correr de milhares (talvez, milhões de anos), evoluirmos de fato.

E, quanto ao problema da sintonia vibratória:

- É verdade. O mal de fato só nos atinge se estivermos com ele sintonizado. A questão é: quem é que não está?

Leonardo Montes 

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domingo, 3 de janeiro de 2021

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 9: GANHANDO CONFIANÇA

31 de outubro de 2015.

homem de blusa

Houve um trabalho especial, em cidade vizinha, onde compareceram mais de 200 pessoas para tomar passes e se consultar com os pretos-velhos. Somávamos em torno de 12 médiuns - dos quais mais da metade, inclusive eu -, era iniciante.

Nos trabalhos normais em nossa casa, cada médium incorporado atendia cerca de cinco pessoas por gira. Ali, a proporcionalidade era outra. Esperávamos algo na casa de vinte pessoas por médium, o que nos deixou muito aflitos, pois nunca tínhamos trabalhado com tantas pessoas.

Este foi, porém, um divisor de águas em minha vida mediúnica. 

Concentrei-me e incorporei, primeiramente, o Pai José do Congo, primeiro preto-velho com quem trabalhara. Ele atendeu algo em torno de 13 pessoas. Depois veio o Pai Arruda, que atendeu até o fim, totalizando, segundo o cambone que me auxiliava, 22 pessoas. Eu estava exausto, cansadíssimo e começava a perder a concentração no trabalho por isso.

Uma senhora se apresentou algo aflita, contou sua experiência amargurada. Entretanto, algo diferente aconteceu. Além da habitual voz do preto-velho que costumava ouvir no íntimo, eu passei a ouvir outra, bem diferente, pedindo para dizer-lhe que o tio dela, Antônio, estava ali e que ele sempre a ajudaria.

O medo tomou conta, travei a língua, nada queria dizer. A voz, no entanto, ressoava mais forte, mais impositiva, pedindo que dissesse sem receios. Depois de algum conflito mental, resolvi ceder, entregando nas mãos da espiritualidade. Pensava: e se ela não tiver nenhum tio chamado Antônio? Onde eu enfio a cara? Mas, bastava vir esse pensamento que sentia o preto-velho dizendo para confiar, para não segurar, para deixar fluir que daria tudo certo.

Calei meus pensamentos. O preto-velho redobrou esforços e falou sobre o Tio Antônio, dando, ainda, detalhes específicos do relacionamento dos dois. Para meu total espanto, ela se emocionou, disse que tinha muita afinidade com ele e que havia desencarnado há pouco mais de um ano.

A partir dessa experiência, onde finalmente consegui me entregar à manifestação, percebi uma grande mudança nas informações que circulavam por mim até o consulente. Todas as entidades com quem trabalho começaram a dar detalhes específicos que, antes, eu não permitia passar por medo de errar.

Leonardo Montes

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

A IMPORTÂNCIA DO AUTOCUIDADO ESPIRITUAL

autocuidado

Quando ainda era cambone, iniciando meus estudos juntos às entidades, aprendi que alecrim é uma erva poderosa para nos ajudar a viver com mais alegria, tanto que as entidades brincavam dizendo que: alecrim é alegria. 

Através de observações semelhantes, aprendi princípios doutrinários, usos de ervas, banhos, rezas, firmezas, assentamentos, etc. 

Não havia propriamente um mistério, apenas um conhecimento fragmentário que, quase sempre, era exposto durante a própria gira, em conversas ocasionais e que necessitavam apenas de um ouvido atento para serem aprendidos: é a famosa vivência de terreiro, que tanto ensina aos não ficam de meia em meia hora olhando o relógio...

Contudo, aprendi também uma outra coisa: muita gente na Umbanda deixa nas mãos das entidades ou do dirigente atribuições que, em essência, são suas.

Este tipo de comportamento é compreensível no leigo, no consulente que frequenta apenas em busca do passe, mas é completamente incoerente no trabalhador de terreiro.

Voltemos ao exemplo do alecrim.

Se eu aprendi (e aprendi) que alecrim ajuda a ter mais alegria, então, quando eu me sentir triste, que devo fazer? 

a) Ligar para o dirigente do terreiro pedindo uma orientação? 

b) Esperar que algum guia venha em sonho dizer o que fazer?

c) Ficar entristecido a semana toda aguardando a próxima gira para então pedir um conselho às entidades?

d) Fazer um banho (ou defumação) com alecrim?

Percebem o que quero dizer?

Nesta prolongada quarentena, quantas pessoas deixaram a "peteca cair"? Quantas pessoas que não pisam num terreiro há meses e que nunca mais acenderam uma vela? Nunca mais fizeram um banho? Cheguei mesmo a ouvir que, desde que o terreiro encerrou os atendimentos, a pessoa não fez mais uma única oração! Como pode?

A Umbanda não se pratica apenas no terreiro. É uma filosofia de vida com ferramentas que podemos aplicar em nossa própria vida e na vida das pessoas que estão ao nosso redor!

Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento pode fazer um banho para si, uma defumação em sua própria casa, um momento de oração em família, uma firmeza, etc.

Estas práticas, simples, são profundamente eficazes e produzem resultados quase instantaneamente!

A fé do umbandista não pode estar condicionada ao terreiro, senão, amanhã ou depois a casa fecha e aí, como fica? Nunca mais a pessoa fará nada? Fechou a casa, morreu a fé? Reflitamos!

Assim, exerça o autocuidado, afinal, a vida é sua e a responsabilidade por ela também.

Leonardo Montes 

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terça-feira, 29 de dezembro de 2020

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 8: QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA


É de conhecimento comum no meio mediúnico que as manifestações de incorporação se dão em três formas: conscientes (90% dos médiuns); semiconscientes (9% dos médiuns) e inconscientes (1% dos médiuns). Essa proporcionalidade me foi passada por uma das entidades chefes da casa onde desenvolvi.

Os médiuns inconscientes são tão raros que muitos pensam que estão extintos e definem-se por aqueles que não conservam qualquer lembrança após o transe mediúnico: tudo que as entidades fazem após a incorporação lhes é desconhecido.

Os semiconscientes são aqueles que se mantêm conscientes durante o trabalho, mas não exercem domínio sobre o próprio corpo, que age independentemente da sua vontade, sendo comum que suas lembranças se embaralhem ao final do transe.

Os conscientes - a maioria dos médiuns -, estão plenamente de posse do próprio corpo, veem tudo que acontece e recordam-se de tudo ao fim. Poderíamos dizer que trabalham em parceria com os espíritos.

Acredito que, no futuro, a literatura a respeito da incorporação necessitará rever algumas coisas. Por exemplo: de fato, existem esses três estados de consciência durante o transe mediúnico. Porém, percebi que, dentro de cada um desses estados existem níveis, variáveis. Um médium inconsciente, num trabalho, pode estar em algo semelhante a um sono profundo e em outro se encontrar como alguém que cochila. Em ambos os casos pode-se dizer que dorme, mas a profundidade do sono é bem diferente.

Outra situação: considera-se médium inconsciente o que não se recorda de nada durante o transe. Porém, consciência e memória, embora estejam ligadas, são funções mentais (ou cerebrais, para os mais materialistas), diferentes. Pode ser que um médium esteja inconsciente durante o transe e, ao final, ainda se recorde de algo? Penso que sim... Mas, deixemos isso para os estudiosos do futuro... 

Voltemos à apreciação do meu caso pessoal.

Naturalmente, as pessoas tendem a dar maior credibilidade aos médiuns inconscientes, uma vez que, neles, os espíritos podem se manifestar com quase total liberdade, que só não é absoluta, pois sempre há influência da mentalidade do encarnado na manifestação.

Como todo médium iniciante, eu desejava, também, perder a consciência. Inicialmente, o médium luta muito contra a dúvida. Perguntas, como: estou mesmo incorporado? Sou eu ou é o guia? São muito comuns. Costumo dizer, entretanto, que as dúvidas também evoluem e, ao longo de algum tempo, essas dúvidas passarão para algo, tipo: interpretei corretamente o que o espírito queria dizer?

Como médium consciente, tive que aprender a controlar os meus pensamentos e aquietar a mente, calá-la para que outro pudesse falar. Quanto mais me concentrava e menos pensava em coisas diversas, mais forte e firme era a manifestação. Isso sem dúvida não é fácil. Por vezes me sentia extremamente perdido em meus próprios pensamentos e nos das entidades que sentia como sutis intuições do que e como dizer/fazer as coisas.

Conforme os trabalhos iam ocorrendo, porém, e percebia um feedback positivo da consulência, minha confiança aumentava e sentia que, mais livremente, o guia podia atuar. 

Gradativamente, compreendi que a consciência não é um obstáculo à manifestação mediúnica e que, ao contrário do médium inconsciente que nada levava consigo após a gira, eu aprendera muito com os conselhos dos guias e com a experiência de vida dos sofredores que buscavam ajuda espiritual.

É preciso recordar, ainda, que não importa se o médium é consciente ou não. A capacidade de atuação de um guia não se limita à consciência do médium. Ainda que o espírito não consiga expressar tudo quanto gostaria verbalmente através de um médium consciente, nem por isso deixa de dar o seu recado e nem por isso seu passe tem menos eficácia.

O trabalho se inicia no momento da gira, mas quase sempre se prolonga por vários dias, semanas, meses, totalmente independente do primeiro contato que se deu através do médium...

Leonardo Montes

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domingo, 27 de dezembro de 2020

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 6: PRIMEIRO TRABALHO

umbanda

Após a conversa com o Pai Cipriano, sentia-me pressionado, inseguro e, sinceramente, com muito receio. A assistência fiel percebeu que eu me colocara na posição de médium e muitos pares de olhos me acompanhavam com curiosidade, o que elevou ainda mais minha insegurança.

Fiz uma prece com todo meu coração, de todo meu ser, pedindo auxílio ao preto-velho que trabalharia. Estava com medo, mas desejava servir! Se ele me julgasse digno e pronto, que tomasse meu corpo, que viesse espalhar sua luz.
Foi então que senti uma vibração intensa como nenhuma outra. Todo meu corpo formigava. Meus braços e pernas tornaram-se lentos, meu olho esquerdo fechou e não conseguia mais abri-lo. Sentia um torpor intenso na região da mandíbula, um forte tremor em todo o corpo e, em poucos instantes, manifestava-se José do Congo, preto-velho que não gosta de ser chamado de Pai nem de Zé, apenas, José.
Encurvado, de andar lento, mãos trêmulas, enxergando apenas com o olho direito, caminhou devagarzinho até o Pai Cipriano, saudando-o. Em seguida, dirigiu-se para a imagem de Jesus (Oxalá) saudando-a.
Sentou-se com dificuldade num banquinho, cumprimentou o cambone, riscou seu ponto, acendeu um cigarro de palha e disse:
- Pode chamar, filho... Vamos trabalhar!
Leonardo Montes
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DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 7: LEITURA MENTAL

Médium

O bondoso velho cumprimentava com singeleza e delicadeza cada consulente que se sentava à sua frente. Pedia a pessoa que pensasse em Deus e no que desejaria obter. Colocava sua destra sobre a cabeça do consulente e um mundo novo de percepções se abria diante de mim.

De imediato, uma multidão de sensações invadia a minha cabeça. Apontamentos bem específicos surgiam, como por exemplo: problema na família, dificuldade no trabalho, doença, dinheiro, etc. Por alguns instantes, parecia poder sentir as aflições mais graves da pessoa que, nem sempre, casavam com aquilo que ela verbalmente dizia...

Ali aprendera outra lição: não importa o que a pessoa diz ou do que ela reclame. As entidades sabem do que ela necessita! Por vezes, notei os consulentes aborrecidos ou contrafeitos por terem feito uma reclamação e terem recebido orientação sobre outra situação.

Neste sentido, Vó Cambinda de Guiné, uma das entidades chefes, dizia sempre: Cada fi vai escutá o que precisa, não o que qué!

Com o tempo, a leitura mental - como passei a chamar esse fenômeno -, tornara-se mais precisa. Se, inicialmente, em conjunto com as sensações aflitivas do consulente surgiam apontamentos que davam o direcionamento do problema, agora surgiam

elaborações mais complexas, como a dizer: Você está com dificuldade de relacionamento com o seu pai; Você bateu o carro; A dívida que deseja receber logo será paga ou coisas do tipo.

Simplesmente, informações que não se poderia obter com leitura fria ou através de indicativas, dado que o consulente só dizia o seu problema após a “sondagem” do preto-velho, surgiam de forma clara em minha mente.

Isso me deu enorme confiança na capacidade dos meus guias e na força da minha própria mediunidade.

Leonardo Montes

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

DIÁRIO DE UM MÉDIUM INICIANTE - CAPÍTULO 5: ABRINDO FALANGE

MÉDIUM

O termo “abrir falange” frequentemente é empregado ao ato da fala. Quando a entidade é capaz de incorporar-se com naturalidade e falar, está aberta a falange e está apta a atender publicamente. É quando normalmente ela risca seu ponto de forma definitiva e dá o seu nome de falangeiro.

É comum que os médiuns se sintam inseguros em relação a este período. Alguns retardam o quanto podem o momento em que suas entidades passarão a atender publicamente.
Conheci médiuns que levaram mais de dois anos e meio de desenvolvimento para que as entidades falassem seus nomes. Isso se deve, quase sempre, à insegurança do próprio médium.
Quanto mais seguro o médium se torna, mais rapidamente ele abrirá falange. Para que isso ocorra, contudo, torna-se indispensável dedicação e paciência, sendo desejável, o estudo.
Eu não tive maiores problemas em relação a fala. O timbre de voz, contudo, era o meu. Levaria alguns meses para que o timbre e a maneira de falar começassem a mudar de entidade para entidade e isso se deu com suave naturalidade e, por vezes, de forma imperceptível para mim. Quando me dava conta, já estava falando em outro timbre e de outra forma!
Sentia-me relativamente seguro das minhas incorporações quando, em agosto de 2015, quase seis meses do início do meu desenvolvimento, numa gira em que compareceram poucos médiuns e ampla assistência, o Pai Cipriano me chamou e disse que, dali por diante, eu trabalharia.
Foi um choque!
Eu me sentia feliz com o meu desenvolvimento, mas, nunca tinha atendido. As entidades apenas incorporavam, riscavam seu ponto, fumavam charuto ou cigarro de palha, bebiam um pouco de café ou vinho e iam embora. Não me imaginava atendendo antes de, pelo menos, um ano de desenvolvimento...
De imediato, não aceitei... Disse que não me sentia pronto, que ainda precisava desenvolver por mais tempo, que estava feliz como cambone e assim queria permanecer, ao que ele me disse:
- Você confia em mim?
- Sim, o senhor sabe que sim... Mas...
- Então, vamos trabalhar. Hoje tem pouco médium e muita assistência. Você consegue. Se você não estivesse pronto eu não te chamaria!
Nada mais respondi. Ele continuou:
- Confie em mim, eu vou estar aqui. O que vier na cabeça, diga, não trave a língua, vai dar tudo certo...
Leonardo Montes
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